(pt) cab anarquista: [Internacional] As vitórias do futuro florescerão das lutas do passado! Viva a Comuna de Paris! (ca, de, en, fr, it)[traduccion automatica]

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Domingo, 21 de Março de 2021 - 07:12:25 CET


Este ano marca o 150º aniversário da primeira revolução social moderna na 
gloriosa história da luta popular dos oprimidos e oprimidas, a Comuna de Paris de 
1871. Durante 72 dias, os/as proletários/as da cidade de Paris reorganizaram as 
relações sociais em termos de democracia direta, no caminho da igualdade 
econômica, do apoio mútuo e da liberdade política. ---- A crise capitalista 
estrutural de 1866 e a corrida pelo poder dos estados exacerbaram antagonismos de 
classe e rivalidades transnacionais. A Guerra Austro-Prussiana de 1866 deixou em 
aberto a questão da não-devolução dos territórios reivindicados pelo Segundo 
Império Francês. Em 19 de julho de 1870, a França declarou guerra à Prússia, e a 
França foi invadida em 2 de agosto. As tropas francesas foram derrotadas, o 
Segundo Império Francês entrou em colapso e o exército prussiano chegou até os 
arredores de Paris.

A burguesia francesa então formou um governo de unidade nacional e capitulou aos 
prussianos em 26/2/1871, entregando territórios e fortes. O armistício estipulou 
que, dentro de 8 dias, uma Assembleia Nacional teria que ser eleita para decidir 
sobre as questões de guerra e paz. As condições econômicas de capitulação eram 
particularmente insuportáveis para o povo francês.

Em 18/3/1871 Thiers enviou suas tropas para os distritos da classe trabalhadora 
de Paris, para roubar os canhões da Colina de Montmartre - canhões que pertenciam 
à Guarda Nacional e foram financiados por contribuição pública durante o cerco da 
cidade pelos prussianos. Essa tentativa falhou notavelmente graças às mulheres de 
Paris. Mulheres do Comitê de Segurança do 18º Distrito, incluindo Louise Michel, 
convenceram e organizaram a Guarda Nacional, que consistia principalmente de 
trabalhadores e trabalhadoras. O povo de Paris se revoltou. A Guarda Nacional não 
entregou suas armas. Então uma guerra eclodiu entre a classe trabalhadora e o 
governo burguês, que então, com medo, mudou sua localização para Versalhes.

Revoltado com o armistício, apesar dos sacrifícios que haviam sido feitos, e 
sentindo-se traído pela burguesia, o povo de Paris fundou um poder que rivalizava 
com o do governo provisório: a Comuna foi eleita em 26 de março. De um lado, o 
governo provisório representava um poder burguês que desejava preservar a ordem 
social; do outro lado, a Comuna, que hasteou a bandeira da Comuna sobre a 
prefeitura, e queria incorporar um poder popular com o objetivo de mudar a sociedade.

Entre os membros eleitos da Comuna de Paris, havia uma alta proporção de 
trabalhadores/as (a maior parte da burguesia se absteve de votar, sob o conselho 
de Thiers). A contribuição dos núcleos políticos organizados dentro dela foi 
particularmente importante, cujas ações visavam fortalecer o caráter da 
revolução. Blanquistas, proudhonianos, marxistas e anarquistas da Primeira 
Internacional atuaram nesta direção. Embora fosse um empreendimento 
revolucionário de curta duração, a Comuna de Paris alcançou avanços muito 
importantes, sem precedentes para seu tempo, rupturas que mais tarde se tornariam 
questões-chave e objetivos de subsequentes revoluções sociais. A Comuna de Paris 
foi o arquétipo da estrutura organizacional política da sociedade 
pós-revolucionária, atuando como um catalisador na formação e desenvolvimento da 
corrente política do comunismo anarquista.

A Comuna de Paris era um órgão de trabalho, combinando poder legislativo e 
executivo em si mesmo. Moveu-se para abolir o exército regular e substituiu-o 
pelo povo armado, transformou as posições dos funcionários públicos eleitos em 
cargos administrativos e funcionários judiciais revogáveis, mas também propôs 
tomar as fábricas que foram fechadas ou abandonadas pelos capitalistas, para 
entregá-las aos trabalhadores, e a Comuna de Paris passou a unir as cooperativas 
de trabalhadores da produção industrial e artesanal. Além disso, a Comuna separou 
a Igreja da vida política, socializou as propriedades e escolas da Igreja para 
introduzir educação gratuita e o desengajamento educacional da Igreja, elegeu 
indivíduos de diferentes geografias nos executivos da Comuna em nome do 
internacionalismo, proibiu o trabalho noturno para os trabalhadores de padarias, 
três meses de aluguel foram adiados e os juros cancelados. Enquanto isso, as 
mulheres formaram clubes políticos autônomos.

Não fetichizamos as medidas particulares tomadas pela Comuna, nem as estruturas 
por ela criadas. A classe trabalhadora estava improvisando em circunstâncias 
emergenciais, aprendendo enquanto fazia, e algumas instituições eram resquícios 
do antigo governo em vez de recém-criadas. Em vez disso, celebramos o espírito 
igualitário da Comuna e a atitude democrática radical que tomou, não 
confinando-se à política, mas estendendo-se à vida econômica. Os e as 
trabalhadoras no poder iniciaram uma transformação social fundamental, mas a 
oportunidade de finalizar essa transformação não aconteceu.

