(pt) cab anarquista: Abaixo o golpismo, a miséria e a devastação neoliberal! (ca, de, en, fr, it)[traduccion automatica]

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Quinta-Feira, 23 de Setembro de 2021 - 07:42:05 CEST


Nada de ditadura e terror das forças policiais-militares! Chega de políticas de 
miséria e privatização que quebram a vida das massas populares e devoram pelo 
mercado tudo que é comum, coletivo, público, solidário. ---- Isso não é uma 
escolha! É uma crise apontada como arma para governar o país com o ajuste no grau 
máximo sobre as conquistas populares e com toda a violência que supõe o modelo 
liberal diante de um povo atacado severamente pela pandemia mortal que nasce das 
entranhas do sistema dominante, dos danos sociais e ambientais irreparáveis que 
deixa em tudo que toca.
O barulho golpista do 7 de setembro desse ano só deixou mais estampado o que está 
em curso. Não estamos mais vivendo o mesmo jogo de poder da democracia burguesa 
que o sistema acostumou uma parte da sociedade no último período da vida 
política. Os partidos do reformismo ou menos que isso, o PT e o colaboracionismo 
de centro, já deveriam ter aprendido com isso. Se não pela formação histórica do 
capitalismo periférico brasileiro, feita da técnicas do poder colonial, pelo 
menos com os artefatos golpistas aplicados nos últimos anos no país ou 
experimentados na nossa região do continente. Quem mira demais nas eleições 
presidenciais de 2022 comete um erro letal nas filas da resistência. A 
extrema-direita faz luta de classes declarada e não joga sua vida no resultado 
das urnas, o que no mínimo quer dizer que a besta feroz está solta, perdeu a 
vergonha, pegou o gosto da rua e não aceita por a coleira do dono e voltar pra casa.

O bolsonarismo é um "bate-pau" que foi estimulado pelo poder imperialista, que 
foi útil como elemento violento para a luta de classes e as práticas de governo 
pela austeridade que supõe o capitalismo neoliberal. Nunca será demais dizer que 
as pautas de miséria e fome do ministro da Economia, que foram apoiadas pela 
direita liberal e ultimadas pelo "mercado", precisaram do trabalho sujo dos 
milicianos, da máquina barulhenta de desinformação em grande escala e da 
intimidação golpista dos milicos para avançar. Contaram até bem pouco tempo com o 
jogo seletivo e mui amigo do judiciário. Isso mesmo, dessa elite da toga que 
agora é motivo de todo ruído. Uma configuração de elementos que se apoiou 
mutuamente e formou uma situação estratégica, que faz o quadro dessa luta que 
temos diante da gente agora e de onde emerge esse movimento reacionário e 
fascistóide que está na cena.

É depois que vieram as desavenças no andar de cima. O que não apaga o tempo 
precioso e decisivo que as classes dominantes formaram um só bloco para tomar 
vantagem e esticar a corda do Estado policial que emergiu para governar o ajuste. 
Nos empurraram todas essas políticas amargas de privatização dos ganhos e 
socialização dos prejuízos pra nos afundar no arrocho salarial, no desemprego, no 
trabalho informal, fazer escalar sobre nossa pobreza o preço da comida, do gás, 
da luz, da gasolina.

O Estado brasileiro se moveu para a formação estratégica de um poder político 
baseado em uma onda de forças reacionárias, no quadro de um sistema mundial de 
crises e revoltas depois da delinquência capitalista financeira de 2008. E só 
podia evoluir na conjuntura das eleições de 2018 como golpe bruto, em caso de 
derrota eleitoral, ou pela escalada feroz da extrema-direita no Planalto através 
de um governo militar, com o maior assanhamento dos milicos na política desde o 
pacto da Nova República. Nessa direção coincidiram os truques de corrupção 
judicial feitos para mexer nas regras ao gosto do sistema e, claro, o fenômeno 
político do bolsonarismo e da figura do salvador.

Congresso e Supremo ajudaram no avanço da extrema-direita
Nós somos anarquistas, do projeto militante organizado na CAB e levantamos a 
bandeira contra o sistema capitalista e todas as opressões. O Congresso e o 
Supremo são mecanismos conservadores, de reprodução do sistema em um jogo de 
poder que anula qualquer mudança que pretenda tocar mais fundo nas estruturas que 
dominam e oprimem. Bolsonaro teve ajuda deliberada dessas instituições para 
escalar o poder político, e elas tiveram que torcer e distorcer a legalidade 
burguesa pra cavar espaço e fazer a hora da extrema-direita governar.

Nunca vamos esquecer que Bolsonaro foi criatura histórica da campanha de reação 
neoliberal, incitada pela Globo e pela Lava Jato, que abriu espaço ideológico 
para a extrema-direita ocupar as ruas, as redes sociais e ganhar a decisão 
política que tem hoje. O tipo de radicalização do bolsonarismo ocupa o espaço que 
deixa a falência da democracia burguesa e se move pra bater e perseguir o 
movimento popular, liquidar junto qualquer mecanismo de participação popular, 
direitos individuais, liberdades públicas e coletivas.

