(pt) OASL: 104 anos do assassinato do sapateiro Martinez. Viva a greve de 1917!

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Quarta-Feira, 14 de Julho de 2021 - 10:48:59 CEST


Lembramos o 9 de Julho não como a data de uma guerra dirigida pelas elites, como 
marca o calendário oficial do estado de São Paulo, mas como uma data de luta das 
classes oprimidas contra a exploração dos patrões e a brutalidade da repressão 
estatal. Em 9 de Julho de 1917, o sapateiro anarquista José Ineguez Martinez, do 
grupo Jovens Incansáveis, era assassinado pela polícia em uma manifestação que 
exigia condições dignas de trabalho. A resposta ao crime foi uma mobilização 
ainda maior da classe trabalhadora, na maior greve geral que esse país já viu. 
---- O sapateiro Martinez tinha apenas 21 anos, era de origem espanhola, e ligado 
às organizações sindicalistas revolucionárias da época, estratégia anarquista 
para o movimento popular daquele momento. Naquele 9 de julho, ele participava de 
um protesto na porta da fábrica Mariângela, no Brás, quando o ato foi atacado 
pela cavalaria da polícia. O trabalhador foi atingido com um tiro no estômago, 
levado para a Santa Casa, mas morreu no mesmo dia. Em 11 de julho acontecia seu 
funeral, no Cemitério do Araçá, que havia sido convocado na véspera pelos jornais 
operários como uma grande manifestação. O anarquista Edgard Leuenroth relata como 
aconteceu:
"O enterro dessa vítima da reação foi uma das mais impressionantes demonstrações 
populares até então verificadas em São Paulo. Partindo o féretro da Rua Caetano 
Pinto, no Brás, estendeu-se o cortejo, como um oceano humano, por toda a avenida 
Rangel Pestana até a então Ladeira do Carmo em caminho da Cidade, sob um silêncio 
impressionante, que assumiu o aspecto de uma advertência. Foram percorridas as 
principais ruas do centro. Debalde a polícia cercava os encontros de ruas. A 
multidão ia rompendo todos os cordões, prosseguindo sua impetuosa marca até o 
cemitério. À beira da sepultura revezaram os oradores, em indignadas 
manifestações de repulsa à reação. No regresso do cemitério, uma parte da 
multidão reuniu-se em comício na Praça da Sé; a outra parte desceu para o Brás, 
até à rua Caetano Pinto, onde, em frente à casa da família do operário 
assassinado, foi realizado outro comício."
Iniciada por mulheres trabalhadoras, que tiveram grande protagonismo, a greve se 
espalhou rapidamente por toda a cidade, e estima-se que chegou a ter a adesão de 
100 mil trabalhadores, em um processo que colocou de joelhos as classes 
dominantes. A greve geral foi encerrada em 16 de julho, depois de obter 
compromissos como aumento salarial, redução do preço dos alimentos, e medidas 
para impedir o trabalho de crianças e o trabalho noturno das mulheres. A 
mobilização em São Paulo, somada à força do sindicalismo revolucionário no país e 
às notícias da Revolução de Fevereiro, na Rússia, influenciou grandes greves e 
processos insurrecionais em outros estados, como Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.
Nesse processo de reconstrução do vetor social do anarquismo no país, trabalhado 
pela OASL e pelas demais organizações especifistas da Coordenação Anarquista 
Brasileira, resgatamos a memória da Greve Geral de 1917 como um momento em que o 
povo oprimido, desde baixo, lutou bravamente por melhores condições de vida, e 
com uma perspectiva revolucionária fez manifestações massivas contra as classes 
dominantes, vislumbrando um mundo novo. Pela memória de José Martinez e das 
dezenas de milhares de trabalhadores e trabalhadoras que protagonizaram aquela 
greve, prestamos homenagem!
JOSÉ INEGUEZ MARTINEZ, PRESENTE!
VIVA A GREVE GERAL DE 1917! VIVA A CLASSE TRABALHADORA!
Organização Anarquista Socialismo Libertário
9 de Julho de 2021

https://www.facebook.com/anarquismosp/posts/1818558501664115


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