(pt) fae bahia [Brazil]: A DETURPAÇÃO DO SETEMBRO AMARELO (ca, de, en, fr, it)

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Quarta-Feira, 15 de Setembro de 2021 - 09:55:52 CEST


Começado em 2015 como tática de prevenção ao crescente número de suicídios, o 
Setembro Amarelo (do dia 01 ao 31 do mês) é um momento em que diversas ONGs e 
iniciativas públicas e privadas se dedicam a discutir não só o suicídio, mas a 
saúde mental do povo brasileiro. Uma nobre iniciativa que, entretanto, em suas 
intervenções de maiores repercussões midiáticas apresentam apenas soluções para o 
combate dos sintomas, sem atentar que a grande doença (o capitalismo) precisa ser 
contestada para que finalmente possamos falar em saúde mental do povo brasileiro. 
---- Na perspectiva de autores como Fromm e Guinsberg[1], o meio social oferece 
aos indivíduos modelos de estruturação e funcionamento da personalidade, e a 
subjetividade dos mesmos é constituída de acordo com tais modelos. Observando 
atentamente as crises políticas e sociais do Brasil na última década, é inegável 
pontuar que a insegurança alimentar, o desemprego, as crises parlamentares além 
da desesperança que paira entre jovens e adultxs quanto a qualidade de vida 
familiar e individual, são fatores extremamente agravantes do quadro mental da 
população.

Nesse ensejo, parte das campanhas do Setembro Amarelo que invadem os ambientes 
familiares através da televisão e internet fazem o desserviço de depositar no 
indivíduo as ferramentas necessárias para vencer quadros de depressão e 
ansiedade.  Slogans como: "Você é forte"; "Procure relaxar"; "Medite"; "Estamos 
juntos", são algumas das inúmeras frases de efeito de uma campanha branca e 
burguesa que reforça a meritocracia.

Para um simples exemplo usaremos o cotidiano de trabalhadorxs em cidades como São 
Paulo, Rio de Janeiro e Salvador que além de terem turnos de mais de 08 horas de 
trabalho precisam de transportes públicos lotados para se locomoverem, ganhando 
um salário mínimo que mal paga transportes e alimentação super inflacionada e as 
necessidades familiares. Em que momento estes indivíduos poderão "meditar" para 
combater a ansiedade e/ou depressão?

Um "Setembro Amarelo" branco e burguês só serve para adestrar a massa 
trabalhadora e reforçar os ideais neoliberais. Descolonizar essas campanhas é 
necessário para falarmos a partir da realidade dxs subalternizadxs, precisamos de 
ações que mirem no combate ao capital e ao neoliberalismo, os principais vilões 
da saúde mental do povo brasileiro.

Campanhas por Vida Digna e soberania alimentar; organizações insurgentes dos 
povos indígenas, quilombolas e sertanejos; a Teia dos Povos, a Reaja e grupos 
políticos como os anarquistas são algumas das inúmeras formas existentes de 
contestação a esse modelo. Combater o capitalismo e ressignificar o trabalho é 
uma forma potente de suprimir os transtornos que assolam a saúde mental da 
população. Uma comunidade forte, com indivíduos lutando ombro-a-ombro é o 
verdadeiro slogan para um Setembro Amarelo.

[1]CAMBAÚVA, Lenita Gama; SILVA JUNIOR, Mauricio Cardoso da. Depressão e 
neoliberalismo: constituição da saúde mental na atualidade. Psicologia: ciência e 
profissão, v. 25, p. 526-535, 2005.

  Postado por Fórum Anarquista Especifista

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