(pt) CAB: RUSGA LIBERTÁRIA MT - Pandemia, negacionismo e mini lockdown: lucro para alguns; miséria e morte para geral (ca, de, en, fr, it)[traduccion automatica]

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Terça-Feira, 16 de Março de 2021 - 09:09:00 CET


comentários conjuntura, covid-19, economia, Lutar Criar Poder Popular, Mato 
Grosso, saúde ---- O avanço da COVID-19 segue na mesma proporção que os ataques 
contra as/os trabalhadoras/es. Mato Grosso já registra, mesmo podendo ser dados 
de subnotificação, 5.832 óbitos; as UTIs, falando das destinadas para a população 
pobre e sem planos de saúde, já apresentam mais de 100% na Taxa de Ocupação; as 
taxas de infecção em crianças, adolescentes e jovens, têm crescido de forma 
preocupante. Tal aumento está relacionado aos mais variados problemas existentes 
em nossa sociedade: negacionismo, lazer descontrolado e sem os devidos cuidados 
necessários, retorno às funções normais em ambientes de trabalho precarizados e 
insalubres, ônibus lotados para atender aos interesses dos patrões em seu lucro 
privado, a falta de uma política social eficiente e real etc. Se falta comida em 
casa, se as contas vão se acumulando, se não há alternativas concretas para a 
sobrevivência e vida digna da população, se jogar na sorte é o que resta para 
quem precisa sobreviver dia a dia.

Mato Grosso passará, por 15 dias, por um lockdown "híbrido" - conforme a noção 
errônea que a Seduc e Governo têm sobre a prática de educação que vem se 
ampliando por todo o estado. Será, na verdade, aplicação de "toque de recolher" 
após determinado horário, mantendo normalmente toda circulação de trabalhadoras e 
trabalhadores, estudantes - toda a sociedade - em horários "comerciais"; a ideia 
não tem como foco parar o normal funcionamento do setor comercial no estado, pelo 
contrário, busca aplicação de um toque de recolher a partir de determinado 
horário - das 21h às 5h. O fluxo, interação e possíveis aglomerações irá seguir 
normalmente; as trabalhadoras e trabalhadores continuarão em suas rotinas normais 
de trabalho e correndo riscos de vida. E quem tem buscado sobreviver via 
aplicativos, em horários noturnos, poderão sofrer com as possíveis 
arbitrariedades do toque de recolher e do estado policial.

Enquanto Mauro Mendes e Emanuel Pinheiro seguem numa briga ridícula para ver quem 
mais aparece nas mídias locais, é o povo que segue sofrendo com as incertezas 
causadas pela pandemia e pelo interesse de lucro do empresariado local; não se 
pode ter inocência com o setor do grande empresariado, estes pressionam 
prefeituras ou governo do estado por causa do temor em perder lucros e não pelas 
problemáticas sofridas por trabalhadoras e trabalhadores ao terem seus salários 
cortados. Quem realmente sofre com a pandemia são as trabalhadoras e 
trabalhadores: seja trabalhando e correndo riscos de contaminação, seja em 
quarentena e com a falta de auxílio adequado para subsidiar o alto custo de vida.

Pandemia Política

Todo o caos que temos sofrido pela pandemia está ligado com as políticas 
governamentais; uma coisa é o desconhecimento sobre algo novo que surge na 
sociedade e outra coisa é o desinteresse em se aplicar políticas sociais que 
realmente busquem atender a população e avançar na contenção das contaminações 
por COVID-19. Quando a política estatal prima em atender unicamente aos grandes 
empresários, ao agronegócio e setores privilegiados do Judiciário e Legislativo, 
em pleno caos pandêmico, isso deixa explícito que há uma escolha dentro de um 
projeto político de sociedade. As políticas sociais de contenção, de auxílio e da 
própria prática de política de morte estão ligadas com as intenções 
político-econômicas dos governos (federal, estadual e municipal).

Quando as instituições não pensam em uma maneira eficaz para atender as demandas 
sociais, dando maior foco em políticas de atendimento ao grande empresariado, ao 
agronegócio e ao alto escalão do judiciário - aumento de salários e verbas para o 
Legislativo e Judiciário, quando a população e setor executivo segue sofrendo com 
precarizações -, as ações fazem parte de uma política de priorização de um setor 
da classe social: aqueles que acumulam rios de dinheiro enquanto o povo padece na 
miséria gerada não só pela pandemia, mas pelo constante aumento do custo de vida.

