(pt) Resistência é vida: nova etapa de luta e organização By A.N.A.

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Sexta-Feira, 9 de Julho de 2021 - 08:11:31 CEST


Nos dirigimos aos nossos apoiadores e simpatizantes, aos coletivos, organizações 
e movimentos combativos com os quais mantemos relações fraternas e contatos, 
assim como, às lutadoras e lutadores sinceros e comprometidos com a causa do povo 
e da libertação para comunicar sobre nossa nova etapa de luta revolucionária e 
organização popular. ---- Após mais de 12 anos de existência da Casa da 
Resistência, passando por diversas etapas organizativas, decidimos dar um passo à 
frente, iniciando o processo de construção do Movimento de Unidade Popular, o 
MUP, uma organização do povo em luta baseada na ação direta, na autogestão e na 
autodefesa popular. Um movimento popular combativo e revolucionário para 
organizar a partir dos territórios, do trabalho comunitário e da economia 
popular, das ocupações e acampamentos, dos locais de trabalho e de estudo, dos 
comitês populares e núcleos de base nos bairros pobres e favelas, da cultura e da 
educação popular nas áreas urbanas e rurais o povo pobre e trabalhador para as 
lutas de libertação e a revolução social.

A Casa da Resistência deixa de assumir, portanto, o caráter que acumulava nesses 
últimos anos também como organização popular, passando a desenvolver seus 
projetos e atividades apenas como centro de cultura e sede do Movimento de 
Unidade Popular na Bahia, com o Comitê de Solidariedade Popular - Feira de 
Santana se dissolvendo dentro do novo movimento, para o qual nos dedicaremos nos 
próximos 2 anos à primeira etapa de construção organizacional e programática.

Nessa nova etapa também nos desligamos da FOB, federação nacional na qual 
iniciamos um processo de participação a partir de 2017, e que após esses anos de 
construção, avanços, recuos e disputas internas, avaliamos que se esgotou como 
espaço organizativo e que as diversas contradições que impedem a federação de 
avançar não podem ser superadas. Apesar de apontar, desde a realização do II 
ENOPES, para uma transição de construção da FOB como uma organização de massas, 
proletária e revolucionária, os setores hegemônicos na federação limitaram seu 
funcionamento através do burocratismo ou do "assembleismo universitário" à uma 
incapacidade crônica em avançar em um programa popular e revolucionário capaz de 
atrair e produzir identificação com o povo pobre e trabalhador, produzindo um 
incontável número de querelas internas, desvios, reproduções do ativismo liberal 
e degenerações próprias da pequena-burguesia universitária, além de uma leitura 
quadrada e deslocada da realidade brasileira sobre a "reconstrução do 
sindicalismo revolucionário" no país.

Apesar de participarmos da coordenação nacional da FOB ativamente nos últimos 2 
anos e produzir ou colaborar em boa parte do material nacional público, 
reconhecendo também seus avanços, diversidade e as próprias limitações atuais 
causadas pela pandemia de Covid-19, estamos convencidos de que a condição 
pequeno-burguesa de boa parte de sua militância que limita a federação a 
mobilizar e atrair quase que exclusivamente um pequeno setor universitário ou do 
serviço público, fizeram de nossa participação nesse espaço inviável e 
desnecessária, criando entraves para a construção de base nos bairros pobres, 
favelas, ocupações urbanas e lutas populares que temos desenvolvido nos últimos 
anos no interior da Bahia.

Damos início também a um novo projeto de comunicação militante, com a refundação 
do jornal Ação Direta, histórico periódico anarquista fundando por José Oiticica, 
que iremos impulsionar agora como uma agência de comunicação popular e 
revolucionária, jornal impresso e mídias integradas, além de instrumento para a 
formação política e militante a partir de uma perspectiva socialista, libertária 
e anticolonial.

Encaramos essas novas tarefas como nosso dever histórico, e convidamos todas e 
todos os lutadores do povo que tem a Casa da Resistência como referencial 
político e militante para se somarem nessa construção. Diante do avanço da 
barbárie neofascista, do genocídio de nosso povo, do massacre permanente da 
maioria negra e favelada, da situação de miséria e violência contra nossa gente 
na cidade e no campo, acreditamos que é necessário consolidar novos instrumentos 
para organizar as lutas concretas pelos direitos e em defesa da vida, rejeitando 
as ilusões domesticadas e reformistas e construindo a partir da quilombagem e dos 
organismos de poder do povo o caminho para a guerra revolucionária de libertação 
popular contra o Estado capitalista e racista, a burguesia e os inimigos do povo, 
partindo de uma estratégia socialista, revolucionária e favelada.

RESISTÊNCIA É VIDA!
O POVO VENCERÁ!
Casa da Resistência - Centro de Cultura e Luta

Julho de 2021, Bahia - Brasil.

agência de notícias anarquistas-ana


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