(pt) [EUA] Anarquismo e a Revolução Negra: A vida extraordinária de Lorenzo Kom'boa Ervin Por William C. Anderson By A.N.A. (ca, de, en, fr, it)

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Quarta-Feira, 15 de Dezembro de 2021 - 09:22:25 CET


William C. Anderson relata a vida do anarquista Preto que sequestrou um avião 
para Cuba para escapar da perseguição política nas mãos do Estado americano, e 
que revolucionou o ativismo Preto para sempre. ---- A edição definitiva de 
Anarchism and the Black Revolution (Anarquismo e a Revolução Negra) já está à 
venda. ---- Não é um exagero dizer que Lorenzo Kom'boa Ervin mudou o mundo. 
Inúmeras pessoas foram afetadas e influenciadas por seu trabalho ao longo dos 
anos. Sua história é um testemunho às possibilidades extraordinárias que estão 
logo abaixo da superfície de muitos momentos passageiros de nossas vidas. A 
primeira publicação oficial deste livro lendário, Anarquismo e a Revolução Negra, 
é mais uma ocorrência monumental em uma vida que parece quase ser de cinema.

Lozenzo nasceu em 1947 na cidade de Chattanooga, no Tennessee, sua mãe era uma 
trabalhadora doméstica e seu pai motorista. Com ambos os pais à serviço dos mais 
ricos e brancos durante o apartheid da lei Jim Crow, não demorou muito tempo até 
Lorenzo interiormente entender os riscos de ser Preto.

Na sua juventude, Lorenzo entrou para o exército durante a Guerra do Vietnã onde 
ele se tornara um ativista antiguerra. Esse foi o primeiro ano em que as forças 
de combate dos EUA desembarcaram no solo de um país que ainda se recuperava de 
todo o dano causado pelas forças imperialistas. Ao mesmo tempo, nos EUA se 
desenrolava o Movimento dos Direitos Civis. A Lei dos Direitos de Voto era 
assinada naquele mesmo ano em que a polícia do Alabama assassinava manifestantes 
no "Domingo Sangrento" em Selma e atacava ativistas associados com o Comitê 
Coordenador Estudantil Não-Violento (SNCC). Essa organização de movimento 
histórico atrairia Lorenzo depois de seu ativismo antiguerra leva-lo à corte 
marcial para ser acusado e finalmente dispensado.

Lorenzo vendia o jornal dos Panteras Negras enquanto trabalhava com a SNCC, que 
tinha alianças com o partido. Ele eventualmente começou a trabalhar como membro 
do partido, porém mais tarde Lorenzo se decepcionaria com o estilo de liderança 
além de outros aspectos dos Panteras Negras. As circunstâncias então mudaram 
drasticamente logo após o assassinato de Martin Luther King Jr. Uma onda de 
rebeliões e protestos tomou o país, e como resultado, os oficiais do Estado do 
Tennessee convocaram grandes júris para investigar e punir ativistas pretos e 
grupos de direitos civis por acusações criminais. Acusado de contrabandear armas 
e ameaçar bombardear um juiz simpático a Ku Klux Klan, Lorenzo fugiu para 
Atlanta. Ele decidiu fugir de vez das acusações contra ele e sequestrou um avião 
para Cuba.

Na época da partida de Ervin, sequestrar aviões e fugir para Cuba era muito mais 
comum do que as pessoas pensam. Os casos em que Pretos radicais o fizeram eram as 
vezes romantizados, mas a experiência de Ervin destaca uma distinção importante. 
Logo após sua chegada, ele se juntou a outros sequestradores antes de finalmente 
serem presos e colocados em solitárias pelo governo de Cuba. O líder do Partido 
dos Panteras Negras Eldrige Cleaver (que já estava em Cuba) tinha uma relação 
desgastada com o governo cubano devido a desentendimentos contínuos. Os outros 
Panteras seriam afetados pela intensidade dessa situação que acabou levando 
Lorenzo a obter documentos de viagem antes de ser deportado para a Tchecoslováquia.

Sua experiência na Tchecoslováquia não foi muito melhor. Lá ele seria submetido a 
assédio e monitoramento por oficiais do governo antes de ser detido mais uma vez. 
Apesar dos esforços de Lorenzo em assegurar sua segurança e a solidariedade entre 
os universitários africanos com que ele se relacionou, ele ficou detido pelo 
consulado americano em Praga. Lorenzo fugiria de novo, desta vez para a Alemanha 
Oriental, que por sua vez, fazia parte do Bloco Leste durante a Guerra Fria. É 
neste momento em que ele é capturado por autoridades federais, que o mandariam de 
volta aos Estados Unidos após o torturarem na prisão.

