(pt) federacao anarquista gaucha FAG/CAB: E se a crise com as forças armadas foram armadas?(ca, de, en, it)[traduccion automatica]

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Quinta-Feira, 8 de Abril de 2021 - 09:04:03 CEST


Leituras e hipótese das "crises civil-militares" que envolvem o 31 de março de 
2021 ---- Essa não é mais uma grande "tese" de intelectuais de esquerda e nem 
pretende explicar e esgotar a análise da conjuntura. Se existe uma certeza nessa 
quadra histórica que nos toca viver e enfrentar é que a realidade tal como tem se 
apresentado é movediça, rápida, implacável, o que nos exige constante 
atualização. Mas algumas recorrências e repetições nos auxiliam na leitura dos 
acontecimentos e na desafiadora tarefa de não sermos tragados pelo turbilhão 
(proposital?) dos acontecimentos (especialmente aqueles midiatizados), tiroteio 
de informações e pancada nos direitos.
O conceito de "guerra híbrida" tem sido muito utilizado para explicar as novas 
modalidades (não convencionais) de "intervenção" militar (ou não) na política. Um 
problema é o esgarçamento desse conceito via "domínio do espectro total", que 
praticamente inviabiliza qualquer forma de resistir e intervir no rumo dos 
acontecimentos. Porém, ainda que problematizando o conceito, acreditamos que há 
algumas variáveis importantes para serem observadas e aproveitadas. Uma delas diz 
respeito às "OpPsi" (Operações Psicológicas), que parecem estar em franco uso 
político nos dias que antecipam e sucedem esse 31/03/2021.

Assim como vem ocorrendo desde pelo menos 2016, em diferentes "momentos chave" da 
vida política no Brasil, militares (da "reserva" ou da "ativa", entre aspas para 
dar ênfase que essa diferença é apenas de perspectiva no que se refere ao impacto 
público que geram ou que pretendem gerar) assumem o papel ativo de atores 
políticos na cena, seja via "homenagens a torturadores", "twitters de 
advertência" para as Instituições (das quais são parte integrante e se dizem 
principais pilares e guardiões), palestras ameaçadoras em "lojas maçônicas", 
investidas na educação, saudosismos à ditadura civil-militar (1964-1985) das mais 
variadas matizes e intensidades...

Importante salientar que aqui estamos partindo do entendimento que o evento 
"golpe de 2016" (nos moldes históricos) foi efetivado naquele ano via processo 
fraudulento decorrido de um acordo político (parlamentar - jurídico - midiático) 
que vinha sendo gestado desde pelo menos 2009/2010 por amplos setores de Estado, 
especialmente e sobretudo, pelas Forças Armadas. Desse "evento" do golpe de 2016, 
houve uma "transição de modelo" via "projeto ‘Ponte para o Futuro'", construído 
publicamente pelo "insuspeito" Michel Temer e seu PMDB. Processo "operado" de 
perto por militares como Eduardo Villas-Boas e Sérgio Etchegoyen e suas 
"Operações de Garantia da Lei e da Ordem" (ensaios de "OpPsi"?) que levaram 
confusão, medo e tensão para a ordem do dia e para o "evento" "Eleição de 2018", 
do qual o resultado está aí "para o vivo ver".

Não precisa muito para ir montando um cenário, basta olhar para trás (da eleição 
de 2018 para cá) e observar os movimentos desse governo: trabalho ideológico 
permanente; troca troca de ministros;ameaças de "fechamento do regime", "rupturas 
autoritárias" (todas "operadas" de tempos em tempos e estrategicamente frente aos 
acontecimentos); brigas políticas produzidas ("crise ministros da educação", 
crise "general Santos Cruz", "crise reunião ministerial", "crise Sérgio Moro", 
"crise com governadores", etc, CRISE PERMANENTE, CRISE COMO MODELO DE GOVERNO!). 
Tudo azeitado por medidas de governo via MP (Medidas Provisórias), penetração 
(sutil ou escancarada) em todo aparelho de estado, milhares de cargos ocupados 
por militares "da reserva" e "da ativa", benefícios e privilégios em escala 
descomunal e absurda até para padrões de "repúblicas fardadas", acordos, 
"centrão", "crises", "empresários descontentes", "milícia verde-amarelo nas 
ruas", "crises", "ameaças de ruptura", notícias bombásticas na imprensa...Todo 
dia uma "crise", uma "ameaça". Aí está uma receita. Uma receita que vem dando 
resultado, basta observar o "desengano" e o atordoamento "geral e irrestrito".

