(pt) [Espanha] Anarcofeminismo e o efeito borboleta Por Rosa Fraile By A.N.A. (ca, en)

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Sábado, 13 de Março de 2021 - 09:57:56 CET


Eu não gosto nada da chamada nova normalidade. Eles estão tentando nos fazer 
acreditar que o que nos acontece é "normal". Este discurso dominante identifica o 
que é normal com o que é comum, portanto com o que é bom e aceito. É perigoso e 
falacioso. Seu objetivo é que práticas que não são nada boas, dentro e fora do 
local de trabalho, sejam assumidas como normais e consentidas. De que adianta 
impedir que os pés das meninas cresçam? Era boa esta limitação da criança, que 
foi tão normalizado na Idade Média? E, depois de décadas de luta para sair de 
casa e ocupar o espaço público, que melhorias nos traz a imposição do espartilho 
de teletrabalho às mulheres? É normal que o 8M traga mais pandemias e que Eva 
sempre tenha que comer a maçã sob o olhar de uma cobra e Adão babando por morder 
a fruta?

Brincadeiras à parte, temo que surpresas desagradáveis nos aguardem entre agora e 
os próximos 8M e que queremos normalizar questões intoleráveis, por isso devemos 
planejar cuidadosamente nossas ações coletivas e definir nossos objetivos e 
estratégias sem demora.

O normal deve ser avançar contra todas as probabilidades em direção a um futuro 
igualitário e solidário, com um modelo econômico justo, feminista, sustentável e 
respeitoso com o planeta. Isto requer compromisso e nos obriga a considerar 
pessoalmente o dia a dia, cuidando de nosso ambiente e dos seres vivos que nos 
cercam. Se a partir desta consciência individual, nossas ações e decisões têm um 
interessante "efeito borboleta", em nível coletivo e organizacional este "efeito" 
pode ser tremendo. O que cada lufada de ar de uma mulher na África Central causa? 
Um piscar de olhos na Europa desencadearia um tornado verde na Argentina? Bem, 
nós não sabemos! Mas desde suas origens o feminismo tem a capacidade de 
introduzir importantes perturbações no sistema caótico deste capitalismo 
antropocêntrico e patriarcal, ainda mais se for um feminismo organizado da classe 
trabalhadora com vocação internacionalista.

É necessário realizar uma reflexão serena sobre o que aconteceu e seus efeitos, 
continuar falando e analisando, contrastar opiniões, debater tudo o que é 
necessário, com um sentido construtivo e enfoque de gênero, apresentar uma frente 
anarcofeminista unida e fortalecida, com um caminho claramente marcado, pronta 
para não dar um passo atrás na luta feminista pela igualdade e emancipação.

Nossos movimentos provocarão tornados!

Fonte: https://www.cnt.es/noticias/anarcofeminismo-y-efecto-mariposa/

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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2021/03/01/espanha-8m-nossa-melhor-defesa-feminismo-de-classe-sindicalista-e-combativo/

agência de notícias anarquistas-ana


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