(pt) [Espanha] A necessidade urgente de enfrentar os desafios do século XXI Por Genís Ferrero | Secretário de Ação Sindical da CNT Vallès Oriental By A.N.A. (ca, it)

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Sábado, 21 de Agosto de 2021 - 12:04:23 CEST


"Se nos superamos, se conquistamos nossa capacidade e nos colocamos em condições 
de atuar de modo enérgico, de fazer frente a toda possibilidade de ataque, 
seremos respeitados, atendidos e nos imporemos". Salvador Seguí. Congresso de 
Sants, 1918. ---- O século XXI trouxe à humanidade duas agendas prementes. A 
consolidação definitiva do neoliberalismo de uma parte e a necessidade de uma 
mudança ecológica das sociedades industriais do planeta de outra. ---- Liquidado 
o socialismo real como bloco antagônico às sociedades capitalistas, e ante a 
necessidade de uma mudança no modelo produtivo que evite a autodestruição em 
questão de décadas do ecossistema do planeta, em que suporia o desaparecimento da 
humanidade como a conhecemos hoje em dia, é urgente enfrentar os desafios que se 
apresentam às classes trabalhadoras do mundo.

Sabemos que a solução do problema ecológico só tem duas saídas possíveis: uma na 
qual a justiça social, as liberdades coletivas e individuais e o respeito ao 
ecossistema se coliguem. A outra é um mundo neofascista onde o controle social, a 
acumulação de tecnologia e riqueza, e o uso da violência sejam as formas de 
administrar as medidas de contenção ecológica para que uma minoria social 
mantenha seu nível de vida e sua posição de poder. Obviamente a segunda é a via 
fácil, onde só há que baixar a cabeça.

Neste cenário se introduziram muitos conceitos que vem servir ao interesse do 
discurso neoliberal, criando novos conceitos individualistas ainda que vestidos 
de liberais e outros que vem a negar a análise material das desigualdades 
sociais. Se colocou na moda pensar que os pequenos gestos são os importantes para 
livrar-nos da responsabilidade de organizarmos em grande escala e enfrentar os 
enormes problemas que temos adiante.

É neste contexto que vamos enfrentar em dezembro de 2022 o XII Congresso da CNT, 
um comício que deverá ser decisivo para enfrentar de forma urgente os problemas 
que ocorrerão ao proletariado nos próximos anos. Ante as tentativas de fazer da 
Confederação um ente social mais próximo ao assistencialismo de uma ONG, os 
sindicatos da CNT devemos dotar-nos assim como no passado de todos aqueles 
recursos necessários para voltar a estruturar um projeto revolucionário em pleno 
século XXI.

Apesar dos discursos que pretendem assinalar que o mundo do trabalho vai ser um 
cenário onde não se disputa a construção de uma alternativa ao atual sistema 
social e econômico, nós os e as anarcossindicalistas viemos sentenciar que nada 
mais longe da realidade. As diversas lutas sociais são fragmentos de uma luta 
geral que é a das classes exploradas e precárias de sempre contra a acumulação de 
riqueza, contra o patriarcado e contra a patronal e os estados que a defendem.

Precisamente são os governos de toda índole que ratificam uma e outra vez as 
diretrizes e políticas neoliberais da União Europeia. Apesar de todos os 
discursos as reformas sociais que se propõem seguem flexibilizando o mercado 
laboral, fragmentando a classe trabalhadora, reduzindo a liberdade sindical e 
protegendo a propriedade privada e a capacidade de acumulação de riqueza de uma 
minoria à custa da maioria. As medidas de caráter social, ainda insuficientes, na 
realidade não deixam de aceitar a criação de bolsões de pobreza e precariedade 
estrutural que os países do sul da Europa vimos acumulando desde a anterior crise 
de 2008.

Neste contexto se volta a reafirmar como algo necessário e positivo para o 
conjunto da sociedade, e consequentemente também para a classe trabalhadora, a 
conciliação social entre governo, sindicatos majoritários e patronais. Ante isso 
devemos ser claros em nosso discurso e explicar que dito modelo só beneficia a 
quem já dispõem da maioria dos lucros. Quer dizer, aqueles que nunca vão aceitar 
que a gente humilde e trabalhadora, o povo, possa aceder a uma parte justa da 
distribuição da riqueza.

Ante isso devemos confrontar o diálogo social com meios próprios, dotando os 
centros de trabalho de uma estrutura sindical baseada nas ideias libertárias de 
democracia direta e luta de classes, coligado com sindicatos que voltem a contar 
por milhares seus associados, cuja solidariedade econômica permita a plena 
independência da CNT de qualquer agente externo, que permita ter os recursos 
técnicos, militantes e econômicos necessários para não só assessorar os conflitos 
sindicais, mas também planejar a proposta da classe trabalhadora à transição 
industrial e econômica que a ecologia impõe a nossas sociedades hoje.

O desafio que temos ante nós, pois, não só é imperativo, mas que também é 
urgente. Não disporemos de décadas para desenvolvê-lo, devemos redobrar esforços 
e fazer da ação sindical de nossos sindicatos o principal aríete frente à 
desorganização e fragmentação da classe obreira nos centros de trabalho. Uma ação 
sindical que, ao mesmo tempo, recupere a capacidade pedagógica de nossos ideais 
libertários e emancipadores colocando a necessidade de confrontar não só as 
questões econômicas, mas, sobretudo a redução do tempo de trabalho, o fim da 
discriminação de gênero e de qualquer outro tipo, levantando a liberdade sindical 
e a greve como pedra angular da construção de qualquer sociedade onde a economia 
esteja a serviço das pessoas e não o contrário.

Definitivamente, a CNT enfrenta o desafio de voltar a ser um sindicato com 
milhares de filiados - o crescimento sustentável do conjunto da Organização nos 
últimos anos assim o atesta - que seja uma ferramenta eficaz no dia a dia da luta 
laboral, mas que por nossas características libertárias possibilite uma 
alternativa real ao sistema político e econômico vigente. Temos as ferramentas a 
nosso alcance, o que não teremos é uma segunda oportunidade para voltar a chegar 
a este momento. Se não somos muitos e muitas, se não somos inteligentes e 
eficazes, os ricos e poderosos voltarão a se impor.

Fonte: 
https://www.cnt.es/noticias/la-necesidad-urgente-de-afrontar-los-retos-del-siglo-xxi/

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana


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