(pt) Coletivo Anarquista Bandeira Negra: TEM EDUCADOR MORRENDO EM SANTA CATARINA E A CULPA É DOS DE CIMA!

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Sábado, 3 de Abril de 2021 - 10:05:11 CEST


Um ano depois do início das medidas restritivas para conter a transmissão da 
covid-19, os governantes em Santa Catarina não conseguem mais segurar a onda do 
empresariado local que surfa numa pilha de corpos em nome da economia. Pior do 
que o vírus, a elite catarinense faz campanha para que as escolas sigam abertas e 
condena inúmeras trabalhadoras da educação e a comunidade escolar à morte. A 
situação de lotação de leitos de UTI e a crescente fila de espera é altamente 
preocupante. Se precisar de hospital, por qualquer motivo, corremos o risco de 
não haver leitos! ---- Entendemos que, do jeito que está, todas as estudantes da 
escola (crianças e adolescentes) estão em perigo, assim como professoras, 
trabalhadoras terceirizadas, pais, mães e familiares. O retorno das aulas 
presenciais afeta fortemente a dinâmica de circulação de pessoas, em especial no 
transporte público. Abrir as escolas é colocar todo mundo em risco! São mais de 
dez mil mortes em Santa Catarina até o final de março, atualmente cerca de cem 
pessoas perdendo a vida por dia! E quase 3 mil a nível nacional!
Infelizmente, entre as contaminadas e aquelas que perderam sua vida, estão também 
professoras da rede estadual de ensino, obrigadas a seguirem com atividades 
cotidianas de forma presencial. O Comandante Moisés (PSL), governador do estado, 
comanda apenas os interesses do empresariado, que investem em placas e carreatas 
pelas cidades como forma de assediar o governo para manter as escolas abertas. Em 
Florianópolis, o não-retorno presencial é chamado de covardia ou incompetência em 
outdoors financiados por um grupo de pais apoiado (ou formado) por empresários 
locais.
Enquanto companheiras trabalhadoras morrem por ter que seguir em sala de aula, 
Moisés segue o caminho de Bolsonaro: o presidente genocida faz pouco caso de 
isolamento social e chegamos a 300 mil mortes por sua conta. Nem Bolsonaro nem 
Moisés parecem ver a importância da garantia de renda digna e do lockdown, únicas 
medidas que podem nos salvar nesse momento enquanto agonizamos uma vacinação a 
conta-gotas. É necessário uma renda digna permanente para todos e todas para 
evitar as mortes por fome e por covid!
Já nas primeiras semanas de abertura das escolas houve uma crescente confirmação 
e suspeita de casos de COVID nas escolas catarinenses, o fechamento de unidades 
pela estrutura irregular e/ou por desinfecção, bem como o isolamento inúmeros 
alunos e professores. Isso só nos confirma a falta de condições essenciais e 
sanitárias na própria infraestrutura escolar, já que o Plano de Contingência 
(PLANCON) não é capaz de garantir as condições de segurança mínima para 
professores, funcionários, estudantes e suas respectivas famílias.
Para além de nos jogarem na escola sem condições sanitárias mínimas, o estado de 
Santa Catarina vem sistematicamente solapando a categoria com a desvalorização e 
precarização das condições de trabalho. Moisés não tem feito diferente e soma 
mais anos a fio sem reajuste salarial, em desacordo com o piso nacional do 
magistério. O cenário também é de uma absurda defasagem nas contratações e 
concursos públicos para efetivação. Hoje mais da metade das professoras 
contratadas no estado são Admitidas em Caráter Temporário (ACTs), sendo que 
legalmente o regime de contratação temporária deveria ser de, no máximo, 10%!
A condição de ACT é barata para o estado porque não possui plano de carreira nem 
hora-atividade (tempo de preparação de aulas e outros), tem vale-alimentação 
congelado e não há direito a férias. Quem conhece o processo de escolha das vagas 
de ACT na rede estadual sabe que é uma das situações mais humilhantes que a 
categoria enfrenta todos os anos. Em uma disputa por vagas insuficientes entre 
companheiras, muitas acabam sem seu ganha-pão ou terminam com duas, três ou mais 
escolas para conseguir uma renda minimamente digna. Como se não bastasse, durante 
o recesso escolar, as professoras ACTs ficam desempregadas, sem remuneração e sem 
perspectiva de recontratação, para daí iniciar novamente o ciclo de escolha de 
vagas. A contratação de ACTs, que deveria ser para substituir professoras em 
afastamento, se tornou uma política permanente de precarização da docência e da 
educação, de barateamento da rede. Um projeto que, neste momento de pandemia, 
coloca uma grande parte da categoria em um perigo ainda maior pela falta de 
direitos e instabilidade, sem contar o assédio às ACTs quanto a possível recisão 
de contrato em caso de greve.
Ainda é importante pontuar que professoras ACTs, que terminaram 2020 sem contrato 
ou não tiveram suas turmas garantidas para 2021, são obrigadas a assumirem o 
risco de contágio do ensino presencial. Segundo o edital de escolha de vagas, 
pessoas que são do grupo de risco ou tem pessoas próximas nessa condição são 
restritas da possibilidade de conseguir aulas, sem a oferta do ensino remoto pelo 
governo. Dessa forma, o Estado transfere a responsabilidade para a trabalhadora 
ACT, que na busca por renda é obrigada a assumir os riscos.
Não bastasse o governador de Santa Catarina seguir com as escolas abertas, ele e 
o Secretário Estadual de Educação, Luiz Fernando Cardoso, vêm assediando as 
professoras que enxergam na greve, arma histórica da classe trabalhadora, a única 
forma de garantia de vida e responsabilidade com a saúde coletiva. Conhecido como 
"Vampiro", o secretário não parece ter o apelido à toa, pois suga toda a vida das 
trabalhadoras da educação. Greve é a forma como nós, trabalhadoras, respondemos a 
política de morte dos de cima, aos vampiros que sugam nosso tempo e força de 
trabalho.
Através das greves históricas que incendeiam nossas memórias, ganhamos direitos 
mínimos e menos tempo de labuta, como poder se aposentar e não morrer 
trabalhando. Ganhamos a infância de nossas crianças através de greves, que 
puderam deixar de ser trabalhadoras prematuras para poder ocupar as fileiras 
escolares. Escola: outra instituição que deve muito às greves de trabalhadoras da 
educação; algumas foram conquistadas pela luta de professoras, outras evitaram o 
fechamento pela mesma tática de luta. Toda escola pública, gratuita e laica deve 
sua existência à luta das trabalhadoras da educação e é por isso que, neste 
momento, são essas vidas que devem ser salvas pela greve. Lembremos todas da 
clássica capa do Jornal "A Plebe", que anunciava no início da Greve Geral de 
1917: "o proletariado em revolta afirma o seu direito à vida"!
TODO APOIO À GREVE PELA VIDA DAS TRABALHADORAS DA EDUCAÇÃO!
LUTAR POR CONDIÇÕES DIGNAS DE TRABALHO E VIDA!
BOLSONARO GENOCIDA!

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