No Centro de Detenção Federal em Nova Iorque, a vida de Lorenzo mudaria após o 
encontro com Martin Sostre, um advogado da prisão e Educador Radical Preto. Se 
Sostre sabia ou não, é mistério, mas seu encontro com Lorenzo afetaria as 
gerações por vir. Foi Sostre quem primeiro apresentou Lorenzo ao anarquismo e o 
orientou, sobre o qual ele refletiu mais tarde em um ensaio que escreveu sobre 
Martin:

Ele jogou uma nova palavra em mim: "Socialismo Anarquista". Eu não tinha ideia do 
que ele estava falando na época... Ele me explicou sobre o "socialismo auto 
governável", o qual ele descreveu como um Estado livre de burocracias e de 
ditaduras de partidos ou líderes. Quase todo dia ele me contava sobre "Democracia 
Direta", "Comunitarismo", "Autonomia Radical", "Assembleias Gerais" e outras 
coisas que eu desconhecia. Então eu apenas ouvia por horas enquanto ele me ensinava.

Sostre já tinha remodelado o sistema de prisão através de uma série de processos 
vitoriosos em torno dos direitos dos presos depois que sua incriminação o levou à 
prisão. Ele não sabia na época ao ensinar Lorenzo a Teoria Anarquista, ele 
estaria mudando o curso de política para muitos ao redor do mundo. Lorenzo foi 
julgado na pequena cidade de Newnan, na Georgia, onde recebeu a sentença de 
prisão perpétua por um júri composto somente por pessoas brancas. Ele 
eventualmente foi transferido para a penitenciária federal em Terre Haute, 
Indiana. Essa, por sua vez, era uma penitenciária conhecida por sua brutalidade 
onde o legado da Ku Klux Klan permanecia vivo.

Anarquismo e a Revolução Negra foi escrito na prisão em 1979. Foi escrito a mão e 
teve que ser escondido das autoridades da penitenciária, que poderiam destruí-lo. 
O folheto foi produzido primeiramente por um coletivo anarquista em Nova Iorque. 
Seu caso se tornou uma campanha solidária Anarquista internacional, o que 
eventualmente levou a sua soltura da prisão.

Anarquismo e a Revolução Negra é a escrita definitiva do Anarquismo Preto nos 
Estados Unidos. Se não fosse por este livro, muitas pessoas nos Estados Unidos e 
no mundo teriam caminhos políticos significativamente diferentes. Isso não é um 
exagero, já que o livro delineou os contornos de mudanças radicais dentro e fora 
das lutas pretas mais importantes. Ou seja, este texto representa a rejeição 
subestimada de narrativas simples que condensam histórias intrincadas em linhas 
retas em vez de formas complicadas. Seu texto original e suas edições expandidas 
que seguiram, detalham uma crítica contundente sobre as falhas do Poder Preto e 
do Movimento dos Direitos Civis. E o fez como um texto fundamental que oferece 
essas críticas de uma perspectiva negra anarquista.

Lorenzo insiste que sim, a casa e a plantação estão de fato queimando, mas nós 
não precisamos queimar com eles. Como uma rejeição de reforma e estatismo, ele 
nos desafia a não simplesmente tentar criar um novo Estado e pintá-lo de preto ou 
vermelho. Ele nos pede pra ir além do que tenha tido sucesso ou falhado no 
passado e pensar sobre a necessidade do presente. Ele nos assegura de que a 
libertação não será alcançada pela mimetização do que não nos fez livre no 
passado e não será alcançado em não questionar o que está acontecendo ao nosso 
redor no presente. Ele prepara o palco para muito do que está acontecendo diante 
de nós, irrigando campos áridos com o sustento apaziguador de políticas visionárias.

>> William C. Anderson é um escritor e ativista de Birmingham, Alabama. Com 
trabalhos publicados no The Guardian, Truthout, British Journal of Photography e 
Pitchfork, entre outros. Ele é o autor de "The Nation on No Map", e coautor do 
livro "As Black as Resistance" e cofundador do "Offshoot Journal". Ele também 
fornece direção criativa como produtor do podcast "Black Autonomy Podcast"

Fonte: https://www.plutobooks.com/blog/anarchism-and-the-black-revolution/

Tradução > Adriano Filho

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agência de notícias anarquistas-ana


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