Infelizmente, o equilíbrio de poder militar era particularmente desigual. Havia 
apenas cerca de 40 mil pessoas em armas da Federação da Guarda Nacional de Paris, 
com armas de qualidade inferior, e eles foram chamados combater até 170 mil 
soldados bem armados assistidos por unidades de artilharia pesada. Temendo o 
triunfo da revolução social, o governo burguês francês, liderado por Adolphe 
Thiers, e em acordo com Otto von Bismarck, chanceler da Prússia, coordenou a 
repressão da Comuna de Paris. Em 21/5/1871, as tropas do governo de Versalhes 
entraram em Paris. Seguiram-se oito dias de ferozes e sangrentas batalhas. Em 
28/5/1871, às 14:00, a última barricada na rua Ramponeau, em Belleville, caiu nas 
mãos do inimigo. Os communards lutaram heroicamente para defender a liberdade até 
as últimas consequências, em todas as ruas e em cada viela de Paris.

Os números da derrota da Comuna de Paris foram particularmente pesados: pelo 
menos 20 mil communards - homens, mulheres e crianças - morreram, com mais 
pessoas massacradas no rescaldo do que nos combates. Cerca de 45 mil foram 
presos/as. Pelo menos 3 mil morreram em centros de detenção, nas prisões, em 
colônias penais ou no exílio. Em 1/7/1871, 3.859 communards foram exilados/as na 
Nova Caledônia. Entre eles, a professora Louise Michel, que se tornaria uma das 
maiores partidárias do anarquismo revolucionário, e os irmãos Reclus, que 
participaram ativamente da formação da Comuna. Os tribunais militares forçaram 
cerca de 3.500 communards a nunca mais voltarem à França.

Após a derrota da Comuna de Paris, Eugene Pottier escreveu a letra do hino 
mundialmente renomado da classe trabalhadora, "A Internacional". A principal 
mensagem da Comuna de Paris e do hino da Internacional é que o poder dos 
trabalhadores reside na solidariedade de classe e no internacionalismo. Somente 
confiando em nossas forças coletivas e no apoio mútuo seremos capazes de nos 
libertar das correntes de exploração e opressão do Estado e do Capitalismo. A 
unidade nacional é uma alavanca de compromisso de classe para a classe 
trabalhadora e uma arma ideológica da burguesia, usada para persuadir as camadas 
sociais subjugadas a servirem os interesses das classes dominantes, seja ganhando 
seu consentimento ou levando-os aos matadouros das guerras entre estados. Essa 
conclusão foi levada a cabo pela Comuna, superando a "unidade nacional" em 
benefício da unidade de classe e do internacionalismo. Não há outro caminho para 
a emancipação dos/das oprimidos/as e explorados/as.

Os "mestres" não estão dispostos a abrir mão dos privilégios materiais 
assegurados pelo seu poder econômico e político, pelas instituições, pela 
ideologia, pelos mecanismos e pela violência que o sustentam, sem uma revolução 
social. É por isso que a classe burguesa sempre encharca no sangue cada tentativa 
de mudança social radical, cada tentativa revolucionária que desafia seu poder e 
aspira derrubá-lo. Transformações sociais revolucionárias acontecem apenas 
através da luta das classes oprimidas e exploradas. Somos obrigados/as a trilhar 
esse caminho. A burguesia não nos deixa outra escolha.

Mas não vamos lutar pelos interesses dos capitalistas, não vamos pegar em armas e 
apontá-las para os/as proletários/as de outros países, porque temos mais coisas 
em comum do que coisas que nos dividem. Temos interesses de classe comuns e 
tarefas históricas comuns. Vamos nos unir, então, com relações próximas de 
solidariedade de classe e internacionalismo revolucionário, na direção da 
revolução social mundial e do comunismo libertário.

As vitórias do futuro florescerão das lutas do passado!

Honra eterna àqueles que deram suas vidas pelo objetivo universal da revolução 
social!

Viva a Comuna de Paris! Viva o anarquismo!

Pessoas oprimidas e exploradas do mundo inteiro, vamos nos organizar e nos unir 
para nos libertarmos do Estado e do jugo capitalista!

? Alternativa Libertária / Federazione dei Comunisti Anarchici (AL / FdCA) - Itália
? Grupo Anarquista Comunista (ACG) - Grã-Bretanha
? Federação Anarquista - Grécia
? Aotearoa Workers Solidarity Movement (AWSM) - Aotearoa / Nova Zelândia
? Coordenação Anarquista Brasileira ( CAB) - Brasil
? Devrimci Anarsist Faaliyet (DAF) - Turquia
? Die Plattform - Organização Anarchakommunistische - Alemanha
? Embat - Organització Llibertària de Catalunya - Catalunha
? Federación Anarquista de Rosario (FAR) - Argentina
? Federación Anarquista de Santiago (FAS) Chile ()
? Federación Anarquista Uruguaya (FAU) - Uruguai
? Libertäre Aktion - Suíça
? Melbourne Anarquista Comunista (MACG) - Austrália
? Organización Anarquista de Córdoba (OAC) - Argentina
? Organización Anarquista de Tucumán (OAT) - Argentina
? Organización Socialiste Libertaire (OSL) - Suíça
? Union Communiste Libertaire (UCL) - França
? Zabalaza Frente Anarquista Comunista (ZACF) - África do Sul

https://cabanarquista.org/2021/03/18/internacional-viva-a-comuna-de-paris


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