(pt) Portugal, uniao libertaria: RESPOSTA AO REVISIONISMO HISTÓRICO DO PCP

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Quinta-Feira, 17 de Junho de 2021 - 09:14:00 CEST


Em defesa dos militantes antifascistas libertários face às tentativas de 
apagamento levadas a cabo pelo PCP ---- Texto do PCP: https://www.pcp.pt/100anos 
---- É histórica a tendência dentro do movimento operário de se realizarem 
ataques a outras correntes comunistas e socialistas dentro do mesmo. Existiu ao 
longo do último século particularmente uma luta pela hegemonia dentro do 
movimento, sempre à custa da vontade de milhares de operários. Nós reconhecemos 
isso com plena sobriedade. Contudo cremos existirem limites para a mesquinhice e 
a desonestidade intelectual a roçar a falta de respeito para com os milhares de 
operários que resistiram à ditadura dentro e através da CGT. Nós não temos 
qualquer interesse em lutar por uma hegemonia fictícia do que foi um movimento de 
massas, e não de ideologias ao contrário do que alguns parecem querer fazer. 
Depois do centenário do PCP os camaradas decidiram, e bem, escrever alguns textos 
a descrever o que foram então estes 100 anos de luta. Contudo, as heranças 
stalinistas parecem teimar em não desaparecer desde os anos da criação do partido 
e sendo assim, mais importante do que descrever a verdade e os factos da época, 
assistimos a uma tentativa falaciosa de pintar uma imagem de que só com a criação 
do PCP a classe operária portuguesa obteve uma "correcta posição de classe".

O primeiro pedaço de revisionismo histórico aparece sob este rico parágrafo - 
rico, entenda-se por absurdo:

"Mas apesar da luta dos trabalhadores e do esforço do PCP, a CGT, dominada pelos 
anarco-sindicalistas e em perda de influência, recusa a tentativa do Partido de 
criar uma frente de unidade contra o fascismo, que acaba por cair por terra".

Acrescentam ainda que:

"No começo de 1924, o PCP, defendendo a necessidade de uma sólida unidade de 
acção dos trabalhadores perante o perigo que avançava, tenta estabelecer com a 
CGT uma frente de unidade sindical contra o fascismo. Chega a realizar-se uma 
reunião com esse fim, mas a tentativa falha devido às posições anticomunistas dos 
anarco-sindicalistas, que dominam a CGT. Em 1925 o Partido participa nas eleições 
parlamentares formando um bloco com as chamadas forças democráticas de esquerda."

Ficam por esclarecer que posições anticomunistas teriam os anarcossindicalistas 
da CGT, tendo em conta que estes eram na sua esmagadora maioria, comunistas. Se 
os autores do texto se tivessem dado ao trabalho de ler as atas dos Congressos, 
quer da CGT, quer das Juventudes Sindicalistas, teriam descoberto que ambas as 
organizações tinham como objetivo a socialização dos meios de produção pelos 
próprios trabalhadores e o comunismo libertário. A CGT nunca recusou lutar com 
outras fações antifascistas, como veio a acontecer nos anos do reviralhismo com 
os republicanos e na greve de 18 de janeiro de 1934 com os socialistas e 
comunistas. Recusou apenas submeter-se à direção de um partido político que 
provocou uma cisão no movimento sindical ao fundar a ISV, enfraquecendo a unidade 
sindical que mais tarde acusam os anarcossindicalistas de sabotar. A CGT também 
nunca baixou as armas, continuando a organizar greves contra o fascismo, a 
publicar clandestinamente as edições do jornal A Batalha, a procurar organizar 
revoltas com os republicanos antifascistas que sempre recusaram fornecer armas 
aos operários e ao continuar as suas ações de propaganda e sindicalização de mais 
trabalhadores. A CGT já alertava para a ameaça do fascismo para a classe 
trabalhadora desde 1924, mas não tinha intenções de se unir a um PCP que investia 
no parlamentarismo e que tinha provocado a desordem na organização do operariado 
e das Juventudes Sindicalistas. De facto, esta é mais uma das heranças históricas 
do partido comunista que teima em guiar o proletariado por caminhos legalistas, 
reformistas e parlamentaristas. Tal como os camaradas da CGT a nossa conceção de 
sindicalismo revolucionário não se coaduna com as leis que o Estado burguês impõe 
aos sindicatos, vendo-se assim os mesmos forçados a enveredar por caminhos de 
"colaboração de classe".

