(pt) Brazil, cab anarquista: O Congresso e o governo querem entregar os Correios! Lutar contra a privatização! (ca, de, en, it)[traduccion automatica]

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Sábado, 14 de Agosto de 2021 - 09:35:19 CEST


Enquanto a imprensa e as redes sociais se voltam para a gritaria de Bolsonaro, o 
Congresso vai passando a boiada, empurrando a pauta dos de cima, de destruição 
dos direitos do nosso povo. Na última quinta, dia 05, a Câmara aprovou o projeto 
de lei que privatiza os Correios, em uma votação às pressas. ---- O projeto de 
lei libera a entrega dos Correios pra uma empresa privada, o que o governo 
pretende fazer no primeiro semestre do ano que vem. A proposta também prevê 
estabilidade das trabalhadoras e trabalhadores da empresa por 18 meses. Ou seja, 
depois de um ano e meio pode haver demissões em massa. Com os Correios nas mãos 
da iniciativa privada, os lucros vão estar acima da qualidade do serviço e das 
condições de trabalho dos e das trabalhadoras, favorecendo apenas os acionistas 
da empresa.

Os argumentos liberais mais comuns para justificar a privatizacao dos correios 
não se sustentam. A empresa foi criada para prestar serviços à sociedade e não 
para lucrar. Ainda assim, a empresa dá lucro. Este lucro, que deveria ser 
dividido com seus funcionários, não é mais, pois este benefício foi retirado nos 
últimos acordos coletivos. A empresa é autossustentável, ou seja, não depende de 
investimento de dinheiro público para seguir funcionando. O rombo no fundo de 
pensão dos funcionários (Postalis), provocado por quadrilhas que gerem o fundo, 
vem sendo pago pelos servidores e ex-servidores, que além da contribuição regular 
passaram a pagar uma taxa extra que varia de 3% a 6%, de acordo com a faixa 
salarial, e aposentados/as e pensionistas, que arcam com taxa extra de 17,92%. 
Portanto, é mentirosa a fala do ministro das Comunicações, Fábio Faria, que em 
pronunciamento na TV no dia 02 disse que este prejuízo é pago pelo contribuinte. 
A companhia é eficiente, com índices de aprovação muito melhores que serviços de 
empresas privadas, como de telefonia, por exemplo. Também presta um serviço 
essencial, alcançando todos os municípios do país.

Além disso, os Correios são estratégicos, entregando medicamentos e vacinas para 
o SUS e livros didáticos para as escolas públicas, além de fortalecer pequenos 
comerciantes e prestadores de serviços, com entregas mais baratas que as empresas 
privadas.

O serviço postal público é tão importante que mesmo os EUA, que privatizaram 
quase tudo, têm uma empresa pública de correios, a USPS, uma das maiores empresas 
do país. A Argentina privatizou seus correios em 1997, e o serviço ficou mais 
caro e sucateado. A privatização foi revertida em 2003, mas até hoje o caso se 
arrasta na justiça, com denúncias de corrupção. Portugal privatizou seus correios 
entre 2013 e 2014, e os serviços pioraram rapidamente. Hoje o país discute 
retomar o modelo de empresa pública.

Poder Popular
A defesa dos Correios contra a privatização não se trata de defender o modelo 
estatal como nosso objetivo. Nós, anarquistas, acreditamos que sob o Estado, 
orgão de dominação de uma minoria, uma empresa não é verdadeiramente pública, e 
segue atendendo a interesses privados. Nossa defesa tática da manutenção dos 
Correios como estatal é um apoio à luta das trabalhadoras e trabalhadores da 
empresa, e ao povo em geral atendido pela companhia, que vai ser prejudicado com 
a privatização. Numa perspectiva revolucionária, de um verdadeiro Poder Popular, 
os Correios devem ser geridos pelas funcionárias e funcionários da empresa, e sob 
controle do povo trabalhador, e é esse nosso horizonte!

Paralisia das cúpulas sindicais
Denunciamos também a inércia das centrais sindicais na luta contra a pauta 
privatista que vai entregando o patrimônio do país. É necessário coordenar um 
forte processo de resistência às privatizações, que ameaçam outras empresas, como 
Eletrobrás, Telebrás, Dataprev, Serpro e EBC. Além disso há a Reforma 
Administrativa, que pretende aumentar a dominação privada sobre o serviço 
público. Tudo isso representa um desafio enorme para o movimento sindical, que 
precisa construir um movimento de greve geral no serviço público e fazer frente a 
esses ataques, mas esse processo está muito distante de se concretizar. Em boa 
parte por culpa das direções das grandes centrais, que desconfiam das capacidades 
da classe trabalhadora, e parecem aguardar as eleições de 2022 com a Frente 
Amplíssima.

Apoiamos as trabalhadoras e trabalhadores dos Correios contra a privatização da 
empresa, e cerramos punhos contra a pauta privatista do governo Bolsonaro, 
Congresso Nacional e capitalistas! É preciso construir uma greve geral do serviço 
público para resistir a esses ataques, como passo no caminho para um serviço 
público de fato, gerido e controlado diretamente pela classe trabalhadora!

Coordenação Anarquista Brasileira
Agosto de 2021

https://cabanarquista.org/2021/08/09/congresso-governo-querem-entregar-os-correios/


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