(pt) clac-montreal.net: [Canadá] MayDay 2021: Não queremos este mundo que eles estão tentando nos vender! By A.N.A. (en)

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Segunda-Feira, 10 de Maio de 2021 - 09:58:01 CEST


No sábado 1º de maio de 2021, o evento anual anticapitalista "MayDay" aconteceu 
nas ruas de Villeray e Little Italy, em Montreal. O protesto começou no Jarry 
Park (entre Gary-Carter e St-Laurent) por volta das 16h15 com aproximadamente mil 
pessoas. Alguns manifestantes carregavam faixas e cartazes. A manifestação foi 
declarada ilegal pela polícia, que usou gás lacrimogêneo para dispersar os 
manifestantes. A seguir, panfleto distribuído por manifestantes antes e durante o 
"MayDay". ---- MayDay 2021: Não queremos este mundo que eles estão tentando nos 
vender! ---- A pandemia em que estamos atolados precariza a todos e evidencia 
graves injustiças. O estímulo desejado pelos dirigentes é um estímulo econômico 
que não é dirigido a nós. Não se dirige aos artistas e outras pessoas que não 
lucram o suficiente para merecer o direito de existir. Não se trata de 
profissionais do sexo, cuja própria existência ainda é criminalizada. Este 
estímulo ignora as pessoas com deficiência, os marginalizados, aqueles com 
problemas de saúde mental. O estímulo de que falam é para as petroleiras, para as 
corporações Bombardier, para os amigos do partido como o Guzzo, mas não para nós. 
Deixar que os governos nos salvem da crise que eles próprios criaram através dos 
constantes cortes nos cuidados de saúde e através das suas vidas de "pássaros da 
neve" seria aceitar a morte. O que precisamos estimular não é a economia, mas as 
lutas por nossos direitos e pelo fim da exploração capitalista.

O projeto de reconstrução econômica aposta em um mundo tecnológico manchado de 
desigualdades e baseado na exploração capitalista suja. O fortalecimento das 
fronteiras nacionais e os abusos das instâncias de imigração, ilegítimas neste 
chamado Canadá, visam preservar essas desigualdades. E enquanto no Norte 
vacinamos, esquecemos aqueles que nos vestem nas fábricas Gildan do Haiti. 
Esquecemos que cada conferência de zoom depende do trabalho em minas africanas e 
sul-americanas. Esses mesmos países que podem não ver a vacina antes da próxima 
pandemia. Palavras de agradecimento e promessas vazias não ressuscitarão os 
"petrochallengers" haitianos mortos por forças policiais treinadas pelo Canadá, 
nem devolverão os olhos perdidos por manifestantes chilenos cegos por armas 
canadenses. Será preciso muito mais para devolver a vida a Raphaël "Napa" André, 
a Joyce Echaquan e a todos os indígenas mortos aqui e noutros lugares.

Vimos a explosão de injustiças em todo o mundo neste último ano terrível. Pessoas 
migrantes que tiveram a "chance" de vir para cá agora morrem em nossos hospitais 
e depósitos. As ruas do nosso bairro mais pobre estão vazias, a polícia 
constantemente à caça de sua próxima presa. As Primeiras Nações são humilhadas, 
atacadas e mortas por instâncias governamentais, guiadas por empresas 
extrativistas. E em todo esse caos nos é imposta a obediência, o silêncio e a 
auto-ilusão diante de tudo o que acontece ao nosso redor.

Não podemos deixar isso acontecer! Recusemo-nos a policiar a nós mesmos e nossas 
ações, porque reconhecemos que viver em um mundo limitado por leis racistas, 
colonialistas e LGBTQIA2E+fóbicas é um desafio em si. São essas mesmas leis que 
alimentam as desigualdades de gênero que dão mais razão aos mais afortunados e 
aos herdeiros ricos: não os legitimemos aceitando essas leis para nós mesmos! 
Ficamos indignados quando vemos o desaparecimento da ajuda monetária, dos nossos 
empregos e a precarização dos que ficaram, ou da imposição de um toque de 
recolher sem base científica. Vemos isso apenas como uma desculpa para legitimar 
a repressão do Estado. O discurso sanitário não faz sentido quando vemos que não 
é aplicado de forma equitativa. O governo Legault mostra novamente sua verdadeira 
face quando tenta salvaguardar a economia enquanto joga nossas vidas fora. 
Recusamos este futuro sonhado pelos bilionários, que afasta a nossa atenção pelo 
medo enquanto lucram com a exploração dos mais vulneráveis.

Esses bilionários, são eles os primeiros poluidores, mas os últimos a sentir suas 
consequências. São essas grandes corporações que continuam a explorar o trabalho 
dos trabalhadores migrantes e a praticar o extrativismo nos territórios das 
Primeiras Nações, sob o pretexto do crescimento econômico e da hipocrisia da 
economia "verde" ou "sustentável". Enquanto o mundo inteiro sabe que a crise 
climática é um grande problema e afetará primeiro as pessoas marginalizadas. Para 
eles, é negócios como sempre enquanto possível, até que a morte nos separe.

Para piorar a situação, as listas de espera na área de saúde são ainda piores do 
que antes da pandemia. A mídia aproveitou a oportunidade para vender mais 
notícias que causavam ansiedade sobre o vírus, lançando uma sombra sobre as lutas 
atuais, especialmente aquelas pela defesa da terra. Essas lutas estão vivas e 
vamos lembrá-los desse fato.

Somos percebidos como nada mais que uma massa de trabalhadores, vazios e 
substituíveis, mas nem tudo está perdido. Juntos, estamos prontos para lutar e 
somos muito mais fortes e numerosos. Vamos recusar este futuro "uberizado" e 
opor-lhe um mundo de partilha e igualdade. E para chegar lá, lutaremos com todas 
as nossas forças, o que acontecerá retomando as ruas.

clac-montreal.net

Tradução > Da Vinci

agência de notícias anarquistas-ana


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