As flexibilizações que vem ocorrendo, desde 2020, têm sido para atender as 
pressões dos setores privados. Não se viu reais preocupações com a população 
desempregada, com as/os autônomos, com a população que vive em moradias precárias 
(sem saneamento básico) e naquelas que vêm sofrendo com despejos autorizados pelo 
Judiciário de Mato Grosso. Além disso, o que tem sido explícito é uma briga de 
"egos políticos" - os governantes se dão a esse luxo - entre Mauro Mendes e 
Emanuel Pinheiro... Se a esfera federal já dificulta uma tentativa de "gestão" da 
pandemia, ao decretar, por exemplo, que estados e municípios estariam proibidos 
de comprar vacinas, aqui em Mato Grosso, governador e prefeito de Cuiabá entram 
em embates completamente infrutíferos para estabelecer quem deve atender as 
vítimas de COVID-19 ou quem manterá ou qual decreto vale mais - estadual ou 
municipal. Enquanto os de cima brigam, os debaixo padecem com os esforços de 
tentar sobreviver em meio ao caos gerado pelo capitalismo.

Para quem tem dinheiro: Lucro Constante

A maior preocupação dos governantes é com a economia, mas com a lucratividade 
econômica dos grandes empresários e não com políticas econômicas sérias para dar 
suporte para a população que realmente vem sofrendo com a pandemia. Os grandes 
especuladores financeiros, os grandes proprietários de terras, o empresariado 
urbano de alta acumulação financeira... esses nunca foram afetados profundamente 
com a crise pandêmica, pelo contrário, seguiram e seguem lucrando e lucrando - 
crise econômica só existe para nós, trabalhadoras e trabalhadores, que 
vendemos/trocamos nossa força física e intelectual (quando não o nosso próprio 
sangue/vida) para podermos custear um pouco de vida digna.

O custo de vida do nosso povo tem aumentado violentamente e ao mesmo tempo 
seguimos com o salário mínimo congelado. O auxílio emergencial possibilita uma 
sobrevivência, mas se torna irrisório quando o custo dos alimentos, remédios, 
energia elétrica, água, combustível e tudo mais seguem em constante aumento. 
Então, fica evidente que a preocupação econômica do governo é para com o pequeno 
susto no bolso dos patrões! Se houvesse uma real preocupação com a população, 
sujeitos que realmente movimentam a economia, seja por meio da produção, venda, 
consumo, etc., não se aplicaria políticas que caracterizam uma "política de 
morte" - fazendo com que as trabalhadoras e trabalhadores sigam correndo os 
riscos dentro de ônibus lotados e exercendo trabalhos insalubres, sem uma 
verdadeira condição de higienização e cuidados necessários que o atual momento 
nos exige.

Mato Grosso segue isentando latifundiários, segue não taxando de forma real os 
grandes empresários e, além dessa passada de pano, segue possibilitando 
incentivos fiscais. O povo segue em ônibus lotados, postos de saúde precarizados, 
escolas sucateadas, falta de água nos bairros, falta de moradia digna e com baixa 
renda salarial. O povo seguirá sofrendo enquanto não tivermos, nessa pandemia, 
uma política de vacinação em massa para todas e todos!

Toque de recolher para bobó tcheira-tcheira

O que estaremos enfrentando é uma medida, não que não seja necessária, mas 
totalmente destinada para enganar a população. O fluxo de trabalhadores e 
trabalhadoras seguirá normalmente, o lucro dos patrões seguirá de vento em polpa, 
pois a economia não pode parar (não tem parado, principalmente quando se trata 
dos maiores devedores aos cofres públicos de Mato Grosso - o Agronegócio). A 
economia não pode parar, mesmo que sigamos perdendo mais algumas vidas, mesmo que 
ultrapassemos o registro de 6.000 mil mortos em nosso estado, não pode parar 
mesmo que já vivenciamos a superlotação das UTIs e estejamos dentro de um colapso 
explícito (já chegamos na marca de 99% das UTIs ocupadas e um número 
significativo de pessoas aguardando vagas).

Há enormes problemas gerados pela liberação geral e pelo grande fluxo de pessoas 
em casas noturnas, bares, restaurantes, shopping, etc. O discurso negacionista 
ganhou rápida proporção e utilização pela nossa população, tendo até, em vários 
momentos, o próprio governador do estado usado o negacionismo para avançar em sua 
política estadual de ataques. O estado chegou ao colapso nos hospitais, chegou ao 
pico de calamidade por falta de UTIs, falta de trabalhadores/as de linha frente 
para a saúde e insumos necessários. Qual será a saída adotada pelos governantes 
municipais e estaduais?

