(pt) federacion anarquista de rosario: Agitación #1 - Em direção a um feminismo (ca, de, en, it)[traduccion automatica]específico.

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Quinta-Feira, 24 de Junho de 2021 - 08:30:12 CEST


Elementos para o debate sobre a militância feminista do anarquismo organizado 
[nota publicada na revista Agitación nº 1] ---- A luta feminista conseguiu nos 
últimos anos impor-se no campo popular como necessária e indispensável. Embora 
estejamos longe dos objetivos que nos propusemos - e mesmo neste estágio de 
resistência - houve avanços importantes. Um deles é justamente o que ocorreu 
dentro das organizações populares e políticas.  ---- Nesse sentido, ganham 
relevância não apenas as reivindicações como o gozo de uma vida livre de 
violência sexista, ou o acesso aos direitos sexuais e reprodutivos, ou a 
democratização e socialização das tarefas domésticas não remuneradas. Mas também 
houve revisões de práticas internas e a perspectiva feminista foi incorporada em 
outros campos da vida orgânica e cotidiana. Em suma, a práxis feminista tem 
conseguido se legitimar -embora não sem resistência- nos setores que buscam 
transformar a sociedade.

Como anarquistas reconhecemos uma tradição nesse sentido, já que desde o final do 
século 19 os militantes conseguiram estabelecer debates em torno da violência 
sexista, do amor livre, da sexualidade, do aborto e da dupla opressão que sofriam 
por serem mulheres da classe trabalhadora. Muitas dessas propostas foram 
refletidas no jornal paradigmático "La voz de la mujer".

Claro, a ascensão do feminismo também traz novas questões dentro do movimento. Já 
nos referimos a alguns deles em outros artigos, como a crescente 
institucionalização, burocratização, ascensão do academicismo e florescimento de 
correntes que apostam no pessoal e não no coletivo, entre outros. A título de 
exemplo, a recente criação do Ministério da Mulher - outro Conselho Nacional da 
Mulher - tem contribuído ainda mais para a institucionalização do movimento por 
meio da cooptação de muitas organizações que ali acabam por perseguir sua 
militância, em detrimento da militância em organizações populares.

Agora, na busca por nosso próprio feminismo de acordo com nossa corrente de 
anarquismo organizado e sua estratégia abrangente, temos sempre a obrigação de 
abordar reflexivamente quais ferramentas e práticas - e quais não são - são as 
mais eficazes e relevantes neste contexto para contribuir. à construção do poder 
popular a partir de uma perspectiva feminista.

Nesse quadro, vemos tendências que surgem do movimento de mulheres e feministas 
que permeiam nossa militância e acreditamos que podem dificultar o 
desenvolvimento da metodologia que propomos a partir do anarquismo organizado. Em 
particular, encontramos dois processos que pela experiência vemos que devemos 
rever, a especialização da militância feminista (e / ou militantes) e o 
academicismo, que geralmente andam de mãos dadas.

Deve ser esclarecido que não estamos necessariamente nos referindo ao debate 
sobre integração versus especificidade. A partir da FAR acreditamos que é 
necessário buscar um equilíbrio entre mainstreaming e especificidade, de forma 
que o olhar feminista atravesse o resto dos problemas e também as práticas 
organizacionais, mas sem que isso signifique um borrão ou esmaecimento das 
reivindicações. a ser tratada de uma maneira particular.

Quando falamos dos riscos da especialização da militância, referimo-nos a uma 
modalidade de fazer política em que o interesse e a participação só ocorrem com 
respeito à opressão patriarcal (mesmo em nome do mainstreaming). Quantos colegas 
nós vemos que só estão interessados em participar dos comitês de gênero da 
organização política, do sindicato ou do centro estudantil.

No plano político, acreditamos que é um equívoco na medida em que produz efeitos 
e contribui para, por exemplo: segmentar nossa participação em "questões de 
gênero", analisando a realidade apenas de uma perspectiva, gerando uma espécie de 
"tribunal feminista". Tudo isso envolve práticas políticas em que mulheres e 
dissidentes aparecem como as únicas vozes com poderes para dar debates sobre 
questões de gênero. Como anarquistas específicos, devemos procurar participar de 
todas as questões organizacionais, incluindo e especialmente aquelas que 
geralmente são masculinizadas. Da mesma forma, como pensamos que a perspectiva de 
gênero deve cruzar todas as nossas análises, também acreditamos que o feminismo e 
o antipatriarcado não podem estar no centro de todas as leituras,

Chamamos a atenção para este tipo de práticas, pois muitas vezes resultam em 
sinalizações condenatórias de colegas, sem propostas ou treinamentos ou quaisquer 
processos de desconstrução. Assim, vimos espaços onde a política feminista se 
constrói - e se restringe - à denúncia, promovendo inadvertidamente o isolamento 
e bloqueando a militância popular. Cabe esclarecer que não desprezamos a denúncia 
como ferramenta em situações de violência, mas não consideramos a denúncia 
(promovida pelo uso excessivo das redes sociais) como uma prática transformadora 
de longo alcance.

