(pt) Construção do sindicalismo revolucionário no Rio Grande do Norte(Colectivo Autonomo Lima Barreto) By A.N.A. (ca, en, it)

a-infos-pt ainfos.ca a-infos-pt ainfos.ca
Domingo, 3 de Janeiro de 2021 - 08:54:33 CET


O atual problema político do Brasil e do mundo reside na colonização do 
imaginário organizativo. Este estando dominado pelos limites da Social 
Democracia, ou linhas conservadoras como "alternativa" e vícios inerentes destas, 
a saber: economicismo (no campo SD), apoliticismo (no campo conservador), 
programas imediatistas e finalistas, "pragmatismo" e idealismo. O economicismo 
executa uma separação simplista entre economia e política, como se meras reformas 
de pessoas na administração da última solucionassem as questões de desigualdade 
de classes da primeira. O apoliticismo conservador tenta organizar a classe 
trabalhadora por categoria para negociações diretas com o patronato, afirmando 
não caber à classe envolvimento político. Os programas imediatistas apregoam 
vitórias em conquistas de categorias específicas de ramos trabalhistas, gerando 
uma alienação do problema de classe como um todo. Os programas finalistas advogam 
que as mudanças, na realidade social, só são executáveis por um partido ou 
governo por via eleitoral, mantendo a "luta" no campo do jogo burguês. O 
"pragmatismo" defende uma pseudo-objetividade via disputas de ganhos salariais em 
negociações de gabinetes, relegando a segundo plano ações diretas de organizações 
de classe (ou ignorando-as completamente). O idealismo nega a luta econômica em 
detrimento a um programa partidário, a relação com as classes fica alienada e as 
organizações passam a ser meros palanques de disputas pelas direções 
burocratizadas. É imperativo a identificação com a causa de classe ampliada, seja 
esta econômica (explorados), étnica, de gênero ou orientação sexual, de modo a 
criar laços de solidariedade e apoio mútuo, via uma organização que identifique 
sem mediações a fonte das opressões de todas essas categorias, numa proposta de 
eliminá-las pela força de revoluções de seus paradigmas associativos. Na mudança 
das formas de nos associarmos e nos organizarmos, podemos revolucionar nossas 
condições de vida.

Para tanto, acreditamos que os métodos do Sindicalismo Revolucionário, 
trabalhados e aperfeiçoados pela Federação das Organizações Sindicalistas 
Revolucionárias do Brasil (FOB), são as ferramentas necessárias para dar coesão, 
objetividade, força e combatividade a uma luta de classes cada vez mais pautada e 
focada na ação direta pelas bases, segundo princípios de solidariedade de classes 
e apoio mútuo que podem trazer ganhos efetivos às populações mais vulneráveis, a 
saber, as pessoas pretas de periferias, os povos indígenas e quilombolas, os 
ribeirinhos das praias, dos rios e dos lagos, à comunidade LGBTQIA+, aos 
subempregados, à população em condições de habitação de ruas e das populações 
carcerárias vitimadas nos calabouços do Estado, assim como acreditamos que essas 
metodologias combativas de ações diretas são, em si mesmas, pedagógicas e trazem 
à consciência o gosto pela emancipação via a experimentação de processos de luta 
organizados autonomamente.

Também cremos que os métodos de Democracia Direta pelas bases associativas, de 
ação direta (como a greve geral), devolve às bases o protagonismo da organização 
e das lutas, constituindo um importante empecilho e impedimento das práticas 
autopromocionais de pseudo lideranças que queiram nos guiar via algum 
vanguardismo que saberia melhor do que o povo o que seria melhor para este povo, 
sendo um contraponto orgânico ao parlamentarismo eleitoral da esquerda 
institucional. Sendo uma eficaz metodologia ao combate contra o Capitalismo local 
e internacional tanto quanto ao Estado e suas instituições alienantes das 
potências populares.