Outra incoerência é o funcionamento de escolas particulares durante esse período 
ou a tentativa por parte do governo de Mauro Mendes de obrigar as escolas 
públicas a realizarem "plantões tira dúvida" presencial ou a medida da prefeitura 
de Emanuel Pinheiro de levar trabalhadoras e trabalhadores para dar aula das 
escolas. Posturas que contrariam a lógica dos próprios decretos estaduais e 
municipais. Em Cuiabá, e em diversos outros municípios do estado, a extrema 
direita negacionista, a Direita MT, juntou-se a empresários da Educação para 
fazer pressão pelo retorno presencial das escolas, acionando diversas frentes - 
"atos" em frente a prefeituras, abaixo assinado, cartas aos governantes etc. 
Nisso, vemos a relação lucrativa da extrema direita e dos "liberais", relação que 
se reproduz, também, nas demais questões que envolvem o país hoje. Em seus 
discursos distorcidos, afirmam preocupação com a educação de crianças e jovens. 
No fim, bem sabemos que os motivos que os movem são bem outros - reforçar uma 
narrativa negacionista e proteger os lucros do empresariado da Educação. Governo 
do estado e prefeitura de Cuiabá cederam facilmente. O resultado já tem se 
apresentado, número grande de trabalhadoras/es e estudantes atingidos pela 
COVID-19. A pergunta é: a quem serve o funcionamento de escolas mesmo diante do 
colapso da saúde em Mato Grosso (aumento de casos e mortes de COVID, falta de 
leitos de UTI e insumos básicos nos hospitais)? Certamente, não é às crianças e 
aos adolescentes.

Passaremos por quinze dias de um "lockdown híbrido" (mini lockdown, usando o 
conceito governamental), durante o qual, o que poderá aumentar é a prática do 
Estado Policial de Ajustes, maior punitivismo e violência contra a população nas 
periferias e quebradas; aplicação de multas de R$500 reais para pessoas físicas, 
fora outras possíveis práticas repressivas e de violência contra a população. 
Seguiremos enfrentando uma rotina normal para quem precisa trabalhar para 
sobreviver, tendo alguns trabalhadores e trabalhadoras afetados (os que executam 
trabalhos noturnos) e correndo o risco da perda do trabalho e sem nenhum auxílio 
para custear o alto custo de nossas vidas. Aumentar o efetivo de polícia nas 
ruas, aplicar multas contra a população civil, dar maior poderio repressivo 
contra a população... essa é a única saída para conter a propagação da COVID-19 e 
suas novas variantes? Essa é a única saída para evitar o colapso (já em nossa 
cara) dos hospitais?

É preciso que haja um auxílio emergencial que tenha como norte a sobrevivência 
digna do nosso povo, não um norte de lucratividade para os cofres do estado. 
Pois, se a preocupação com a economia de Mato Grosso fosse real, a primeira 
investida se daria taxando o agronegócio e grandes empresários que lucram com o 
suor, sangue e morte de nossa população.

A saída que nos resta nessa conjuntura de morte e precarização da vida

Temos clareza que não está fácil a nossa vida e que não será da noite para o dia 
que as coisas melhorarão, mas devemos retomar a força da resistência e rebeldia 
para a organização e luta das/os trabalhadoras/es contra toda essa política de 
morte que os governantes e patrões têm nos empurrado a vivenciar. Já que nos 
obrigam a trabalhar e correr riscos de vida em plena pandemia acelerada, sem 
nenhuma possibilidade de sobrevivência digna; é urgente que também tomemos a ação 
direta como ferramenta primordial de combate contra toda essa injustiça e 
política de morte. Se nos impõe trabalhar normalmente em pleno colapso, que 
tenhamos força para tomar as ruas e reivindicar Vida Digna: quarentena pela vida, 
greve geral pela vida, auxílio emergencial para todas e todos que sofrem com a 
precarização do trabalho e desemprego e com valor digno, redução dos altos preços 
nos alimentos/medicação/luz/água/gás/etc., testagem em massa para toda população, 
fim dos despejos nas ocupações de casas abandonadas e terras improdutivas ou sem 
real função social, taxação do agronegócio e das grandes fortunas, encerramento 
dos trabalhos presenciais nas escolas e demais repartições públicas (trabalho 
essencial não pode ser relativizado para atender desejo de patrões), VACINAÇÃO EM 
MASSA!

É pela força popular, ação direta organizada contra os inimigos de classe que 
podemos avançar na reconstrução de vetor social forte para a revolução social.

DESEMPREGO E PANELA VAZIA, É REVOLTA NA PERIFERIA!

ANARQUISMO ORGANIZADO, PELA CONSTRUÇÃO DO SOCIALISMO LIBERTÁRIO!

LUTAR, CRIAR... PODER POPULAR!

Rusga Libertária - 15 anos na construção do Anarquismo Organizado em Mato Grosso

http://cabanarquista.org/2021/03/09/rusga-libertaria-mt-pandemia-negacionismo-e-minilockdown


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