(pt) France, UCL AL #318 - Dossiê da Revolução Haitiana: a perspectiva de Aimé Césaire sobre o "caporalismo agrário" (ca, de, en, fr, it)[traduccion automatica]

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Sexta-Feira, 17 de Setembro de 2021 - 07:24:25 CEST


Homem de letras e leninista da Martinica, Aimé Césaire (1913-2008) dedicou vários 
escritos ao Haiti, incluindo uma peça, La Tragédie du roi Christophe (1963), e um 
estudo histórico, Toussaint Louverture. A Revolução Francesa e o problema 
colonial (Présence africaine, 1960), da qual estes poucos parágrafos são 
retirados. ---- Como Toussaint estava ciente da iminência da guerra e da extensão 
do perigo, tudo o que poderia reduzir ou paralisar a produção local tornou-se um 
inimigo. Inimigo, absenteísmo dos proprietários. Inimigo, o influxo para as 
cidades da população rural. Inimigos, indolência e preguiça. Inimiga por fim, 
esta fragmentação de terras que alguns preconizavam, mas que, por mais 
justificada que fosse, só poderia resultar imediatamente numa queda vertiginosa 
da produção e no abandono do cultivo dos produtos de exportação.

Lá, Toussaint estava indo contra a maré e ele sabia disso. Todo o campesinato do 
mundo conhece "a fome da terra". Mas Toussaint estava se segurando.[...]

Mas para renovar a economia, era preciso mais do que a terra: muito trabalho, 
muito trabalho e especialistas. Os especialistas, onde encontrá-los? Eles eram 
todos brancos; ex-colonos, proprietários ou ex-gerentes.

Infelizmente, se as ideias de Toussaint eram boas, seu método nem tanto. O 
problema mais delicado para um revolucionário é o da conexão com as massas, 
precisa haver flexibilidade, invenção, um sentido do ser humano sempre desperto. 
E era lá que Toussaint estava pescando. Travando guerra noite e dia, a deformação 
militar está à sua espera, que é mecanismo e esquematismo. Ele caiu lá. Ele parou 
de inventar, contentando-se em aplicar a qualquer nova situação o esquema militar 
que acabara por desenvolver.

A situação social era preocupante? A grave situação econômica? Ele achava que 
poderia resolver tudo militarizando tudo. Foi aqui que ele se perdeu. Se a 
conexão com as massas é o tecido conjuntivo da revolução, ele estava 
esclerosando. Ele não estava mais persuadindo. Ele decretou.[...]

Era fácil dizer a Toussaint[sobre seus regulamentos de cultivo de outubro de 
1800]: "Este é o retorno das velhas formas de trabalho. Na verdade, é o retorno à 
escravidão."[...]

Não basta que um slogan seja correto. E sem dúvida a preocupação[...]com a 
recuperação econômica de Santo Domingo era correta. Mas devemos ter sucesso em 
torná-lo mais do que uma palavra de ordem. Devemos ter sucesso em fazê-lo viver 
na consciência das massas. Em suma, a corporalização compromete a mobilização. E 
foi aí que Toussaint falhou. O melhor sinal desse fracasso é que teve que 
recorrer à repressão. Em Plaisance, Marmelade, Limbé, Dondon, em torno da Cidade 
do Cabo, em todos os lugares, os camponeses se levantaram.[...]A revolta foi 
reprimida[...]. Mas o aviso era sério para Toussaint. Na véspera de um jogo 
decisivo, apareceu, e o mais grave, uma rachadura no sistema.

https://www.unioncommunistelibertaire.org/?Dossier-Revolution-haitienne-Le-regard-d-Aime-Cesaire-sur-le-caporalisme


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