(pt) luta fob: Como construir um Sindicato Autônomo

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Quarta-Feira, 16 de Junho de 2021 - 08:25:43 CEST


Essa cartilha não é uma receita mágica ou acabada para a construção de uma 
organização sindicalista revolucionária. Aqui os camaradas encontrarão algumas 
informações sobre a história da FOB (Federação das Organizações Sindicalistas 
Revolucionárias do Brasil), métodos de trabalho de base, resolução e prevenção de 
problemas, formas de organizar um sindicato, formas de organizar a resistência e 
a luta, dentre outras. Esperamos que ela seja um instrumento a mais na longa 
caminhada de reorganização da nossa classe. ---- Essa cartilha é voltada 
principalmente para onde o sindicalismo revolucionário está iniciando. Aqui 
partimos do princípio de que "onde há opressão, também há resistência". A luta e 
a organização popular podem ser desenvolvidas em todos os setores e realidades. O 
militante revolucionário sempre se opõe a uma opressão real, não atua por 
conveniências ou facilidades. A história da classe trabalhadora demonstra que a 
luta coletiva nos contextos mais difíceis (em regimes de escravidão, ditaduras, 
com jornadas de trabalho excessivas, etc.) foram essenciais para o povo 
conquistar direitos.

O militante, consciente de sua missão histórica e estratégica, nunca deve admitir 
que a luta é impossível. Não deve pretender lutar sozinho, mas sozinho ou com 
poucas pessoas é possível iniciar e, com paciência e persistência, desenvolver 
grandes movimentos.

Esta cartilha é voltada aos operários, desempregados, donas de casa, catadores, 
terceirizados, camponeses, estudantes, indígenas, professores, favelados, dentre 
várias outras condições de trabalho e de vida que se encontra o nosso povo. Ainda 
que seja impossível abarcar aqui toda essa diversidade de situações, e, ainda que 
o conteúdo dessa cartilha seja limitado pelas experiências que ela se baseia, a 
verdadeira superação desse problema só acontecerá de fato com a filiação de 
setores cada vez mais plurais para o sindicalismo revolucionário, e que eles 
próprios façam suas vozes e demandas serem ouvidas dentro da grande federação e 
da luta comum.

É necessário romper já com a tradição de sindicalismo socialdemocrata e 
conservador que paralisa e boicota as lutas populares em troca de votos e 
privilégios. Mas também é importante compreender que no Brasil apenas 10,6 
milhões (11,2%) da classe trabalhadora é sindicalizada (IBGE, 2020). Assim, a 
lutas dos trabalhadores não pode ser resumida ao sindicalismo oficial e existe 
uma massa de trabalhadoras e trabalhadores fora destas entidades com os quais 
devemos nos organizar.

O nosso povo desenvolveu durante uma longa experiência coletiva formas de 
resistência para defender suas condições de vida, seu bem estar e seus direitos. 
Por isso, o militante revolucionário nunca parte do zero, ele também incorpora 
essas várias expressões seculares de resistência popular buscando fortalecê-las 
com uma nova estratégia e programa, o sindicalismo revolucionário.

A indignação individual é fundamental, mas ela só terá força de contestação real 
se estiver organizada em coletivo; e sua força será tão maior quanto se 
transformar em organização e ação de massas. Com o passar do tempo o isolamento 
só leva a frustração, a acomodação e ao medo, e o sistema é quem ganha. O 
problema também está naqueles que sabem disso e nada fazem.

Infelizmente, muitas iniciativas de grupos autônomos e combativos no Brasil são 
meramente locais, não se lançam a tarefa de nacionalização ou massificação local, 
interpretam a ação direta como mera "violência pontual", morrem por desagregação 
interna sem deixar grandes legados ou aparecem apenas nos momentos de ascensão 
das lutas, sempre reativos à conjuntura, mas sem determiná-la por sua ação criadora.

Essa cartilha serve para inspirar a todos que decidiram romper a apatia e as 
formas limitadas de resistência e partir para a ação e organização revolucionária 
das massas trabalhadoras em todo Brasil.

Boa leitura!

https://lutafob.org/8997/


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