(pt) anarkismo.net: O estúpido argumento do "Choque de Civilizações" como justificativa imperialista: origens modernas by BrunoL (ca, de, en, it)[traduccion automatica]

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Terça-Feira, 16 de Fevereiro de 2021 - 08:24:53 CET


É cada vez mais comum observarmos, no ocidente, argumentos supostamente 
"filosóficos" de base "mística", em que a "tradição" reinventada (ou imaginária) 
supera as formações concretas das sociedades reais e confunde a parcelas 
importantes da opinião pública e das sociedades civis de países inteiros. ---- A 
estupidez dos "red necks" se soma à manipulação grosseira das legiões eleitoras 
do cinturão bíblico e as distintas formas de conservantismo que defendem, de 
maneira incondicional, o Apartheid israelense e a presença dos Estados Unidos no 
Grande Oriente Médio. ---- Bruno Beaklini - artigo originalmente publicado no 
Monitor do Oriente Médio ----É cada vez mais comum observarmos, no ocidente, 
argumentos supostamente "filosóficos" de base "mística", em que a "tradição" 
reinventada (ou imaginária) supera as formações concretas das sociedades reais e 
confunde a parcelas importantes da opinião pública e das sociedades civis de 
países inteiros. O trumpismo, na matriz do Império, não inventou a maior parte 
das demências da extrema-direita, mas as canalizou, impulsionando-as na 
imaginação de uma América "pura", composta por herdeiros de "puritanos 
peregrinos" 
(https://www.uol.com.br/universa/colunas/maria-carolina-trevisan/2020/10/02/trump-nao-condenou-supremacistas-brancos-e-mandou-recados-a-extremistas.htm). 
A estupidez dos "red necks" se soma à manipulação grosseira das legiões eleitoras 
do cinturão bíblico e as distintas formas de conservantismo que defendem, de 
maneira incondicional, o Apartheid israelense e a presença dos Estados Unidos no 
Grande Oriente Médio. As origens recentes do argumento de defesa da "civilização 
judaico-cristã" se mesclam com a prepotência imperialista no Mundo Árabe, com a 
islamofobia e até com o moderno antissemitismo. Neste artigo e nos seguintes 
faremos o debate aportando uma contribuição para o desmonte dessas mentiras.
O "vazio do ocidente"
Desde o final da Guerra Fria existe um "vazio" no ocidente 
(https://www.facebook.com/monitordooriente/videos/848668545930550). A disputa que 
culminou com a vitória dos Estados Unidos, seus aliados estratégicos (os países 
anglo-saxões) e os Estados membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte 
(OTAN, NATO na sigla em inglês), teria estabelecido um parâmetro de "uma 
civilização universal" por sobre as demais. Quando o Império se denominava como 
"mundo livre", era a "liberdade de crer e empreender" que o bloco defendia, e 
demarcava o limite de matriz "civilizacional" possível de ser definido. Outra 
afirmação comum no Pós-Guerra e décadas seguintes vinha da "liberdade individual" 
como valor absoluto por cima das relações solidárias.
É pura bobagem a falsa contraposição entre liberdade individual e bem estar 
coletivo. Tal argumento opera apenas como uma justificativa para a real ausência 
de empatia em sociedades onde a correta afirmação de indivíduo e individualidade 
se confunde com individualismo e "salve-se quem puder". Esse vazio geraria uma 
sensação de, em primeiro momento, ter a necessidade de desenvolver uma tese de 
avanço civilizatório como contraponto à liberalização da economia e a integração 
forçada da globalização capitalista.
No segundo momento, no pós 11 de setembro de 2001 e concomitante ao avanço dos 
"emergentes", uma parcela mais extremada da direita eurocêntrica se viu diante de 
uma realidade 
(https://www.reuters.com/article/otan-china-atencao-idBRKBN28A26R-OBRWD?edition-redirect=uk). 
A Divisão Internacional do Trabalho (DIT), com a constante e progressiva migração 
da manufatura para o eixo Ásia-Pacífico, somada com a capacidade de criar 
excedentes de poder do Estado chinês, mais a retomada de controle dos recursos 
estratégicos pelo aparato de segurança da Rússia, criaram as condições para um 
desenvolvimento eurasiático impensável no início da década de 1990.
Rússia, Grã-Bretanha e EUA
No final da década de 1980 e início da seguinte, acompanhando a crise, decadência 
e a dilapidação do patrimônio público sob o controle estatal na antiga União 
Soviética (URSS) e seus países satélites, foi ascendendo uma pregação alucinada e 
irresponsável de "filósofos", como Alexander Dugin. O desespero tomando conta de 
uma sociedade, antes ordenada e com formas de controle coletivo, foi o 
combustível para que gente desse calibre pudesse fazer um idílio idealizado de 
base "protoariana", com a alcunha de "tradicionalismo" (não confundir com o 
tradicionalismo gaúcho, de outra origem e sem relação alguma com esse citado). 
Como agravantes, a primeira Guerra da Chechênia (1994-1996), os traumas da 
derrota na invasão ao Afeganistão e a geopolítica do Cáucaso ajudaram na pregação 
de tipo cruzado bizantina 
(https://dialogosdosul.operamundi.uol.com.br/brasil/59628/uma-breve-genealogia-da-era-da-sandice-que-assola-a-politica-brasileira) 
