(pt) [Espanha] "Eu também tenho um isqueiro": crônica da manifestação em Mataró em solidariedade com os prisioneiros do 27-F By A.N.A. (ca, de, en, it)

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Sexta-Feira, 9 de Abril de 2021 - 08:12:23 CEST


Em 27 de março de 2021, na localidade de Mataró, foi convocada uma manifestação 
solidária com Sara, María, Alberto, Danilo, Jalienne, Emmanuele, Ermano e Luca: 
presas e presos (a primeira já foi libertada com acusações) após uma operação 
policial que tentou ligá-los a uma célula de violentos anarquistas italianos, 
aproveitando toda a lenda negra que, historicamente, a imprensa burguesa 
espanhola e catalã construiu em relação ao movimento libertário neste país. E 
tudo isso no contexto dos protestos contra a prisão do rapper Pablo Hásel: o que 
nos coloca as e os anarquistas, que se manifestaram no sábado e/ou que 
demonstraram solidariedade de outras formas, em um cenário de resposta à 
repressão com aqueles que, por sua vez, se mostravam solidários pela mesma coisa. 
Digo isto porque acho necessário refletir sobre esta situação porque parece que 
já caímos na dinâmica de ação-repressão-ação que indica um momento de refluxo na 
luta. Na verdade, este é o ponto onde o sistema quer nos ver e do qual temos que 
tentar sair.

Por volta das 19:00 horas cerca de cinquenta pessoas se reuniram em frente à 
estação de trem Renfe e, após algum tempo para esperar a possível chegada de mais 
manifestantes, ocupamos a estrada N-II, exibindo duas faixas e uma bandeira 
anarquista. Sobre a maior delas foi escrita a frase que também tenho um isqueiro 
(referindo-se à história bizarra inventada no relatório policial dos 
Mossos[polícia catalã]de que as pessoas presas faziam parte da mesma célula por 
terem o mesmo isqueiro: um objeto que eles dão nos pacotes de tabaco de enrolar e 
que é comumente usado), o outra menor foi carregada por dois ativistas do 
coletivo Movimiento Pro-aministia criado para mostrar solidariedade com a 
repressão das lutas anticapitalistas e para exigir uma anistia total.

Seguidos de perto por uma força policial local, descemos a estrada gritando 
slogans como se eu também tivesse um isqueiro, liberdade para nossos camaradas 
porque o estado os tem prisioneiros, abaixo com os muros da prisão, as prisões 
são centros de extermínio ou visca, visca, visca ou Maresme anarquista até 
chegarmos a uma rotatória e virar à direita onde acima ficava a delegacia de 
polícia dos Mossos d'Esquadra. A medida que nos aproximávamos, o tom dos slogans 
aumentava, à medida que a polícia torturava e assassinava, por toda a raiva 
acumulada contra esses assassinos do proto-Estado capitalista catalão que nos 
aguardavam fazendo um cordão, com capacetes e bastões em mãos: houve alguns 
momentos de tensão sem chegar a nos golpear e nos movemos para a esquerda 
entrando no centro da cidade.

Continuamos gritando palavras de ordem e distribuindo alguns folhetos aos 
vizinhos que observavam a marcha até chegarmos à porta da prefeitura onde as duas 
faixas foram desfraldadas e o comunicado de solidariedade com os camaradas presos 
foi lido diante do olhar atônito de uma multidão de transeuntes, alguns dos quais 
não pareciam entender muito bem o que estava acontecendo: deve-se dizer que 
alguém que participou da manifestação se encarregou de explicá-lo a qualquer um 
que se aproximasse curioso para perguntar. Enquanto isto acontecia, fomos 
observados de perto por vários membros da Polícia Local, estacionados em frente a 
um escritório de um banco, ao qual um manifestante ironicamente reprovou que 
estavam protegendo um banco perante a Câmara Municipal, o que causou algumas risadas.

Aqui parecia que a manifestação ia terminar, mas não foi assim porque decidimos 
continuar a fazer barulho com o que estávamos encontrando, cercas de metal e de 
obras, enquanto continuávamos a gritar os slogans mencionados. Finalmente 
chegamos ao ponto de saída onde para terminar cortamos novamente a N-II por um 
tempo, mostrando as faixas para os veículos, até que foi decidido acabar com a 
demonstração que, no início e no final, foi discretamente vigiada (ou assim 
pensavam) por um grupo de pessoas secretas. Pessoalmente, acho que, apesar de não 
sermos muitas pessoas, houve muito incentivo e combatividade e foi uma marcha 
mais longa do que o esperado.

Liberdade aos prisioneiros do 27-F

https://alma-apatrida.blogspot.com/2021/03/yo-tambien-tengo-mecherocronica-de-la.html


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