(pt) luta fob: SIGA-RJ | CHEGA DE EXTERMÍNIO: Justiça por Kathlen!

a-infos-pt ainfos.ca a-infos-pt ainfos.ca
Sexta-Feira, 18 de Junho de 2021 - 07:42:52 CEST


Cerca de 800 pessoas já foram assassinadas por operações policiais no RJ desde 
junho do ano passado. ---- Kathlen de Oliveira Romeu foi mais uma vítima da 
política de extermínio promovida por esse Estado racista e patriarcal. Ela 
trabalhava em dois empregos, como modelo e vendedora de roupas, tinha 24 anos e 
estava grávida. ---- Ontem, dia 8 de junho, Kathlen estava com sua avó, Dona 
Sayonara, na Comunidade do Lins, Zona Norte do Rio de Janeiro, quando uma 
operação de policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do 
Complexo do Lins teve início. Em seu relato, Dona Sayonara conta que a rua estava 
tranquila, mas de repente os PMs começaram os disparos. Ela tentou proteger a 
neta e viu que Kathlen estava ferida. A jovem foi levada para o hospital, mas não 
resistiu ao tiro de fuzil. No mesmo dia, a PMERJ arrancou de Dona Sayonara a sua 
neta e seu bisneto.

Em protesto, os moradores da Comunidade do Lins fecharam a Autoestrada 
Grajaú-Jacarepaguá nos dois sentidos.

No mês passado, as polícias civil e militar promoveram uma das maiores chacinas 
da história do Rio de Janeiro, com a execução de 28 moradores da Comunidade do 
Jacarezinho. Também no mês de maio a PMERJ executou dois homens na Comunidade 
Cidade de Deus, o mototaxista Edvaldo Viana e seu carona. Essas execuções 
ocorreram no mesmo local da execução em janeiro do operário de marmoraria Marcelo 
Guimarães.

No mês de abril as ações de extermínio foram orquestradas em várias comunidades, 
deixando um saldo de 9 execuções, incluindo o marceneiro Gemerson de Souza. No 
mês de março a chacina foi na Comunidade dos Macacos, onde 5 moradores foram 
executados, entre eles Valmir Cândido, operário terceirizado da Reduc. Em 
fevereiro a chacina ocorreu em 4 comunidades, com 10 execuções.

Considerando o período de janeiro até maio de 2021, o Instituto Fogo Cruzado 
registrou, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, 520 assassinadas com armas 
de fogo, em comparação com o mesmo período de 2020, quando 467 pessoas forma 
mortas. Um aumento de 11% das vítimas fatais.

As medidas dentro da legalidade para conter essa política racista de extermínio 
são inúteis, pois cerca de 800 pessoas, segundo o levantamento do Grupo de 
Estudos dos Novos Ilegalismos (Geni/UFF), foram assassinadas durante ações das 
forças policiais em favelas e periferias do Rio de Janeiro desde junho do ano 
passado, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu a realização de 
operações policiais em comunidades, exceto em "casos excepcionais". Ocorreram 
várias "excepcionalidades", porque foram 434 ações policiais até 8 de março, ou 
seja, uma média de 1,5 operação por dia.

Movimentos de comunidades realizaram um ato para ontem, 09 de junho, às 16h30min, 
na Rua Lins de Vasconcelos: "JUSTIÇA POR KATHLEN - CPX DO LINS QUER VIVER". No 
dia 11 de junho está marcado o "Segundo Ato Contra as Chacinas na Favelas", às 
17h no Palácio Guanabara, sede do governo do estado do Rio.

Para combater essa política racista e patriarcal de extermínio do povo preto, 
pobre e morador das favelas e periferias é necessário organizar as brigadas de 
autodefesa dos territórios e comunidades, resgatando as lutas históricas dos 
Panteras Negras. Ao mesmo tempo em que é imperativo construir uma Greve Geral 
Contra o Genocídio do Povo Negro!

https://lutafob.org/9040/


Mais informações acerca da lista A-infos-pt