(pt) luta fob: Aprendizagem se recupera, vidas jamais! Não ao retorno sem segurança! Por Sessão de Trabalhadores(as) da Educação do SIGA-DFE

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Domingo, 8 de Agosto de 2021 - 08:51:28 CEST


Boletim lançado no Ato contra a obrigatoriedade do retorno presencial das aulas 
dia 29/07/21 no Buriti ---- Um dilema está colocado: voltar ou não às aulas 
presenciais? Precisamos observar alguns argumentos e a situação da pandemia para 
buscarmos uma saída coletiva enquanto comunidade escolar. E temos clareza: não há 
uma solução ideal, mas isso não significa um "vale tudo". ---- Em primeiro lugar, 
toda política de governo pode e deve ser questionada. Ouvir e acatar não combina 
com a autonomia crítica que deve ser base da educação. Sobretudo quando se trata 
de uma determinação para retorno presencial das aulas que envolve riscos de saúde 
pública.
Este retorno presencial não foi decidido por critérios "técnicos" ou "sanitários" 
do governo Ibaneis (MDB). Não é preciso insistir, basta ver: faltam condições nas 
escolas, a taxa da população do DF imunizada por vacina está inferior à 20% e a 
nova variante Delta traz o risco de ainda mais contágios.

Os protocolos do GDF para o retorno são insuficientes. Citamos apenas alguns 
critérios ausentes: 1) vacina aos estudantes, 2) testagem em massa e rastreamento 
dos casos suspeitos, 3) ventilação natural em salas de aula de várias escolas, 4) 
fornecimento de máscaras PFF2, 5) ambiente seguro para as refeições, 6) situação 
do transporte público, 7) reforço de funcionários da limpeza e 8) carga horária 
dos professores.

Sem estas medidas mínimas, o retorno presencial em breve significará surtos de 
Covid-19 nas escolas. Infelizmente, é uma questão de tempo.

Voltar as aulas presenciais sem vacinar os estudantes é por si só um absurdo! 
Estudantes deveriam ser o objetivo da educação, e não o alvo fácil de infecção. 
Não bastam professores vacinados, pois até os vacinados podem contrair e 
transmitir a Covid-19 - ainda mais pela fala considerando a propagação da voz 
como instrumento de trabalho.

Se a taxa de letalidade da faixa etária estudantil é baixa, o risco de 
transmissão para os familiares existe. Assim, com a baixa vacinação da população 
no DF, é criminosa a possibilidade de deixar nossas crianças e jovens como 
potenciais transmissores da Covid-19 para seus familiares. Se uma única criança a 
mais morrer ou ficar órfã devido ao retorno das aulas, isso é irreparável. As 
aprendizagens podem ser recuperadas, uma vida jamais.

O PODER ECONÔMICO PRESSIONA PELO RETORNO

O critério do retorno da SEEDF-GDF não é técnico ou sanitário, mas sim por 
pressão política e econômica. Localmente, retornar às aulas é colocar meio milhão 
de habitantes circulando nas ruas para consumir no comércio varejista e ampliar 
lucros de empresários e arrecadação de impostos ao governo.

Nacionalmente, a nova secretária de Educação do DF, Hélvia Paranaguá, assumiu em 
coletiva de imprensa dia 27/07 a pressão do movimento empresarial "Ta na hora da 
escola" composto pelas marcas bilionárias como a Lemann, Natura, Itaú e Roberto 
Marinho/Grupo Globo. Eles estão na ponta de lança exigindo o retorno das aulas 
presenciais neste 2º semestre em todo país.

Alguns destes bilionários do Brasil simulam a defesa de um "capitalismo 
humanitário". Mas, na verdade, são parte do problema no enfrentamento social à 
pandemia e das desigualdades sociais e educacionais, e não sua solução. A taxação 
de parte da riqueza dos bilionários brasileiros poderia resolver muitos problemas 
econômicos, sociais e sanitários que vivemos. Eles querem nos sacrificar, mas 
suas fortunas são intocáveis.

A educação pública é uma das últimas categorias em quarentena ou teletrabalho. 
Este é um direito social e trabalhista relativo nesta pandemia negado a vários 
trabalhadores e que em parte explica o Brasil como um dos polos mundiais da 
Covid-19. Nem governos e nem empresários querem arcar com este direito, por isso 
nivelam por baixo e querem cortá-lo da educação em vez de expandi-lo.

E OS PAIS E MÃES QUE DEFENDEM O RETORNO?

A razão de alguns pais, mães e responsáveis quererem o retorno presencial das 
aulas está relacionado a pressão econômica e emocional que sofrem na pandemia: 
desemprego, falta de internet e computadores, inflação, insegurança alimentar, 
desestruturação familiar, necessidade de sair para trabalhar sem ter com quem 
deixar os filhos, sobrecarga de trabalho doméstico sobre as mulheres, violência 
no lar, falta de sociabilidade e etc.

Sentimos na pele e somos solidários a todos nestas situações! A comunidade 
escolar precisa se unir para amenizar estes problemas de outro modo, que não 
serão resolvidos com o retorno das aulas presenciais neste momento.

Porém, importante deixar claro que não defendemos o homeschooling nem o ensino 
remoto - que no DF é apenas uma caricatura do já ruim EAD. Estes projetos 
aparentemente modernos de "estudo domiciliar" e de "youtuberização" são 
armadilhas. Eles levam, cada um a seu modo, a precariedade e privatização da 
educação pública e tendem a desregulamentação dos direitos trabalhistas docentes 
e do acesso universal à educação.

O ensino remoto que deveria ser uma medida de exceção na pandemia ou no máximo um 
ato meramente complementar ao presencial não pode se transformar em modalidade 
principal e permanente. Defendemos as condições de acesso universal às 
tecnologias de apoio à educação. Porém, é preciso lutar contra o ensino remoto, e 
não romantizá-lo. Mais que ninguém, sabemos da baixa qualidade deste modelo.

Considerando estes elementos acima, defendemos:

DENTRO DAS ESCOLAS:

Flexibilizar as faltas e apoiar pais que não enviarem seus filhos
Defender que as escolas aceitem todos documentos formais de dispensa das aulas 
presenciais
Mapear e apoiar as famílias em vulnerabilidade socioeconômica
PERANTE O GDF:

Vacina aos estudantes e seus familiares
Testagem em massa e rastreamento dos casos suspeitos
Ventilação natural em salas de aula
Fornecimento de máscaras PFF2
Ambiente seguro para as refeições
Adequação do transporte público
Reforço de funcionários da limpeza
Respeito à carga horária dos professores
PARA O MOVIMENTO DE TRABALHADORES DA EDUCAÇÃO:

Paralisações relâmpago em casos de surtos nas escolas ou ausência de condições de 
trabalho e sanitárias
Preparar as categorias para realização de uma greve pela vida
APOIAR O MOVIMENTO DE PAIS/MÃES E RESPONSÁVEIS:

Boicote ao retorno presencial: não envio dos alunos
Piquetes e mobilização na porta de escolas e Regionais de Ensino
Criação de Comissões por Escola ou Regional Contra o Retorno Obrigatório
Por fim, fazemos um chamado a toda comunidade escolar: docentes, terceirizados e 
técnicos da assistência, aos estudantes e seus familiares: precisamos nos unir e 
construir um movimento sindical, estudantil e comunitário que lute constantemente 
em defesa das condições de uma educação pública, crítica e a serviço da classe 
trabalhadora, e não do lucro.

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