(pt) luta fob: VIVA OS 50 ANOS DO JUSTIÇAMENTO DE BOILESEN

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Quarta-Feira, 28 de Abril de 2021 - 07:33:28 CEST


Em 15 de abril de 1971, há 50 anos, o Comando Devanir José de Carvalho, formado 
pela Ação Libertadora Nacional (ALN) e pelo Movimento Revolucionário Tiradentes 
(MRT) justiçava o sádico empresário dinamarquês, naturalizado brasileiro, Henning 
Albert Boilesen. A heroica ação mostrou ao mundo a relação direta e umbilical 
entre a ditadura militar fascista, o empresariado brasileiro e as multinacionais. 
---- Albert Boilesen era presidente do Grupo Ultragaz e fundador do Centro de 
Integração Empresa Escola (CIEE), um dos organizadores do apoio dos empresários à 
Operação Bandeirante, a OBAN, embrião do DOI-CODI e composta por membros da 
Aeronáutica, Marinha, Polícia Federal, SNI e órgãos do Governo de São Paulo, que 
torturou e assassinou centenas de trabalhadores e militantes revolucionários. O 
Grupo Ultragaz, foi uma das cerca de 80 empresas brasileiras e multinacionais que 
forneciam apoio ou suporte direito à repressão, entre elas a Volkswagen, FIAT, 
Chrysler, Ford, General Motors, Toyota, Scania, Rolls-Royce, Mercedes Benz, 
Brastemp, Telesp, Kodak, Caterpillar, Johnson & Johnson, Petrobras, Camargo 
Corrêa, Embraer, Monark e outras.

Boilesen, assim como, Paulo Henrique Sawaya Filho e Geraldo Resende Matos faziam 
parte do Grupo Permanente de Mobilização Industrial, frequentando assiduamente o 
DOPS paulista, participando pessoalmente das sessões de tortura e organizando a 
relação direta entre industriais como Nadir Dias de Figueiredo da FIESP, bancos e 
multinacionais com os centros de tortura, a repressão e os assassinatos políticos 
coordenados pelos delegados Romeu Tuma e Sérgio Paranhos Fleury, que dirigia 
também o Esquadrão da Morte.

O auge da repressão no governo do general Emílio Garrastazu Médici, entre 1969 e 
1974, após o AI-5, era uma resposta a ascensão das lutas do povo brasileiro 
contra a ditadura militar-empresarial, com as grandiosas manifestações 
estudantis, principalmente a Passeata dos Cem Mil no Rio de Janeiro, e as 
combativas greves operárias de 1968, como em Contagem (MG) e Osasco (SP), e ao 
avanço das ações das organizações da luta armada.

Diante do imobilismo e da covardia da direção do Partido Comunista Brasileiro 
(PCB) em construir a resistência ao golpe de Estado de 1964 que derrubou João 
Goulart e a ditadura militar que se seguiu, um primeiro setor ligado ao 
trabalhismo e militares nacionalistas perseguidos iniciou a luta armada, primeiro 
com a Guerrilha de Três Passos (1965) e depois com a Guerrilha do Caparaó 
(1966-67). Com a radicalização de parte da esquerda cristã através da Ação 
Popular (depois Ação Popular Marxista Leninista), a saída de parte importante da 
direção do Partidão que ainda em 1962 formou o PCdoB maoísta, setores da POLOP 
(Organização Revolucionária Marxista Política Operária) favoráveis a luta armada 
e os rachas no PCB que deram origem ao Agrupamento Comunista de São Paulo, depois 
ALN, ao PCBR e as Dissidências Internas a partir de 1967, formou-se um amplo 
campo de setores que defendiam diferentes concepções de luta armada no Brasil e 
também atuavam nas lutas operárias, camponesas e estudantis. Em 1968, no auge das 
lutas populares combativas e ações armadas a esquerda brasileira conseguia 
balançar o poder da ditadura.