Ataca no espaço político inédito que ganhou com apoio do sistema e faz luta de 
classes sem pudor contra as organizações populares e da classe trabalhadora. 
Incita certamente um desejo de ruptura conservadora, que escala formas 
autoritárias e violentas de governo pela crise, que explora politicamente a 
tutela ou colaboração ativa dos fardados. "Radicaliza" com um discurso duro e 
extremo uma região mais visível da estrutura de poder. Antes de abraçar com o 
Centrão eram os políticos, os partidos e a regra de trocas e conchavos. Agora 
miram na capa mais elitista dos togados da democracia burguesa. E vai fazendo 
agitação reacionária mexendo nesse imaginário de frustração com a etapa do pacto 
social que foi o normal de outro período.

Liberdade apenas para a exploração empresarial
O bolsonarismo é um modo ofensivo e autoritário de escalar a representação pela 
figura do líder infalível e o desejo de tutela das forças repressivas. O povo 
nesse esquema entra no máximo como torcida, como claque, que grita, que xinga, 
que sempre está em estado latente e pode invadir o campo de jogo. Supremo mesmo é 
o Mercado, a propriedade e o jogo das empresas, e a única liberdade que esse 
modelo dominante supõe é a da propriedade espoliar os povos como projeto 
colonial, racista, extrativista e ecocida. De explorar sem qualquer limite a 
classe trabalhadora, anular cada conquista feita a base de luta que tirou um naco 
da ganância e do controle do patrão. Bolsonaro e Guedes não tocam nas fortunas e 
nas rendas das classes ricas. É um projeto que é inimigo mortal de um modelo de 
coletivização do poder baseado em democracia direta, políticas de igualdade e as 
mais amplas liberdades.

Estão enganados quem classifica isoladamente os atos de Bolsonaro como 
insanidade. Ele não fala sozinho! Ele convoca um movimento com empresários e 
grupos poderosos, pra quem a vida dos pobres ou vale nada ou só serve como burro 
de carga dos donos da "economia". Esse é o capitalismo que governa as periferias 
mundiais pelas técnicas de poder colonial e escravista. Empresas da cadeia do 
agronegócio ou bilionários como o verme da Havan, por exemplo, que financiaram e 
apoiam ativamente a agitação golpista que foi a Brasília e na avenida Paulista 
fazer manobra no dia 7 de setembro. Quem faz locaute e deu as ordens de bloqueio 
de pista em diversas rodovias e estradas pelo país.

Os setores burgueses e oligárquicos que estão em aberta disputa do poder político 
com Bolsonaro, que se dividiram, certamente têm pressa em voltar a dominar o 
jogo, mas tomam muito cuidado com alguns elementos colaterais. Eles têm medo de 
abrir espaço demais para um movimento popular sair de baixo, crescer na cena 
pública e brigar por decisões que mexam nas suas regras, privilégios e fortunas. 
Eles querem a todo custo separar o governante Bolsonaro do modelo neoliberal de 
governar pelas pautas de privatização, concorrência e precarização do mercado 
sobre o trabalho e a vida. Remover o estorvo não pode significar em nenhuma 
hipótese perder o poder sobre as pautas que decidem como organizamos nossa vida 
em comum e pra onde vamos.

Muitas coisas podem estar em jogo na negociação que trouxe de volta pro palco o 
político neoliberal e golpista de 2016 Michel Temer. Está na mesa a exigência do 
poder econômico e financeiro dos grandes capitais em não deixar o plano do ajuste 
liberal e das privatizações trancar no meio do colapso institucional. A "carta à 
nação" que Temer assoprou para Bolsonaro é um "sai da frente" que o mercado tem 
urgência na Reforma Administrativa, o Marco Temporal, um pacote de privatizações 
de empresas públicas, e não tem tempo pra perder.

Derrotar o poder burguês e o militarismo
Nós lutamos e queremos uma ruptura com o poder burguês, um basta radical e 
profundo que quebre o sistema de pobreza e violência que nos golpeia tanto. 
Aumento do poder policial ou qualquer tipo de intervenção militar não é saída 
para as classes de baixo. Quem chama os generais para a cena faz isso para manter 
a ordem miserável das coisas pela tutela militar. A democracia burguesa 
brasileira, como espaço de jogo das oligarquias e colaboradores, tem formação 
colonial-racista muito encarnada e se articula com a exceção que nunca foi 
desarmada e sempre foi máquina de controle da pena dos povos originários, 
dissidentes e classes consideradas perigosas.

Que ninguém se engane! Quem fala em intervenção militar, ditadura ou militares na 
rua fala em repetir práticas da ditadura pra silenciar o povo e fazê-lo passar 
fome. Por isso dizemos bem alto: Fora militares! Da política e das ruas! Não 
esquecer! Jamais perdoar!

