(pt) cab anarquista[Brazil]: 10 anos do Massacre do Pinheirinho: Terrorismo de Estado em defesa do Capital! (ca, de, en, it)[traduccion automatica]

a-infos-pt ainfos.ca a-infos-pt ainfos.ca
Domingo, 30 de Janeiro de 2022 - 07:27:02 CET


Neste 22 de janeiro completa-se uma década do brutal despejo da comunidade do 
Pinheirinho, em São José dos Campos, no interior de São Paulo. Quase duas mil 
famílias foram vítimas da truculência policial, ao resistirem a uma reintegração 
de posse do terreno que ocupavam havia oito anos, em um marco da luta por moradia 
em todo o país. ---- As famílias que ocupavam o terreno foram vítimas da 
brutalidade da Polícia Militar e de todos os setores das classes dominantes, 
depois que deixaram claro que não aceitariam pacificamente o despejo. A grande 
imprensa, poder judiciário, prefeitura e governo estadual tinham um discurso 
único no sentido de criminalizar a luta por moradia e a solidariedade de outros 
setores das classes oprimidas.

Em dezembro de 2011, a Justiça determinou a reintegração de posse do imóvel onde 
estavam instaladas as famílias, que já estava estabelecido como um bairro. Essa 
decisão chegou a ser revertida no mês seguinte, mas na madrugada do dia 22 de 
janeiro de 2012, um domingo, as famílias foram surpreendidas com a presença de 
uma verdadeira operação de guerra: dois mil policiais militares, helicópteros, 
cavalaria, e muitas bombas e balas de borracha, além de apoio da guarda civil 
municipal. Mulheres, crianças e idosos foram agredidos mesmo sem representarem 
qualquer ameaça. As casas foram destruídas antes que as famílias conseguissem 
retirar todos os seus pertences.

Para que a operação tivesse sucesso, a PM infiltrou agentes na véspera da 
reintegração para identificar as lideranças comunitárias, técnica digna da 
ditadura militar. Entre as violências denunciadas estiveram tortura e abuso 
sexual contra as e os ocupantes. A brutalidade foi tamanha que ganhou destaque 
internacional, mas ninguém respondeu pelos crimes do Estado, a serviço do Capital 
e dos grandes proprietários.

A área estava abandonada havia 30 anos e pertencia ao patrimônio da empresa 
Selecta S/A, que já havia declarado falência. Como a empresa devia ao especulador 
Naji Nahas, o poder judiciário decretou que o imóvel seria o pagamento. Depois do 
despejo das famílias empobrecidas, o terreno de um milhão de metros quadrados 
voltou a ficar abandonado nos últimos dez anos, sem qualquer função social e sem 
pagar os impostos devidos.

Com o despejo, os moradores foram alojados em estruturas precárias montadas pela 
prefeitura de São José dos Campos, com direito até à comida estragada. 
Conquistaram moradias populares apenas cinco anos depois, em um conjunto 
construído nos limites da cidade, distante da região central. Já o credor Naji 
Nahas, acusado de diversos crimes financeiros, recentemente pôde ser visto em um 
jantar com o ex-presidente Michel Temer, lideranças políticas e figuras da grande 
imprensa. O prefeito na época, Eduardo Cury, do PSDB, hoje é deputado federal. E 
o então governador Geraldo Alckmin, que ordenou a operação policial, atualmente é 
cotado como candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Lula, do PT.

Cabe lembrar que o Massacre do Pinheirinho ocorreu em meio a toda uma política de 
despejos e violação de direitos básicos, que teve o governo federal do PT como 
grande fiador. O projeto desenvolvimentista tocado pelo PT tinha nas remoções uma 
de suas principais consequências, com violência contra povos originários, 
ribeirinhos, moradores das favelas, entre outros. Em nome do desenvolvimento 
econômico e de garantir os megaeventos, os governos petistas estimularam a 
violência de Estado, sufocando as resistências da luta pela terra e 
criminalizando os movimentos populares organizados.

Dez anos depois, vemos a tragédia que essas políticas proporcionaram. Enquanto os 
especuladores, o agronegócio e o extrativismo seguem lucrando, centenas de 
milhares de pessoas não têm um teto para morar e convivem com a fome. O Brasil 
padece de um déficit habitacional absurdo. Dados de 2018 afirmam que há 6,9 
milhões de famílias sem casa, enquanto há 6 milhões de imóveis vazios. Essa 
situação certamente se agravou com a pandemia, escancarando a crueldade de um 
sistema que prefere imóveis fechados a pessoas abrigadas em nome da especulação 
imobiliária. A saída para essas famílias são as ocupações urbanas.

Homenageamos as lutadoras e lutadores de Pinheirinho que resistiram bravamente 
até as últimas consequências, e resgatamos as palavras que dissemos na época, 
enquanto Fórum do Anarquismo Organizado:

Como povo, ficamos do lado daqueles oprimidos, que sem um lugar para criar seus 
filhos e dormirem protegidos do frio, encontram em abrigos não dignos um lar e 
vão lutar com todas as suas forças, paus e pedras para defender o que lhes é de 
direito. Sem medo de armas, falsos discursos ou mentiras as quais já estamos 
cansados de ouvir!

VIVA A RESISTÊNCIA DE PINHEIRINHO!
NÃO ESQUECER, JAMAIS PERDOAR!

Coordenação Anarquista Brasileira
Janeiro de 2022

http://cabanarquista.org/2022/01/22/10-anos-do-massacre-do-pinheirinho/


Mais informações acerca da lista A-infos-pt