E os militares? Bem, obrigado! Operando, do conforto da picanha regada a leite 
condensado e uísque 12 anos, o golpe sem tanque e ainda figurando como 
"defensores da constituição e das instituições democráticas". E os demais setores 
das elites forjando essa narrativa e preparando o terreno pra seguir o baile do 
espólio da vida. Inclusive a mídia. O q não da pra perder de vista é que eles 
(milicos) SÃO as instituições.

Outro elemento a se considerar também é a contribuição da esquerda eleitoral (ou, 
para ampliar, um setor dito "progressista", vá lá). Essa esquerda não age na 
conjuntura a não ser para defender a institucionalidade, fã ardorosa que é das 
falsas eleições, notas de repúdio e judicialização da vida. Fica ainda mais fácil 
entrar nessa confusão e endossar o discurso de que as instituições estão funcionando.

Existem evidências para afirmar que esses movimentos que antecedem e devem 
suceder o 31/03/2021 são pensados, planejados e executados de modo a colocar a 
"crise na rua", desviar o foco da pandemia e dos mais de 300 mil mortos. Ao mesmo 
tempo, opera um "para-te quieto" nos descontentamentos dos empresários da elite 
financeira que lançaram recentemente uma carta/manifesto achando que iriam 
emparedar o governo. Coloca o "centrão" sob tensão (com medo da ruptura e suas 
consequências) no passo que "limpa a barra" (desviando o foco) da 
responsabilidade de um militar "da ativa" (Eduardo Pazuello) na "gestão" da (mais 
uma) "crise da pandemia" (apenas uma coincidência a pandemia continuar sendo 
alimentada e avançar ferozmente para a pior crise sanitária/humanitária da 
história do país). A "OpPsi" faz de seus "operadores" excelentes criadores e 
manejadores de "moinhos de vento". Na mesma via, competentes operadores da 
"opinião pública" (publicada!?). Por isso a importância de observar o cenário 
mais amplo (para além das "obviedades produzidas") e não só os fatos do imediato 
que são operados via "OpPsi" e outras ‘ferramentas" de "guerra híbrida".

Assim como na "gestão da pandemia", existe nesses acontecimentos de 31/03/2021 um 
tipo de método de "gestão via crise permanente" em franca operação. Assim que os 
agentes do "golpe de 2016" vem operando via governo, pela "crise total" e o 
"domínio das instituições" das quais são parte. A cada dia uma "bomba" 
(semi-ótica!?). Evidente que há um nível de surpresa nos efeitos que cada uma vai 
gerar na medida que as peças se movem no "tabuleiro da conjuntura", mas é preciso 
um estado permanente de tensão, confusão, guerra informacional e esvaziamento do 
sentido da palavra.

Para ter uma ideia dos efeitos diretos e indiretos desse "modelo", desse "método" 
de tensão permanente, basta observar com certo distanciamento as mensagens que 
circularam nos últimos dias em manchetes dos "jornalões", nos portais "de 
esquerda e de direita", nos "grupos de whats", nas análises de "intelectuais 
renomados", entre militantes honestos e/ou abnegados... Agora imaginem na 
população em geral. Existe projeto, existe método. E ele, entre outras coisas, 
operada via tensão permanente, medo, confusão.

Nesse sentido, é importante alargar um pouco a nossa ideia de golpe, que não pode 
ficar restrita à imagem de tanques nas ruas e mudança abrupta de regime. Para 
sabermos agir nesse cenário, cabe explorar um pouco melhor os diferentes 
elementos que compõem a elite empresarial, política e militar desse país. 
Observar o andar de cima a partir de nossa chave de interpretação, que vivemos 
sob um Estado Policial de Ajuste, não como um conceito fechado em si, mas como 
ferramenta para entender o processo permanente de recrudescimento da violência de 
Estado em todos os níveis. A conjuntura é movediça e pede atualização de análise 
o tempo todo, mas entender o processo, como buscamos fazer aqui, é tarefa 
necessária para não ficarmos à mercê de quem domina e homogeniza o discurso na 
mídia, evitando que sejamos reféns desse tiroteio de informação e ataques aos 
nossos direitos.

Nunca é demais afirmar: Ditadura nunca mais! Não esquecemos e nem perdoamos!

Por Malvina, militante faguista

https://federacaoanarquistagaucha.wordpress.com/2021/04/01/e-se-a-crise-com-as-forcas-armadas-foram-armadas/


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