(pt) FAR [Chile] Posição 11/2021: A mesma velha história: enquanto os que estão no topo se endividam, os que estão na base pagam (ca, de, en, fr, it)[traduccion automatica]

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Domingo, 14 de Novembro de 2021 - 07:37:16 CET


Ao analisarmos o contexto nacional, não podemos ignorar a questão da dívida 
externa e os debates que ocorreram em torno dela. Em primeiro lugar, não podemos 
deixar de assinalar que a dívida externa tem sido historicamente um instrumento 
do imperialismo - e dos grandes capitais financeiros - para dominar, saquear e 
subjugar regiões inteiras do mundo ao longo de séculos. O outro lado desta sede 
imperialista foi, e é, de governos que, em conluio, usaram esta ferramenta para 
fins de curto prazo, que nada tiveram a ver com o bem-estar dos povos, mas sim 
como um forma de apoio governamental.
A assimetria fica evidente, de um lado os grandes capitalistas à sombra de siglas 
como FMI ou eufemismos como "fundos abutre", e de outro, milhões de pobres que 
possivelmente nunca viram um dólar em suas vidas. Essa distância é tanta que 
muitas vezes é difícil entender que algo que parece tão distante, com números 
impossíveis de medir, nos afeta no nosso dia-a-dia. Como é que essas decisões - 
tanto de contrair dívidas quanto de pagá-las - são tomadas em nosso nome e para o 
benefício de terceiros para gerar tal situação social. Essa relação se torna 
ainda mais difusa quando é disfarçada de progresso, desenvolvimento, soberania, 
honra, etc. Na medida em que essas decisões se anunciam como algo positivo, como 
conquistas e esperanças, ao mesmo tempo em que se negociam condições de 
ajustamento e precariedade. Isso pode ser analisado quando olhamos a história da 
América Latina e de nosso país, mas como vamos aprender com a história se a 
educação pública está cada vez mais subfinanciada, e muitas vezes com a desculpa 
de baixar o déficit para pagar a dívida! O círculo é perfeito. Quase perfeita 
porque tão antiga quanto a dívida externa, é a luta organizada dos inferiores que 
denunciou e resistiu às consequências deste nefasto mecanismo.

Dito isso, temos que apontar o óbvio. A situação econômica do país é extremamente 
complexa, senão catastrófica para os setores populares. De fato, os números se 
assemelham às condições sociais de 2001. Inflação em alta (que atingiu 52% 
ano-a-ano), salários que não recuperam nenhum poder de compra perdido 
(especialmente trabalhadores informais, de serviços e do setor público), 
desemprego ou o emprego precário que atinge uma parte muito importante da 
população, o aumento constante de impostos e serviços, um salário mínimo vital e 
móvel que também ficou aquém da inflação, o enorme aumento do valor das rendas 
que a nova lei promoveu indiretamente, são alguns das consequências mais 
palpáveis da selvagem tarefa capitalista na Argentina.

Mas a este quadro extremamente sério, mais um elemento deve ser adicionado. A 
vontade inabalável do governo nacional de "honrar" a dívida externa do país, que 
neste momento sobe para 44 bilhões de dólares. Até o momento, neste ano, essa 
provisão já movimentou 26.396 milhões de dólares, montante superior ao saldo 
efetivo do comércio exterior. Nesse sentido, não se deve perder de vista que o 
lucro empresarial, longe de ter diminuído em 2020/2021, aumentou drasticamente, 
superando inclusive o crescimento da atividade econômica, aproveitando o contexto 
de pandemia para reduzir o quadro de pessoal ou terceirizar trabalhadores. , em 
suma, para maximizar seus lucros.

Nesse contexto, o presidente e sua equipe participaram da cúpula do G20 na semana 
passada. Gerenciando e preparando como os pagamentos continuarão. Muito atrás 
estão as promessas de campanha da Frente de Todos quando propuseram acabar com a 
dependência do FMI. Não só as datas de vencimento no final do ano são impagáveis, 
mas os 20.573 milhões de dólares correspondentes a 2022; os 20.677 milhões em 
2023 e o 6.828 milhões em 2024. Sem dúvida, todas as negociações que o governo 
nacional vem tentando iniciar serão feitas à custa das condições de vida dos que 
estão abaixo. Embora a retórica indique o contrário, o governo nacional tem uma 
disposição clara para executar o Programa Econômico Sustentável exigido pelo FMI 
para considerar um refinanciamento. Isso nada mais é do que um novo plano de 
reajuste, que vai atacar diretamente as condições de vida e de trabalho de grande 
parte da população. Cuidar do bolso dos setores empresariais e condenar os pobres 
à pobreza e à exclusão. A esta altura, é notório como o confronto retórico entre 
o partido no poder e a oposição termina quando os planos de pagamento da dívida 
têm que ser elaborados.

Do anarquismo organizado acreditamos que temos que estar preparados, em nossos 
espaços de organização social como sindicatos, locais de estudo e organizações de 
bairro para resistir a este novo ataque de ajuste. Não devemos perder nenhuma 
medida que seja prejudicial às condições de vida e de trabalho das pessoas. A 
solidariedade de classe e a unidade dos setores em luta serão fundamentais para 
travar as políticas de ajuste que não são impostas apenas pelo FMI, mas pelo 
próprio governo nacional. Nesse sentido, a independência dos setores populares 
dos partidos políticos e governos é fundamental, a única forma de defender nossos 
interesses é com independência de classe. Nesse quadro, o interesse dos que estão 
acima é perpetuar-se no poder, o nosso é sobreviver. Não há dívida senão a que 
existe com nossos irmãos e irmãs de classe. É hora de resistir e de nos 
organizarmos para enfrentar os ataques de quem está acima de qualquer distração 
eleitoral.

Pela construção de uma cidade forte!

Federação Anarquista de Rosário

http://federacionanarquistaderosario.blogspot.com/2021/11/la-historia-de-siempre-mientras-los-de.html


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