O texto continua, desta vez afirmando que:

"Em 1929, o PCP começa a organizar-se nas condições de clandestinidade que lhe 
são impostas. Bento Gonçalves, jovem operário do Arsenal, activista sindical, vai 
ter um papel decisivo no combate às concepções anarquistas, na ligação do Partido 
à classe operária, na sua transformação num partido de tipo leninista. Criam-se 
organizações partidárias e de massas, desenvolve-se uma diversificada imprensa 
clandestina. Multiplicam-se as lutas contra a exploração, a fome, o desemprego e 
o fascismo, desenvolve-se o movimento de solidariedade. No centro de todo este 
esforço está o PCP, que ganha definitivamente a confiança da classe operária, 
torna-se a sua força política dirigente e o partido fundamental da resistência 
antifascista."

Na verdade, até ao final dos anos 30 a classe operária continuou a estar 
maioritariamente organizada na CGT e os anarquistas continuaram a ser a principal 
força antifascista em Portugal. O PCP não ganharia tal confiança da parte da 
classe trabalhadora até aos anos 40. Contudo, não nos espanta que um partido que 
foi desde cedo hostil e combativo para com a CGT antes de o ser com as tais 
"forças democráticas de esquerda" de que tanto se orgulham ter militado com, 
queira agora passados 100 anos apagar o papel dos anarcossindicalistas 
portugueses que de forma brava e combativa resistiram aos primeiros anos da 
ditadura recorrendo a todo e qualquer meio, e não se prendendo com impasses do 
foro legal.

Mais abaixo encontramos mais uma pérola revisionista, digna dos comportamentos de 
um qualquer fascista apelando à união do "povo lusitano":

"Combatendo as tendências para a colaboração de classes e o anarco-sindicalismo, 
lutando incansavelmente pelas reivindicações económicas dos trabalhadores, o 
Partido procura activamente a unidade da classe operária. Entre os resultados 
desta intensa actividade contam-se a condução de greves e lutas contra o 
desemprego e a reorganização dos sindicatos mais importantes."

A contradição entre procurar unidade da classe operária e combater o 
anarco-sindicalismo, criando a Intersindical que dividiu essa mesma classe 
operária, anteriormente unida na CGT. É particularmente hipócrita ver os 
mandatários da III Internacional e da ISV reclamarem por falta de unidade quando 
era sabido que a criação do PCP tinha sido uma tentativa de desunir o movimento 
operário português sob o pretexto de "posições corretas de classe" e de "combater 
os traidores de classe" antes de combater o fascismo. Não espanta que a CGT tenha 
perdido a sua influência e força já que, se por um lado se ia destruindo por 
dentro devido a cisões no movimento anarcossindicalista, que nós lembramos com 
pena, também tinha de lidar com ataques e tentativas de sabotagem de supostos 
camaradas. O texto avança, desta vez para um ponto que é provavelmente o mais 
engraçado tanto quanto hipócrita por parte daqueles que se dizem ser os herdeiros 
de Bento Gonçalves:

"A 18 de Janeiro de 1934 desenvolve-se em vários pontos do país uma greve de 
características insurrecionais. Tinha entrado em vigor o Estatuto do Trabalho 
Nacional (inspirado na Carta Del Lavoro de Mussolini), que decretava a 
ilegalização dos sindicatos livres. A classe operária reage de imediato. Estas 
manifestações e ações grevistas tiveram lugar um pouco por todo o país mas é na 
Marinha Grande que estas ações alcançam maiores proporções (34). A partir de 18 
de Janeiro, o PCP afirmar-se-á definitivamente como o partido da classe operária, 
como o grande dinamizador da luta antifascista. Nota de rodapé - A greve, ainda 
influenciada pelo anarco-sindicalismo, desenvolve-se com características 
insurreccionais um pouco por todo o país, mas atinge maiores proporções na 
Marinha Grande."

