(pt) [Porto Alegre-RS] Criando um Outono onde o Estado caia junto com as folhas!!! By A.N.A.

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Segunda-Feira, 10 de Maio de 2021 - 10:19:57 CEST


Aconteceu em Porto Alegre (RS), no Gasômetro, neste domingo, dia 02 de maio, a 
Feira Anarquista de Outono. ---- Criando um Outono onde o Estado caia junto com 
as folhas!!! ---- Nesse momento de disputa entre os dois bastiões do poder 
estatal que usam a pandemia como arma política, atravessamos com nossa história e 
coerência, com o impulso do faça você mesmo. ---- Nem negacionistas nem pelegos! 
Não compactuamos com a direita fascista, não estamos "empreendendo". 
Reivindicamos a vitalidade do encontro, das trocas cara a cara porque elas mantêm 
a chama rebelde acesa. Assim também não compactuamos com a esquerda histérica e 
autoritária que questiona desde a distância inofensiva das telas. Lutamos pelo 
fim dos dois lados, cientes de que a guerra social em curso se vale de ISOLAR 
PARA VENCER.

É na autonomia como caminho, na informalidade como estratégia e no rechaço a 
sermos a massa dos que cobiçam governar, que convidamos à Feira Anarquista de Outono.

Estivemos com propaganda antiautoritária, publicações subversivas, produções 
independentes, autônomas e informais, com agitações pelos companheirxs presxs no 
Chile, e por Mumia Abu-Jamal, além de espalhar num panfleto nossa irredutível 
posição sobre a Liberdade, nestes tempos em que os totalitários pretendem 
esvaziá-la do seu sentido antagônico a todo poder.

Com a gana permanente de quem vive sempre na crise: ESTADO, CAPITAL, PATRIARCADO, 
PROGRESSO.Enquanto eles existirem estaremos em pandemia, de controle, de 
obediência, de acomodação.

A rua é o espaço daqueles que não tem patrões, é o lugar de encontro e rebeliões. 
Não abrimos mão dela.

Panfleto repartido na Feira:

Algumas diferenças urgentes sobre a Liberdade.

Ultimamente ouvimos os novos representantes do autoritarismo falarem de 
liberdade, como se tivessem algo a ver com isso.

Afirmamos que Não é de liberdade que nossos inimigos falam, eles falam é de 
poder. O poder, sinônimo de autoridade, consiste em fazer algo apesar dos outros, 
e com a opressão dos outros. E eis o que eles chamam de liberdade, poder comprar 
e lucrar, poder continuar uma vida criada e baseada no poder, mediante o 
dinheiro, e o poder que ele dá. Esse poder se complementa perversamente com a 
ideia de "poder trabalhar", que na prática significa poder continuar enriquecendo 
e servindo os outros em troca de esmolas.

A liberdade abraça outros horizontes, ela se refere a não ter donos, não ter 
amos, não ser mandados por alguém externo a nós e, sobretudo, provém da negação 
do poder, da posse. Foi por essa condição de liberdade que lutaram os escravos, 
desde Spartacus até os negros em terras "brasileiras". É por liberdade que vários 
povos lutam por território para não ter que vagar nas cidades servindo os 
herdeiros da colonização. Não é um movimento de poder individual, mas de luta 
individual e coletiva contra toda dominação.

A liberdade é antagônica e inimiga de todos os tiranos: Não tem nada a ver com o 
poder econômico porque esse poder se sustenta na opressão e na exploração. Ela 
não tem nada a ver com o militarismo porque ele se sustenta na obediência, não 
tem nada a ver com os racistas, xenófobos, ou patriarcas, porque eles menosprezam 
toda existência não uniformizada sob o branco, civilizado, cristão. A liberdade 
não significa o poder e sim sua destruição.

A liberdade não é o mesmo que escolher.

Se defendemos a necessidade de tomar decisões próprias sobre a Pandemia, nos 
importando pouco o que digam os militares no ministério de saúde ou a OMS, é 
porque escolher entre o tipo de vacina e os tratamentos da biomedicina, resume 
tudo em duas "opções" da mesma máquina: a indústria farmacêutica, cerceando 
qualquer possível resposta local, ou qualquer resposta mais integral.

Se defendemos sair de casa e ir para as ruas, não é porque defendemos as 
empresas, as indústrias ou os trabalhos; os Anárquicos entendemos que essa 
trilogia constitui o cerne da devastação, da exploração e das iniquidades 
sociais. Se defendemos ir para as ruas é porque o isolamento "social?", já 
existente, está se impondo como um modo de vida "saudável", está se convertendo 
em cárcere voluntário para uns e em segregação para outros, um isolamento que nos 
leva a ajudar às maiores transnacionais do Capitalismo hipertecnológico.

Se defendemos estar nas ruas é porque é o último espaço de possível encontro 
entre "diferentes", o único espaço de ninguém e de todxs, o cenário de todo 
protesto efetivo, a arena de combate contra as forças repressivas; nelas que é 
possível a destruição da dominação e a subversão ao espaço domiciliar que é hoje 
desde onde mais colaboramos com o capitalismo e a dominação que ele sustenta.

Pedir mais controle como estratégia de oposição política contra os reacionários 
que governam, não é o caminho que precisa ser reforçado. Maior controle, 
vigilância e Estado, ainda disfarçados de paternalismo, seguem sendo uma opressão 
e um apelo à submissão usando o medo da morte como isca.

A liberdade Jamais será fardada!!!

agência de notícias anarquistas-ana


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