e, de fato, islamofóbica. Infelizmente, Dugin segue semeando uma legião de 
idiotas (confusos, perdidos e perigosos) que, de forma proposital ou 
involuntária, confundem suas posições com a política externa russa na Era Putin. 
Qualquer semelhança com a demência cínica de Steve Bannon e Olavo de Carvalho não 
são coincidência 
(https://www.monitordooriente.com/20200506-bandeiras-de-israel-nos-atos-da-extrema-direita-um-debate-de-fundo/).
Enquanto a "Trindade Maldita" (FMI, Banco Mundial e OMC) conforme a correta 
designação do economista sul-coreano Ha Joon Chang nada fazia para proteger as 
estruturas produtivas em sociedades com pleno emprego no Leste Europeu e ex-URSS, 
nos Estados Unidos e Grã Bretanha avançavam duas formas distintas dos temores da 
globalização. No Reino Unido (que não é objeto de debate desse artigo), os 
múltiplos herdeiros do degenerado Oswald Mosley 
(http://www.encontro2016.rj.anpuh.org/resources/anais/42/1470676707_ARQUIVO_Comunicacao-ANPUHRio2016-HateBritain.pdf) 
eram massa de manobra do Partido Conservador, com suas crenças realistas 
(loyalists) e desenvolvendo uma crescente xenofobia islamofóbica contra a 
imigração vinda do Sul da Ásia (perseguindo especialmente paquistaneses). A 
massificação desta forma da extrema direita britânica ratifica de forma diluída 
no Brexit (a saída do Reino Unido da União Europeia em referendo de novembro de 
2015), complementando as privatizações da Era Thatcher e a destruição do emprego 
formal, especialmente o industrial, nos territórios das ilhas sob a tutela britânica.
De comum com a estupidez "duginista", a defesa dos tempos de outrora e a ideia de 
"purificação cultural". Em termos materiais concretos, no período de pós-guerra 
até o governo conservador de Margareth Thatcher, realmente a Inglaterra e os 
países das ilhas sob o mesmo reino viveram uma situação de bem estar social (com 
metade do PIB inglês estando no mundo do trabalho) com exceção da província da 
Irlanda do Norte. Já a antiga União Soviética e seus países satélites atingiram 
uma excelente condição de distribuição de renda, embora não tenham realizado esse 
feito na garantia de direitos e poder político. O pleno emprego como direito 
universal deu uma sensação de estabilidade. A "nova era" trouxe insegurança, 
desemprego, desespero e milhões de pessoas ávidas pela manipulação grosseira e 
fantasiosa. A islamofobia moderna em território europeu (incluindo a parte 
europeia da Rússia) cresce muito neste período. A posição tanto anti-árabe como 
contra a libertação da Palestina já estavam arraigadas através do desserviço dos 
grupos midiáticos ocidentais.
A soma do pior dos mundos culmina com a invasão do Iraque no Kuwait com o aval da 
embaixada estadunidense em Bagdá. Armadilha pronta, o óbvio acontece. O Conselho 
de Segurança da ONU condena a aventura militar de um Saddam Hussein desesperado e 
decadente. Os EUA lideram uma coalizão financiada com promessas de contratos de 
exploração de petróleo e abundantes recursos sauditas. Na justificativa para a 
coalizão, o fato dos Estados Unidos também serem formados por "um povo do livro". 
A dinastia de Saud, além de apoiar o wahabismo sem pudor, também deu base para a 
pregação da aliança pentecostal sionista, reduto eleitoral do conservadorismo 
massificado em todo o continente americano.
A década de 1990 assistiu esse avanço de sistemas de crenças "tradicionais" em 
todas as suas versões. Hoje, o FBI anuncia o risco de terrorismo doméstico 
supremacista como principal ameaça à democracia e as eleições indiretas no país. 
A base eleitoral da extrema direita estadunidense só fez crescer nos últimos 
trinta anos, revelando o poder da falácia como forma de manipular as frustrações 
advindas da globalização capitalista. Como dissemos antes, Donald Trump, Steve 
Bannon e Robert Mercer (seus gurus da "guerra cultural") atualizaram a linguagem 
do ódio e delírio, impulsionando as "tradições" imaginárias com a típica ousadia 
de viciados em jogos de azar e donos de cassinos 
(https://istoe.com.br/steve-bannon-guru-da-extrema-direita-e-preso-por-fraude-2/).
Combater e desmontar o conjunto de bobagens massificadas na América Latina - 
justamente através da colonização cultural eurocêntrica - vai levar tempo e 
custar trabalho. Tal como a libertação da Palestina e a expulsão dos 
imperialistas do Grande Oriente Médio, trata-se de uma bandeira incondicional e 
irredutível.

Este artigo originalmente publicado no Monitor do Oriente Médio 
(www.monitordooriente.com)
Bruno Beaklini (Bruno Lima Rocha Beaklini), de origem árabe-brasileira, é 
cientista político, professor de relações internacionais e de jornalismo e 
colunista do Monitor do Oriente Médio. Contatos: Twitter @estanalise / email: 
blimarocha  gmail.com / https://www.facebook.com/blimarocha/ / 
www.estrategiaeanaliseblog.com / t.me/estrategiaeanalise (Telegram) e 
https://www.youtube.com/channel/UCweS5s_1c0AvbXe5_iXYjKA (canal do Youtube)

Crédito da foto: ANSA
Link da foto: 
https://istoe.com.br/steve-bannon-guru-da-extrema-direita-e-preso-por-fraude-2/

https://www.anarkismo.net/article/32162


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