Apesar de o PCP hoje relembrar o 18 de janeiro de 1934 positivamente, não 
esquecemos que quando a CGT procurou unir os sindicatos e planear conjuntamente a 
greve, o PCP recusou participar na mesma. Bento Gonçalves afirma "«Colocámo-nos 
no terreno da utilização das condições legais. Qualquer forma de luta ilegal 
ainda aí nem sequer era frisada, nem mesmo subentendidamente. Dizíamos, em 
substância, que os sindicatos ainda se regiam pelo velho alvará. Era portanto 
necessário lutar sobre essa base. Convocar reuniões de assembleias gerais com o 
fim de levar os trabalhadores a votar contra o Estatuto do Trabalho Nacional. O 
que era preciso patentear bem alto e bem publicamente que os trabalhadores 
estavam contra a fascização dos Sindicatos, que continuavam a dispor do direito 
de organização independente» O Partido pretendia combater o fascismo pelo 
legalismo e so viria a aceitar participar na greve após a Intersindical o ter 
feito primeiro, contra a posição do PCP. No entanto, recusa-se a planear e 
coordenar as suas açoes com os outros sindicatos, impedindo a organização de uma 
frente unida. Bento Gonçalves viria a descrever a greve como sendo uma 
"anarqueirada". Não querendo ignorar as culpas da CGT no falhanço da greve, o 
Partido Comunista tudo fez para a prejudicar. Explodiu uma bomba no dia 17 que 
alertou as autoridades, rejeitou planear a greve em conjunto e recusou adiar a 
greve, algo que a CGT tinha pedido visto não estarem totalmente preparados no dia 18.

Portanto, é na Marinha Grande, povoado com cerca de 9000 mil habitantes e 2000 
mil operários vidreiros, que a greve atinge maiores proporções. Apesar de ter 
envolvido muito menos trabalhadores do que em outras localidades, tais como 
Silves e Almada onde os anarcossindicalistas eram hegemónicos. Apesar de so ter 
estado sob controlo dos trabalhadores durante cerca de 1 hora e de por volta das 
9 da manha a greve ter sido completamente derrotada. A imprensa avança que apenas 
200 trabalhadores teriam participado na greve, uma clara minoria, o que 
explicaria o baixo número de feridos e a rápida desistência dos grevistas. Os 
comunistas do PCP estavam de facto em maioria na Marinha Grande e só por isso se 
explica que o partido sobrevalorize o que lá se passou. Em contrapartida, e 
voltando aos exemplos de Silves e Almada, muitos mais trabalhadores foram 
movimentados pelos anarcossindicalistas. Milhares aderem à greve em Almada e esta 
mantém-se durante todo o dia 18 e parcialmente no dia 19. Em Silves, a greve foi 
também geral durante todo o dia 18 e parcial durantes os dias 19 e 20. Estes 
exemplos bastam para revelar a incapacidade do PCP mobilizar os trabalhadores e o 
verdadeiro impacto que a greve teve nas zonas de maior influência 
anarcossindicalista.

Por último, aquele que consideramos ser o mais desonesto, revisionista e uma 
clara falta de respeito para os milhares de homens e mulheres da CGT que 
resistiram ao fascismo na sua fase inicial dando a sua própria vida:

"De todos os partidos políticos existentes à data da instauração do fascismo, o 
Partido Comunista Português foi o único que soube resistir e forjar-se na luta. 
Nota de rodapé - Anarquistas e socialistas depuseram as armas e desapareceram de 
cena."

Na nossa conceção da realidade este tipo de comentários mereceriam ser alvo de 
chacota não fosse o respeito que temos à memória histórica de todo e qualquer ser 
humano que tenha resistido ao fascismo através da luta armada ou sindical. 
Resta-nos ficar, mais uma vez, naquilo que se tem tornado repetitivo no 
desenvolver do Partido Comunista Português, estupefactos com a atitude 
estritamente tribal com que abordam o tema do fascismo em Portugal, a sua criação 
e institucionalização, em luta por uma hegemonia fictícia daquele que foi um 
movimento levado a cabo por anarcossindicalistas, comunistas, socialistas, 
republicanos e mesmo democratas. Não esquecemos as lutas internas dentro do 
movimento antifascista que permitiram à ditadura causar o caos na década de 30, 
muito por culpa daqueles que juravam a pés juntos representar a união da classe 
operária. Que um partido como o PCP ande ainda à deriva entre as suas heranças do 
tempo do 
stalinishttp://uniaolibertaria.pt/resposta-ao-revisionismo-historico-do-pcp/mo 
por um lado, e as heranças do eurocomunismo do PCF agora acenando a bandeira da 
democracia avançada não nos surpreende. O que nos surpreende é a facilidade e o 
desdém com que os seus militantes possam escrever esta quantidade insultuosa de 
revisionismo histórico, calúnias e lixo

http://uniaolibertaria.pt/resposta-ao-revisionismo-historico-do-pcp/


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