(pt) Argentina, Rosario, FAR: 40 anos de democracia? Um olhar anarquista sobre o crescimento de posições pró-fascistas e reacionárias (ca, de, en, it, tr)[traduccion automatica]

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Seg Set 18 06:29:33 CEST 2023


Na última semana assistimos a um novo avanço na luta contra a impunidade 
e na defesa dos direitos humanos no nosso país. O candidato a 
vice-presidente de La Libertad Avanza organizou uma "homenagem" na 
legislatura de Buenos Aires que mais uma vez trouxe posições 
negacionistas e pró-genocidas ao palco das massas e revitalizou a teoria 
dos dois demônios. Para além do necessário repúdio, que foi sentido por 
organizações de direitos humanos, sindicatos e outras organizações 
populares, acreditamos que é necessária uma análise um pouco mais 
profunda para compreender do que se trata esta revitalização. ---- É que 
a explicação, do nosso ponto de vista, deve ser procurada no fracasso 
deste sistema "democrático" que funciona perfeitamente no quadro do 
sistema de dominação capitalista e neste contexto condena o povo a 
condições de vida totalmente insuportável Sem dúvida, aqueles que 
lutaram na década de 1970 pela revolução social não pensavam nesta 
democracia burguesa. Não há forma de justificar a inflação crescente e a 
perda de poder de compra, o desemprego e a pobreza, as péssimas 
condições de trabalho que aqueles de nós que estão na base sofrem hoje. 
Enquanto os que estão no topo continuam a acumular lucros exorbitantes e 
a pagar a dívida ilegítima ao FMI à custa da fome do povo.

Contudo, não devemos minimizar o risco que o avanço de posições 
reacionárias e pró-fascistas implica para o nosso povo. Longe do "cuco" 
dicotomizador da retórica do progressismo, de que devem ser escolhidas 
opções "menos piores" para impedir este avanço, afirmamos que o efeito é 
a mudança de todo o arco político para possibilidades de direita e 
anti-direitos.
Estamos nos referindo, por exemplo, ao candidato do governo nacional, 
Massa, hoje Ministro da Economia, que diz que "acabou a piada de que a 
gente reclama de qualquer coisa, faz greve de qualquer coisa", e até o 
mesmo que em 2015 já propunha "retirar o exército para as ruas". Por 
outro lado, um candidato à presidência, Bullrich, que tem a 
responsabilidade política pelo desaparecimento e morte de Santiago 
Maldonado, que se orgulha de proteger gendarmes e polícias assassinos, e 
que partilha a coligação eleitoral com o actual governador de Jujuy, que 
com arrogância e repressão avançou com uma reforma constitucional que 
limita os direitos e condena o povo.

E finalmente, disfarçado de liberalismo, quem expressa aberta e 
abertamente uma posição de extrema direita, nostálgica da última 
ditadura militar, é Javier Milei, que em sua candidata a vice -Victoria 
Villarruel- reúne não apenas uma reedição da teoria do os dois demônios, 
mas vai ainda mais longe. Amigo do genocida Etchecolatz, há anos 
promotor das "visitas" à prisão para se encontrar com Videla, promotor 
da revisão de todas as sentenças dos genocidas da última ditadura 
militar, estreita relação com os franquistas do Vox em Espanha, 
Villaruel Incorpora a emergência na cena pública de setores abertamente 
de extrema direita, algo que nem Biondini nem Gomez Centurión 
conseguiram alcançar nos últimos anos.

Já que alguns setores carregavam o 24 de março de institucionalismo e 
campanha eleitoral. Quando você quiser transformá-los em um ritual 
inócuo e simulado. Quando o "nunca mais" esconde indiretamente a 
realidade, onde nestes 40 anos a repressão aos protestos, o 
desencadeamento fácil, a criminalização de quem luta nunca parou. 
Alertamos que a imobilidade, a confiança no Estado e a lógica de que as 
mudanças vêm de cima, de alguma forma deram origem ao avanço da direita 
e da ultradireita.

Longe daquelas Marchas de Resistência de Mães e Avós dos anos 80 e 90, 
com agitação contra as forças repressivas, enfrentando a impunidade de 
um sistema institucional que tentava ganhar tempo e esquecer os recentes 
crimes da última ditadura. Longe, ainda mais, daquelas manifestações 
operárias que ajudaram a marcar o fim da ditadura, ou daquelas Escraches 
de HIJOS dos anos 90 contra os genocidas perdoados. Aqueles dias de 
raiva e rebelião ensinaram-nos que nenhum direito humano pode assentar 
na institucionalidade de um sistema político e social que promove a 
desigualdade e a aprofunda um pouco mais a cada dia. Com certeza, todas 
as conquistas em termos de julgamento dos perpetradores genocidas - algo 
considerado na América Latina e no mundo -, e o reconhecimento do plano 
regional sistemático, pertencem à luta e ao compromisso do nosso povo 
organizado.

O que fazemos diante desse panorama? Convencemos quem está ao meu lado a 
"votar bem" para evitar os riscos deste avanço reacionário? Nós não 
pensamos assim. Além disso, entendemos que todos os participantes do 
jogo eleitoral estão validando as suas regras. E que todos aqueles que 
apostam na conquista de eleitores contribuam para a desmobilização do 
nosso povo. Apostam na delegação de decisões e responsabilidades. Gera 
um clima de descomprometimento com a situação que nós, de baixo, 
sofremos diariamente. Mentem, afirmando que uma figura, um messias, pode 
mudar a situação em que nos encontramos. Tudo isto contribui para o 
crescimento da reação, da direita, que penetra no cansaço do nosso povo 
como única saída deste sistema de opressão.

Hoje, mais do que nunca, devemos lutar contra a impunidade. A memória 
alimenta a luta atual, com lutas coletivas - por menores que sejam - nos 
nossos empregos ou no bairro, onde se sofre a opressão é onde podemos 
exercitar e encontrar sentido nessa memória. É no debate cara a cara com 
nossos companheiros, na organização, no estar nas ruas, que nos tornamos 
irmãos daqueles feitos históricos da nossa classe que lutou pelo fim da 
ditadura. É aí que se revelam os mecanismos repressivos ainda em vigor. 
Por isso exigimos trabalho de base, participação e luta diária, 
promovendo sempre a democracia direta e a independência de classe. A 
saída é organizada e mobilizada, com atuação direta, como única 
estratégia possível para defender nossas conquistas e garantir nossos 
direitos. Como disse o camarada Buenaventura Durruti durante a Revolução 
Espanhola, "o fascismo não se discute, é destruído". E isso faz-se nas 
ruas, não através das redes sociais, nem no debate parlamentar.
São 30.000!
Foi terrorismo de Estado e genocídio!
Diante do avanço reacionário, da luta popular!

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