A militância especializada também tem efeitos na inserção social como a 
exterioridade no que diz respeito à vida das organizações sociais (visto que só 
intervém nessas questões), o que muitas vezes implica desconhecimento sobre 
aspectos da dinâmica organizacional que devem ser levados em consideração. Essa 
exterioridade, na maioria das vezes, é atravessada por um certo academicismo, a 
partir do qual podemos inferir que há uma lógica iluminista subjacente muito 
distante de nosso perfil de militante anarquista. Hoje existem grupos que se 
dedicam a realizar workshops, palestras, treinamentos em outras organizações, que 
como pára-quedistas vêm e vão só para nos ensinar e mostrar como estamos sendo 
oprimidos. Sem prejudicar o trabalho que fazem,

Ressaltamos esse aspecto porque há uma variedade de organizações no movimento de 
mulheres, e os setores que hoje buscam hegemonizá-lo são aqueles com maiores 
recursos materiais e simbólicos. Isso significa que muitas vezes, em nome da luta 
das mulheres, é realizada uma agenda programática que ignora a realidade dos 
setores sociais onde estamos organizados. Essa agenda vingativa, muitas vezes sem 
caráter de classe e sem intenção clara de gerar participação popular -que às 
vezes ao contrário, apela à participação individual e espontânea- acaba 
promovendo ações distantes do cotidiano das organizações sociais e só atinge a 
militância. setor.

Um parágrafo separado merece uma revisão das instâncias e ferramentas que o 
feminismo nos dá e que a partir da especialização também podem criar obstáculos 
ou deformações de sua intenção original. Nesse sentido, acreditamos que cada 
ferramenta e espaço (como comitês de mulheres, protocolos) devem ser pensados de 
acordo com a esfera -política ou social-, o nível de apropriação do feminismo e a 
participação dos parceiros. Eles não podem ser usados como fórmulas neutras. Se 
não os contextualizarmos e acreditarmos que podem ser usados independentemente 
dos demais componentes ideológicos e materiais da organização, estaríamos 
alimentando uma ideia de feminismo homogêneo e relacionado àqueles com os quais 
estamos claramente em disputa.

O mesmo acontece conosco com a teoria, seu uso tem que ser de acordo com nosso 
arcabouço ideológico. Afirmamos, como expressa FAu em seu documento Huerta Grande 
"A teoria visa a elaboração de instrumentos conceituais para pensar com rigor e 
conhecer profundamente a realidade concreta" (1972). Reconhecemos que o campo 
feminista tem feito grandes esforços para revelar os mecanismos de opressão 
contra as mulheres e dissidentes e ser capaz de nomear questões que eram 
invisíveis. No entanto, isso não significa que os conceitos e categorias e, 
portanto, os referenciais teóricos, sejam todos igualmente válidos. Como 
anarquistas específicos, temos a tarefa de extrair dessas produções teóricas os 
conceitos e categorias que estão de acordo com nossa ideologia.

Por outro lado, consideramos que o desenvolvimento teórico deve ocorrer sempre ao 
lado de nossa militância, não precisamos de compêndios de "patriarcado, feminismo 
e gênero" - ou da busca infinita de novos termos que um mês se desatualizam da 
nova teórica. produção-, se depois não pudermos falar com um colega de nosso 
sindicato, bairro ou local de estudo. Por isso dizemos que a teoria deve caminhar 
junto com o desenvolvimento da organização política e suas frentes de inserção.

Além disso, consideramos que o conhecimento que emergiu da reflexão sobre as 
vivências e lutas das pessoas abaixo constitui uma contribuição inestimável. 
Repete-se ad nauseam que o feminismo deve ser "rebaixado" aos bairros, aos 
sindicatos. Nem as opressões nem as suas resistências se criam no laboratório ou 
no claustro, por isso não queremos que as referências da luta antipatriarcal 
sejam figuras públicas, jornalistas, etc. Insistimos que não existe feminismo 
neutro em relação ao sistema de dominação como um todo; apostamos no de baixo.

Afirmamos que temos que enraizar o anarquismo nas lutas sociais e essa é a nossa 
tarefa. Fazemos essas observações sobre o movimento feminista porque fazemos 
parte dele, mas queremos alertar sobre os rumos que ele pode tomar e que 
prejudicam nossa estratégia de construção social. Isso não significa que devamos 
abandoná-lo, senão, pelo contrário, devemos estar aí influenciando com nossa 
construção de um feminismo de baixo para cima.

ACIMA AQUELES QUE LUTAM!!

Postado por Federacion Anarquista de Rosario

http://federacionanarquistaderosario.blogspot.com/2021/06/hacia-un-feminismo-especifista.html


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