(pt) cnt.es: [Espanha] cnt nº 425: Mover-se com cuidado Por Carlos Taibo By A.N.A. (ca, de, en, it)

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Sábado, 17 de Abril de 2021 - 09:20:35 CEST


No mundo libertário, os sindicatos têm sido frequentemente objeto de duras 
críticas, que certamente assumiram perfis diferentes, dependendo do momento. Os 
mais comuns hoje em dia falam da primazia abusiva que tendem a dar aos salários e 
ao emprego, da sua recusa em tomar nota das mudanças na condição da classe 
trabalhadora, do seu distanciamento da condição de mulheres precárias ou 
imigrantes, ou da importância limitada dada em suas fileiras a problemas como os 
colocados pelo feminismo e pelo ambientalismo. Embora todas estas deficiências, 
fictícias ou reais, sejam reveladas muito mais claramente no sindicalismo de 
pacto, seus sinais também não faltam no alternativo e resistente, cuja presença, 
além do mais, no que diz respeito à construção de espaços autogeridos e 
desmercantilizados acaba se revelando infelizes.

Tenho dito muitas vezes que o sindicalismo libertário me parece tanto mais 
interessante quanto mais ele é capaz de romper as fronteiras do mundo sindical 
entendido no sentido estrito. Seria bom para mim deixar claro, entretanto, que 
não seria saudável que esta expansão fora dos muros acontecesse à custa de 
provocar o desaparecimento da luta sindical. O que acontece com isto é semelhante 
ao que acontece sob a proteção de uma tese frequentemente expressa pelo que veio 
a ser chamado de pós-anarquismo. Se este último está certo quando se trata de 
sublinhar que o poder tem muitas expressões que transcendem a instituição do 
Estado, tal consideração não parece razoável que deva ser desdobrada no 
esquecimento aberto do fato de que é necessário continuar contestando, é claro, o 
Estado compreendido em seu significado mais tradicional e repressivo.

Sendo assim, as críticas indesculpáveis ao que significa sindicalismo não podem 
levar - seria um exercício de frivolidade - à intenção de jogar pela borda o que 
o mundo libertário e alternativo está contribuindo hoje neste campo. Seria um 
presente, que não merece, para os patrões e seus interesses num momento em que o 
endurecimento planetário das condições de trabalho assalariado deve provocar um 
ressurgimento do sindicalismo de confronto. Isto parece ainda mais verdadeiro 
nestes tempos, nos quais, mais uma vez, o que está sendo anunciado são grandes 
ultrajes em benefício dos habituais. Com ou sem um governo de esquerda.

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

https://www.cnt.es/noticias/moverse-con-tiento/


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