Nenhuma ditadura, de qualquer tipo, tampouco essas formas políticas de 
representação controlada pelas oligarquias que chamamos de democracia burguesa, 
dão decisão para as classes oprimidas mudarem de vida. Está na ordem do dia uma 
linha forte e independente de movimento popular de base para lutar por igualdade 
e repartir as riquezas, tomar decisões importantes e vitais para a vida com 
democracia direta. Nada de salvador da pátria ou lideranças infalíveis de um 
estado policial. Nada de governar pelo garrote da polícia e da economia de mercado.

Para dar um fim no governo genocida de Bolsonaro/Militares/Guedes vamos ter o 
desafio de fazer a luta não pegar o freio das burocracias sindicais e 
partidárias, não ser capturada pro calculismo eleitoral e avançar potente, com a 
marca rebelde da independência de classe, contra todo o sistema que cria os 
genocidas e carniceiros do povo.

Teremos que desmontar a própria máquina de opressão que tirou a vida de Marielle, 
que ataca diariamente o povo negro, periférico e indígena. Máquina de destruir e 
de produzir de um capitalismo extrativista que devora a Amazônia, territórios 
indígenas, quilombolas e camponeses com mineração e agronegócio, planta veneno, 
expropria corpos, territórios, biodiversidade, bens e valores comunitários que 
são inegociáveis para nossos povos. Que nunca serão recursos para o comércio e a 
cotação financeira do mercado capitalista.

Máquina mortífera que liquida nossa aposentadoria e o seguro social dos pobres em 
nome de gestão fiscal que rende lucros espetaculares aos bancos e o sistema 
financeiro. Que liquida as vitórias operárias que saíram de lutas históricas e 
impuseram limites a tanto abuso patronal. As reformas liberais que dão poder para 
as empresas e para o mercado aumentarem a exploração, não cuidar das doenças, os 
acidentes, os dias de descanso e sugar no máximo grau um trabalho precário, de 
subempregados, com salários miseráveis e muitas vezes atrasado.

O sistema fode o povo brasileiro com uma vida cara e precária que não consegue 
suportar a pressão das tarifas e os preços do básico das demandas populares. Que 
castiga as mulheres com mais miséria e opressão, que deixa a saúde e a educação 
em estado de colapso e desmonta toda a rede solidária de ajuda social.

A luta anarquista neste período
Nós somos historicamente a corrente libertária do socialismo. Lutamos por 
democracia direta, outra forma de viver e fazer política, mais direitos e 
liberdades, organização de baixo pra cima, decisão sobre projetos, serviços, mais 
investimento público pra atacar na raiz as desigualdades sociais.

Por democracia direta queremos afirmar: 1) a construção, pelo chão da igualdade, 
de um movimento popular forte que luta e se organiza com independência dos 
governos e patrões; 2) o direito popular de tomar decisões por conselhos, 
plebiscitos e referendos para anular o ajuste que aumenta a desigualdade social, 
massacra a vida dos mais pobres e liquida os direitos das/os trabalhadoras/es; 3) 
o princípio fundamental da participação popular, da defesa de amplas liberdades 
de manifestação, de associação, de expressão, diversidade, direitos sociais e 
individuais.

Na crise social e econômica que arrebenta sempre na massa popular, na classe 
trabalhadora que está esfarrapada, enquanto o milionário ou o bilionário seguem 
no luxo, só o povo salva o povo! Com apoio mútuo, democracia direta, com um 
movimento popular independente e forte lutando e construindo outra vida pelas 
próprias mãos. Os aliados de quem luta contra o sistema da fome e da morte não 
estão do outro lado, nas classes que exploram e oprimem.

A aliança estratégica que pode mudar tudo está nos povos, nos setores e grupos 
que formam essas classes oprimidas que são as únicas que podem quebrar as 
estruturas da dominação e da barbárie em que as elites nos jogaram. Pra ganhar 
força nessa luta de classes que enfrenta o bolsonarismo e o neoliberalismo que 
vem arrasando tudo de trás da pane institucional, somente com a revolta dessas 
massas trabalhadoras e oprimidas, onde o povo negro e as mulheres pobres da 
periferia são o rosto mais expressivo. Uma Frente dos oprimidos e oprimidas que 
se imponha pela força das ruas e dos territórios, das redes de apoio mútuo, que 
corte o passo autoritário do bolsonarismo e junto com sua derrota avance com 
poder popular pra além da democracia burguesa e todo esse modelo capitalista de 
cada um por si, vida precária, sofrimento e panela vazia.

Ação direta popular! Plano de lutas pra acender a revolta na periferia!
Frente dos oprimidos e oprimidas pra unir a rebeldia que vem de baixo!
Só o povo salva o povo!
Abaixo o golpismo, a miséria e a devastação neoliberal!
POVO FORTE CONTRA O SISTEMA DA FOME E DA MORTE!

https://cabanarquista.org/2021/09/16/abaixo-o-golpismo-a-miseria-e-a-devastacao-neoliberal/


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