Avaliamos que o atual contexto mundial de pandemia agrava ainda mais as 
desigualdades sociais e aprofundam os efeitos negativos aos mais vulneráveis em 
favor do enriquecimento e aumento de poder das elites minoritárias. Fato este que 
fica evidenciado pelo aumento e escalada de violências domésticas contra as 
mulheres e do número de feminicídios, o racismo estrutural e institucional contra 
as pessoas pretas de periferias e a escalada do fascismo nacional e 
internacionalmente. Entendemos também que a pandemia escancarou as injustiças do 
sistema totalitário da mercadoria que impera no mundo. As classes privilegiadas, 
na ânsia de se manterem em tal posição, conseguem pressionar os Governos (que no 
mundo todo existem para salvaguardar seus privilégios) para salvar a economia às 
custas das vidas dos que geram sua riqueza, o trabalhador que têm seu tempo de 
existência roubado para produzir a desigualdade que o oprime, em troca de 
salários insuficientes a uma vida digna. O oprimido fica preso nessa condição 
pelo triplo roubo que sofre, a saber, do excedente que produz (pela mais valia), 
do seu tempo de vida (gasto na produção) e pelo consumo (ideologicamente 
induzido). No Brasil as táticas aplicadas para alcançar esse objetivo agem em 
várias frentes: o atraso no pagamento dos auxílios emergenciais (por parte do 
governo), a campanha "Solidariedade/ SA" (dando uma falsa impressão de humanidade 
ao sistema), que cega o oprimido em relação ao quanto o mesmo alcança quando se 
auto-organiza (prática que têm sido a verdadeira salvação do povo, mas que é, a 
cada dia, mais silenciada pelos canais de mídia hegemônicos) e a privatização de 
recursos essenciais à vida (como a recente privatização da água). Tudo isso 
contribui para um totalitarismo das formas de organização social, sustentado com 
a vida dos explorados. Entendemos que o trabalho de base, proposto e apontado, 
pelo Sindicalismo Revolucionário são métodos mais pertinentes ao bem viver dos 
seres humanos e não humanos do campo e da cidade, principalmente quando 
comparados às medidas administrativas adotadas por gestores dos mais variados 
níveis, municipais, estaduais ou Federal, que usaram de tal contexto para passar 
suas "boiadas" e projetos de destruição da economia, meio ambiente, seguridade 
social, educação pública e aposentadoria (previdência).

O núcleo que dá início às atividades da FOB no RN, tem uma experiência em 
organizações libertárias, autônomas, independentes e horizontalizadas que remonta 
ao surgimento do Movimento Passe Livre (MPL) na cidade de Natal (em 2005), e vêm 
adquirindo uma larga experiência na luta pelo direito à cidade, na luta contra as 
tarifas que executam a exclusão classista do povo à cultura, lazer e educação, o 
grupo esteve também diretamente envolvido nas lutas radicalizadas que impediram o 
aumento de tarifa dos ônibus urbanos por três anos consecutivos, 2011; 2012 e 
2013, revolta popular que se inicia na luta contra a gestão corrupta e degradante 
da ex prefeita Micarla de Souza (PV) e evolui para a luta tarifária. Bem como 
esteve na luta contra a "PEC do Fim do Mundo", em ocupações de ambientes 
escolares em 2016, e foi para a caravana em Brasília em Novembro daquele mesmo 
ano, para lutar contra o teto dos gastos, e também vêm lutando contra o governo 
Bolsonaro/Mourão e sua política de desmonte da educação pública de qualidade, 
regularmente organizados desde o ano passado. Dada essa longa trajetória 
percebemos que o eventualismo, depender do aprofundamento de condições de vida 
degradantes para se radicalizar as lutas, não é benéfico para a construção da 
luta prolongada e efetiva, tanto quanto o ativismo, que é intermitente e 
incipiente, também se mostra um problema para o avanço das lutas e emancipação 
política dos mais vulneráveis, portanto defendemos a organização pelos métodos do 
Sindicalismo Revolucionário.

Faz-se necessário a ampliação da prática de apoio mútuo dos que vivem essa 
condição de explorados, através da articulação efetiva de redes de comunicação e 
trocas (materiais e técnicas) que envolvam as mais variadas iniciativas de 
solidariedade entre, por e para os de baixo. A troca e popularização de saberes 
fundamentais à vida, como a produção de alimentos, moradia, manutenção da saúde 
(física e mental), de geração de energia limpa, por exemplo, quando somadas a 
estas redes de solidariedade e apoio mútuo, são gestos emancipadores e que 
ampliam a liberdade social e a organização popular. Para que não dependamos de 
gestores profissionais que apenas aliviam as pressões do (e no) sistema? Greve 
selvagem e autogestão generalizada.

Só o povo salva o povo!

agência de notícias anarquistas-ana


Mais informações acerca da lista A-infos-pt