(pt) Espanha, cnt #429 Editorial| - Vamos imaginar um mundo bom Alho Antonio Carter - Em memória do camarada José Manuel Lara (ca, de, en, it)[traduccion automatica]

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Segunda-Feira, 31 de Janeiro de 2022 - 08:05:48 CET


Escorregadio, obtuso, genérico, antigo, estranho, complexo, filosófico, 
interpretável, polêmico, inútil, utópico... esses são os adjetivos comuns quando 
se pergunta a alguém que se diz de esquerda o que significa a palavra 
emancipação... Diagnóstico de um problema. Um problema sério, porque se trata de 
imaginação: imaginação política de um lado e imaginação utópica de outro. A 
política, como modos de ação coletiva que questionam a ordem social e política 
existente. Utópica, em termos da capacidade de criar e construir alternativas de 
coexistência justas e livres.
Na sua forma verbal «emancipar», o RAE propõe 2 sentidos, concisos mas densos no 
seu significado, embora um pouco «antigos» nas suas declarações: 1. Liberação do 
poder paternal, tutela ou servidão. 2. Liberte-se de qualquer tipo de 
subordinação ou dependência.

Se olharmos de perto, o primeiro significado é estritamente jurídico ou 
institucional e, portanto, essencialmente paternalista: algo ou alguém liberta 
quem de... O segundo significado, felizmente, pede ação, não se sabe se é 
individual ou coletiva. ou ambos. , que se liberta "de qualquer tipo de 
subordinação ou dependência". A primeira fala de uma instância "superior" que 
define e regula o ato e o fato de "emancipar-se". A segunda convida à ação 
autônoma, individual ou coletiva.

A dupla definição da Academia tem a virtude de colocar o ato de emancipar-se no 
contexto daquilo de que se deve "libertar". Daí o caráter problemático do termo, 
pois apela necessariamente à reflexão prévia do que cada um pensa, sente ou 
deseja emancipar. Os vícios da definição são, no entanto, correlativos aos dois 
significados. Por um lado, há a ambiguidade intrínseca de quem é o sujeito da 
emancipação: um sujeito individual ou um sujeito coletivo. E, por outro lado, se 
tal sujeito é passivo ("emancipado") ou ativo ("emancipado").

Portanto, as questões são diversas: do que se emancipar? Você me liberta ou eu me 
liberto? É basicamente um ato individual ou essencialmente coletivo?

Mas mais preocupante, se não importante, é perguntar: por que alguém deveria ser 
emancipado? O "para quê" nos coloca na posição sempre desconfortável de pensar, 
criar e inventar um horizonte emancipado. Um exercício que parece mais literário 
do que sociopolítico, pois se supõe que a população está "curada" da doença das 
utopias, e por isso é preciso ser realista, pragmático e possível, sem a 
necessidade de apelar a horizontes máximos de igualdade social Bem, quem, em sã 
consciência, se atrever a definir, de forma inteligível e útil, outro tipo de 
sociedade que não é a existente, melhorada talvez com um pouco mais de liberdade 
e com um pouco menos de desigualdade. Fomos inoculados com o medo de nos 
imaginarmos como seres livres e iguais, em uma sociedade auto-organizada por 
pessoas livres e iguais, porque tanta imaginação se torna contraproducente: não é 
que sem perceber estamos abrindo o algoritmo das distopias, que é claro que 
fazemos. não querem.

Mas não há melhor antídoto para a distopia do que uma boa dose de utopia. No 
plural, visto que os horizontes utópicos são e devem ser sempre abertos, não 
únicos, mas múltiplos e diversos, visto que não há horizontes de liberdade e 
igualdade mais fiáveis, credíveis e eficazes do que aqueles construídos por 
pessoas que pensam, sentem e querem emancipar eles mesmos, a partir de baixo, em 
um contexto concreto e realidade social.

A imaginação é a mola para articular novas formas de conviver, viver e se 
relacionar. Colocar a emancipação no centro do debate é abrir o cotidiano das 
lutas sindicais e sociais ao reflexo de suas últimas consequências. É questionar 
nossas próprias ideias para vislumbrar as alternativas possíveis de como nos 
construirmos individual e socialmente com parâmetros que não sejam os de 
exploração, opressão, manipulação e autoritarismo prevalecente.

Embora a perplexidade nos assalte, há tantas razões obstinadas para falar de 
emancipação, que ao fazê-lo estamos realizando um ato emancipatório em si mesmo.

https://www.cnt.es/noticias/imaginemos-un-mundo-bueno/


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