(pt) [Espanha] Periódico CNT Nº 424 - Agroecologia: A vida simples, a vida justa, o cuidado da vida Por Emilio Alba By A.N.A.

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Domingo, 20 de Setembro de 2020 - 07:37:55 CEST


Desde uma proposta de respeito aos recursos naturais se pode alimentar a todos os cidadãos sem incrementar a superfície agrária mundial, sem 
recorrer a desmatamentos massivos, reduzindo a utilização de energia fóssil e claro, sem utilizar tecnologias que ponham em cheque a 
sobrevivência. ---- É necessário desenvolver modelos alternativos que sejam capazes de produzir alimentos de uma maneira justa para todas as 
pessoas, é preciso recuperar o conteúdo social e ético do sistema de produção para oferecer alimentos limpos, um modelo com a vida, com a 
saúde, com os tecidos sociais rurais, implicado na conservação do meio natural. Um modelo que recupere, atualize e valorize culturas e saberes.

A engenharia ecológica, a agronomia, o conhecimento e o saber das famílias camponesas, a reciclagem, a conservação dos recursos, são as 
ferramentas para o esboço de um novo modelo de produção de alimentos. A participação, a cooperação, as ideias, os sonhos e as inspirações de 
todas aquelas pessoas implicadas no próprio desenvolvimento de um sistema alimentar multifuncional que seja capaz de recuperar a memória 
agrária e a autonomia (de produtores e consumidores) partindo do manejo de parâmetros de qualidade, de gestão racional e sustentável dos 
recursos naturais, e de manutenção do meio social.

O pensamento agroecológico não tem limites, se fundamenta na justiça social, na equidade e na solidariedade, na multifuncionalidade do 
entorno, nos serviços ecossistêmicos que proporciona o meio natural, na paisagem, na biodiversidade, nos solos como entes vivos, na 
população, em sua cultura, em seus ritos, em suas tradições e seus saberes. Agroecologia é apoio mútuo, é pensamento aberto, é ressurgir o 
que fomos, o que somos, os saberes camponeses, a palavra, a saúde, a semente, os aromas, as cores, a diversidade, os abraços. Tudo aquilo 
que nos fortalece como sociedade. O apoio mútuo e a participação como estratégia fundamental de cada dia, da vida.

Justiça social e equidade como eixos vertebrais. A reflexão coletiva sobre o que necessitamos, sobre nossa saúde, sobre a comida, sobre o 
território, sobre todas as situações que afetam nossa vida. Enquanto isso, relocalizar a agricultura, a vida. Criar formas de controle 
coletivo, de tomada de decisões.

Devemos pensar em uma mudança de modelo na produção e no consumo para um modelo orientado para o bem-estar comum e não para o lucro privado. 
Esboçar uma página de rota adequada que tenha um impacto imediato. Desenvolver um corpo de técnicas e de alto resultado a curto prazo 
apontando para a sustentabilidade do sistema. Partindo da base de que desde os princípios de manejo que propõe o enfoque agroecológico se 
devem construir propostas adequadas às diversas realidades sociais e ecológicas. Necessitamos compreender que não é o planeta o que está em 
crise, mas o modo de habitá-lo.

A agroecologia é uma resposta criativa ante esta necessidade, a urgência e a sorte de abrir caminhos em um momento que vai requerer mudanças 
fundamentais na forma de viver e de nos comportarmos.

O "Green New Deal"

As instituições e as grandes corporações nos propõem a assinatura de um "pacto social" para pintar de verde um sistema insustentável desde 
qualquer ponto de vista, o "Green New Deal" propõe desenvolver regulações ambientais baseadas na ideia de que o modelo de produção ecológica 
pode ser mais rentável que o modelo convencional com o qual se produz atualmente. Quer dizer, que se conseguiria ao mesmo tempo, em teoria, 
um benefício ambiental e um benefício econômico. Faz tão somente uns dias a Comissão da União Europeia publicava sua estratégia "Da granja 
ao prato", baseada na mesma filosofia deste pacto verde, não há compromissos de transformação, tão somente mais do mesmo com outras cores.

O modelo agroecológico vai muito mais além de uns sistemas certificados, no mais das vezes assinados e avaliados por empresas privadas, que 
somente propõem uma redução e substituição de insumos (a regulação do trabalho no campo, o respeito às pessoas, nem entra nem se espera nos 
regulamentos de produção ecológica da UE). Em troca, o modelo que propomos desde a agroecologia é um modelo harmônico e implicado em e com a 
natureza, um modelo que serve à sociedade, um modelo distanciado da lógica capitalista, no qual os alimentos deixem de ser tratados como 
meras mercadorias para o negócio. Nossa saúde, a saúde, nossa alimentação, a alimentação, o equilíbrio global da natureza não podem depender 
da rentabilidade econômica de um agronegócio dirigido desde fundos de investimento e despachos transnacionais, um agronegócio ao qual cada 
vez custa mais esconder o saque e o envenenamento. Os requerimentos do capital são claramente contrários aos do meio natural.

O enfoque agroecológico implica a aplicação de ciências agrícolas e ecológicas combinadas com os sistemas camponeses de conhecimento. Para 
as pessoas que apostam pela agroecologia, o ponto de partida no desenvolvimento de sistemas agrícolas sustentáveis e resilientes são os 
mesmos sistemas agrícolas que os agricultores tradicionais desenvolveram e herdaram ao longo dos séculos. Tais sistemas agrícolas complexos, 
adaptados às condições locais, ajudaram a agricultores e agricultoras a manejar de maneira sustentável os ambientes hostis e a satisfazer 
suas necessidades de subsistência, sem depender de fertilizantes químicos, de pesticidas ou outras tecnologias da denominada agricultura 4.0.

Um "Green New Deal", um novo pacto de verde de sorriso alegre e verde, tecnocracia pura e dura, engenharia de leis para adaptar a "nova 
economia" à mudança climática mas que em nenhum momento questiona nem a alteração do equilíbrio dos sistemas naturais (o desequilíbrio 
ecossistêmico global), nem a destruição direta de habitats, nem a perda de biodiversidade, nem a intensificação agrícola e pecuária, nem o 
desmatamento selvagem, nem o desperdício dos recursos naturais.

Uma sublevação ecológica. Um novo compromisso que deve partir de assumir uma estratégia para a transição agroalimentar desenvolvida desde 
baixo e que tenha em conta as demandas sociais, uma transição solidária e justa. Isto requererá uma mudança radical na estrutura da produção 
e da distribuição, favorecendo a agricultura familiar camponesa, a produção local e de proximidade, o encurtamento dos sistemas de 
distribuição e consumo.

Defender a vida, a vida simples, a vida justa, defender o comum, defender os cuidados, o que nos une, em tempos históricos de pandemia, deve 
ser o objetivo primeiro, acima de tudo. A crise do Covid-19 nos surpreendeu a todos e nos encontramos, de súbito, deslocados e com problemas 
a resolver, é urgente melhorar as infraestruturas sociais, aumentar a disponibilidade de alimentos, facilitar o acesso das famílias 
camponesas à terra, aos recursos financeiros, ao crédito e ao financiamento, permitir os investimentos na produção agroecológica, 
estabelecer sistemas de renda básica para estas famílias, é necessário ampliar o máximo possível a superfície de cultivo em harmonia com a 
natureza. Nisso estamos, recuperando o sentido das palavras "Alimentação" e "Agricultura".

Ver mais: simientedisidente.com

Fonte: Periódico CNT Nº 424

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana


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