Carlos Marighella, em sua "Mensagem aos operários do Brasil através da Rádio 
Havana - Cuba", em 1967, durante sua partição na Conferência da Organização de 
Solidariedade Latino-americana, a OLAS, quando seria expulso do PCB, definia a 
situação histórica da seguinte forma:"É um círculo vicioso. O movimento de massas 
avança, em seguida é detido pelo golpe militar. Passa-se algum tempo de ditadura, 
mais ou menos duradouro, que nada resolve para o povo. Vem a desmoralização dos 
ditadores. Surgem os líderes burgueses que pleiteiam eleições e democracia para 
salvar o país (Lacerda, Frente Ampla, etc.). O movimento de massas cresce mais 
uma vez. Em seguida vem um novo golpe militar e tudo recomeça. É que por meio de 
eleições ou pela via pacífica jamais o povo brasileiro se libertará. Não há outro 
caminho para os trabalhadores senão conquistar o poder pela violência e destruir 
o aparelho burocrático militar do Estado, substituindo-o pelo povo armado."

Com o AI-5 em dezembro de 1968, a atuação ainda mais direta do imperialismo 
norte-americano nas ações militares e o governo Médici a partir de 1969, a 
repressão foi tomando contornos cada vez mais brutais e se ampliando também para 
setores da cultura, da classe média progressista e até mesmo da 
pequena-burguesia. Do outro lado, as organizações armadas que enfrentavam e 
resistiam à ditadura com a violência revolucionária formam a Frente Armada, 
articulando a ALN (maior organização guerrilheira e que havia perdido seus dois 
principais dirigentes, Marighella em 1969 e Joaquim Câmara Ferreira em 1970), o 
MRT, a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), o Partido Comunista Brasileiro 
Revolucionário (PCBR), o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8, a antiga 
Dissidência Interna da Guanabara) e outras com menor participação.

Panfleto lançando pelos guerrilheiros da ALN e MRT no local da ação de 
justiçamento de Boilesen. Clique para ler o documento original.
É nesse ambiente de aumento da repressão que Devanir José de Carvalho, o 
Comandante Henrique, operário guerrilheiro e fundador do Movimento Revolucionário 
Tiradentes (MRT) é sequestrado em 5 de abril, barbaramente torturado e 
assassinado pela ditadura no dia 7 de abril de 1971, quando a ALN e o MRT decidem 
executar Boilesen, que havia sido reconhecido por militantes torturadas. A ação 
que justiçou Albert Boilesen foi comandada por Carlos Eugênio da Paz, o Clemente, 
então comandante militar da ALN.

A execução de Boilesen teve importância fundamental por revelar a participação 
direta e financiamento da empresários vinculados à Federação das Indústrias do 
Estado de São Paulo (FIESP) nas torturas e assassinatos políticos. O dinamarquês 
era responsável pelo caixinha dos empresários, e além de "cobrar ingresso" para 
outros empresários acompanharem sessões de tortura, fornecia instrumentos aos 
torturadores, um deles ficou conhecido como a "pianola Boilesen".

A ação do Comando Devanir José de Carvalho ocorreu na alameda Casa Branca, em São 
Paulo, mesmo rua onde Marighella havia sido executado em 4 de novembro de 1969, e 
deixou muito evidente o papel dos empresários não só naarticulação com a ditadura 
militar, como no sadismo em participar das sessões torturas de militantes da luta 
armada e de trabalhadoras e trabalhadores, visto que as empresas que 
participavame apoiavam a ditadura usaram também a repressão, os métodos de 
torturas e assassinatos políticos contra seus operários e operárias.

Sobre o tema, leia também:

Entrevista com Ivan Seixas, ex-preso político e guerrilheiro do MRT sobre a luta 
armada contra a ditadura e o justiçamento de Boilesen

Devanir José de Carvalho: homenagem a um operário militante, por Ivan Seixas.

Golpe empresarial-militar de 1964: lutar contra o Estado policial e o terror 
institucional que permanecem, por FOB-BA

Apresentação do livro Marighella: Estratégia e Revolução, do Editorial Adandé

https://lutafob.org/8767/


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