(pt) CAB: 1º de Maio de Luta e Solidariedade: revolta popular para tomar as riquezas!

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Sexta-Feira, 7 de Maio de 2021 - 08:15:59 CEST


1 de maio de 2021cabanarquista0 comentários Coordenação Anarquista Brasileira, 
dia do trabalhador e da trabalhadora, Dia Internacional da Classe Trabalhadora, 
primeiro de maio, revolta popular, vida digna ---- Vai transcorrendo mais de um 
ano em que a pandemia da covid-19 evidencia o estado em que nós, trabalhadoras e 
trabalhadores, somos submetidos a partir de ataques programados pelos de cima. O 
soterramento de direitos trabalhistas e o esvaziamento do auxílio emergencial se 
complementam ao desmantelamento do SUS e à imposição de uma precariedade brutal, 
que nos afunda em mais miséria, adoecimento e morte. Também completa um ano que 
levantamos nossas bandeiras pelo 1º de Maio Combativo, reivindicando tomar as 
riquezas por Vida Digna, em uma data que é memória, mas também representa nossa 
urgência.

Neste 1º de Maio de 2021, esta mesma urgência cresce se voltando à solidariedade 
e à organização da nossa revolta. O expressivo índice de 14,5% de desemprego no 
país sequer representa a grande massa de desalentados, informais, e 
ultraprecarizados que passaram a ser ainda mais explorados por relações de 
trabalho sem qualquer vínculo que assegure o mínimo de proteção. Seguimos 
atropelados pelos (des)ajustes, como a Reforma Trabalhista, e pelas consequências 
de medidas como o Teto de Gastos, que congelou os investimentos em Saúde e 
Educação. Mulheres definham em jornadas triplas, entre os cuidados, trabalho 
doméstico, e extenuante carga horária. Nas periferias, a labuta pela 
sobrevivência vem simultaneamente ao enfrentamento diário de uma violência que 
não cessa contra o povo negro. Faltam garantias de todos os lados. O ataque é 
cometido também através da fome, e não fosse a solidariedade e ações de apoio 
mútuo entre nós, as e os de baixo, os pratos vazios endossariam ainda mais as 
mortes e o adoecimento, já que 21% das famílias mais pobres hoje dependem de 
doações para se alimentarem, segundo a Oxfam. Ano passado, nos indignávamos com o 
insuficiente auxílio emergencial de R$ 600, hoje com o povo ainda mais 
empobrecido, Bolsonaro e Guedes reduzem ainda mais o valor para R$ 150.

Preenchemos o espaço do lamento com a consciência e a revolta coletiva de que é 
inaceitável chegarmos neste ponto. É inaceitável que exista quem ganhe com cada 
uma destas perdas. Que os super ricos brasileiros tenham ficado US$ 34 bilhões 
ainda mais afortunados durante a pandemia. É inaceitável porque não se trata de 
um acidente, ou de "sorte deles", mas de uma lógica. As contas que não 
conseguimos pagar no fim do mês, a vacina que chega em doses irrisórias, o 
direito trabalhista que nos escapa, as jornadas exaustivas não contabilizadas, os 
leitos e equipamentos que nos faltam nos hospitais - cada pedaço da grave crise 
que enfrentamos é programada e serve à acumulação destes grandes setores do 
mercado financeiro e corporativo, das indústrias estrangeiras e nacionais, de 
ruralistas e oligarquias no país, destes super-ricos e do Estado que os mantêm 
para se manter. A eles, o fruto de toda riqueza que produzimos coletivamente. A 
nós, as piores estatísticas e ainda mais retirada de direitos muito mal 
mascaradas nas narrativas de uma crise que eles dizem não ter culpados e em que 
se incluem como vítimas.

A urgência da revolta popular
A pandemia nos ataca por dentro, leva os nossos, e nos impõe ainda mais desafios 
à mobilização. Hoje também se colocam dificuldades na organização da luta por 
condições de trabalho, diante da fragilização imposta aos sindicatos, seja 
através de esvaziamento de direitos, burocratização e aparelhamento, que se 
expressam na inércia das centrais sindicais do país. Lutas que se esvaem em 
negociações rasas entre diretorias, e não acumulam forças para grandes revoltas 
que poderiam revirar o estado das coisas.

A informalidade situa o lugar a condição em que trabalhadores se encontram: cada 
vez mais afastados das entidades de classe e também entre si. Esse incentivo à 
dispersão, programado e pensado, é uma realidade com a qual convivemos em nosso 
cotidiano e que nos coloca na tarefa de orientar nossas pedagogias de luta para 
essa situação.

Tendo como marco as memórias do 1º de Maio em 1886, acumulamos referências que 
nos enchem de ferramentas para que a compreensão dessa realidade também se 
converta em ação e transformação desde as e os de baixo. Se estamos em tantos 
lugares, que seja esta a condição que nos firme. Assim, a potencialidade da nossa 
luta por trabalho está no chão da fábrica, mas também se acende na labuta das 
comunidades, do campo, das aldeias e quilombos, nas repartições e hospitais, nos 
transportes de carga e de aplicativos, no fortalecimento do movimento negro, 
estudantil e nas organizações de mulheres.

A justa distribuição da riqueza construída coletivamente não será devolvida de 
bom grado por quem historicamente nos rouba, lucrando até mesmo com mortes e com 
o adoecimento por uma pandemia mundial. Só a revolta popular, construída e 
eclodida pelas classes oprimidas organizadas, dará o tom e nos garantirá uma vida 
digna, com recuperação e avanço na conquista de direitos!

REVOLTA POPULAR PARA TOMAR AS RIQUEZAS!
VIVA A CLASSE TRABALHADORA! VIVA O 1º DE MAIO!

Coordenação Anarquista Brasileira

http://cabanarquista.org/2021/05/01/1-maio-de-luta-e-solidariedade-revolta-popular/


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