(pt) luta fob: INTERNACIONAL | FAU: A anarcossindical alemã Por Pedro Neumann

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Terça-Feira, 1 de Setembro de 2020 - 07:57:40 CEST


*Neste espaço divulgamos textos de outras organizações a nivel internacional para informes e debates, mas que não necessariamente refletem a 
posição da FOB. ---- Este texto foi retirado do jornal CNT nº 422 (janeiro-março de 2020), órgão de propaganda Confederação Nacional do 
Trabalho (CNT) da Espanha. Neste texto Pedro Neumann aborda a história e atualidade da União Livre de Trabalhadores (FAU, na sigla em 
alemão). Em 2018 uma delegação da FOB esteve na Alemanha no congresso fundacional da CIT e no congresso da FAU. A tradução desse texto em 
português foi retirada do site "notícias anarquistas". ---- A FAU tem um predecessor histórico: a "Freie Arbeiter-Union Deutschlands" 
(FAUD)[em português "União Livre de Trabalhadores da Alemanha"]. A FAUD foi fundada em 15 de setembro de 1919 e veio da "Freie Vereinigung 
deutscher Gewerkschaften", a FVdG (Associação Livre dos Sindicatos Alemães), que na época era uma cisão do órgão sindical majoritário. A 
FAUD era a mais importante organização anarcossindicalista da Alemanha na época da República de Weimar e como tal rejeitou a luta 
centralista dos trabalhadores, seja por via do parlamentarismo ou por partidos comunistas.


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A FAUD era composta por sindicatos locais, a maioria deles na região do Ruhr, bem como em Berlim. Em seu auge, no início da década de 1920, 
tinha cerca de 150.000 membros.

Ao mesmo tempo, havia um grupo feminista dentro da FAUD chamado "Syndikalistischer Frauenbund" (Federação dos Sindicatos de Mulheres) com 
até 1.000 membros, assim como uma associação juvenil chamada "Syndikalistisch-Anarchistische Jugend Deutschlands" (Juventude 
Anarcossindicalista Alemã).

Em 1933 a FAUD decidiu dissolver-se para evitar uma proibição por parte dos nacional-socialistas. Mas, ao mesmo tempo, foi feita uma 
tentativa de reorganizar e reestruturação clandestina. O foco do anarcossindicalismo, nesta época, mudou para a luta antifascista e para 
ajudar as pessoas da religião judaica a escapar. Um exemplo conhecido é o grupo antifascista "Schwarze Scharen" (Rebanho Negro), que existiu 
até 1937.

Espaço Social da FAU
A nova FAU. Fundada em 1977

Após a Segunda Guerra Mundial, o anarcossindicalismo na Alemanha era praticamente inexistente. No final dos anos 70, foi fundada a 
"Anarchosyndikat Köln" (Sindicato Anarquista de Colônia). A luta mais importante que travou foi uma greve de seis dias em 1973, numa fábrica 
da Ford, depois de 500 trabalhadores terem sido despedidos. Foram principalmente os trabalhadores estrangeiros que realizaram a greve, 
exigindo a anulação dos despedimentos, a redução do ritmo da linha de montagem e um aumento salarial de um marco alemão por hora.

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O "Sindicato Anarquista de Colônia" foi o núcleo inicial da FAU, fundada em 1977. Sua peculiaridade também era não ter contato com nenhum 
membro da histórica FAUD e, portanto, buscar comunicação com membros da CNT que fugiram para Paris após a guerra. O contato com a CNT foi 
sempre intenso e até hoje continua a ser o sindicato mais próximo da FAU.

Nos primeiros dez anos de sua existência a jovem FAU estabeleceu suas ideias e princípios, não sem longas discussões e divisões. Finalmente, 
decidiu-se concentrar na propagação das ideias anarcossindicalistas, combinando-as com a luta trabalhista e social.

Desde o início, a FAU organiza anualmente seus congressos, nos quais os delegados votam sobre propostas previamente apresentadas por grupos 
locais, bem como sobre a eleição do comitê nacional.

Os grupos locais também se federam em grupos regionais, discutindo estratégias e assuntos relacionados apenas para a região correspondente. 
Até o final dos anos 80, a maioria dos grupos locais estava localizada no norte e oeste da Alemanha.

A FAU está se consolidando

Também houve longas discussões sobre a participação nos conselhos de empresa. Ficou decidido que a FAU não participaria dos conselhos de 
empresa, optando pela ação direta como ferramenta da luta sindicalista.

A partir da segunda metade dos anos 80, as mulheres começaram a se organizar na FAU, discutindo uma orientação antipatriarcal e feminista do 
sindicato, a falta de mulheres na organização, além de se concentrarem na posição das mulheres nas relações industriais. No congresso de 
1988 foi decidido mudar o nome, incluindo a forma feminista no nome ("Trabalhadoras e Trabalhadores").

Outra linha de ação importante foi aconselhar os desempregados em relação aos auxílios estatais, que na Alemanha anda de mãos dadas com a 
exigência de busca intensiva de emprego, tendo que aceitar em muitos casos contratos de trabalho precários para que a agência de emprego 
possa reduzir o número de desempregados. Este modelo estatal não permitia o sustento das famílias e, em muitos casos, eram empregos 
temporários oferecidos pelas ETTs (empresas de trabalho temporário) alemãs.

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No final dos anos 90, foram criadas federações setoriais nas áreas de assistência, agricultura e educação.

Protesto em frente a Ford
Os últimos dez anos da FAU até a atualidade

Entre 2008 e 2009, uma luta sindical começou na FAU Berlim em um cinema alternativo, do Instituto Rosa-Luxemburgo e do Partido A Esquerda. 
Eles exigiram aumentos salariais e um acordo coletivo com a FAU, pois era o sindicato mais representativo de todo o pessoal. O diretor de 
cinema se defende legalmente e obtém uma proibição da FAU. A FAU Berlim, na época, tinha cerca de 50 membros.

Na Alemanha, por lei, somente a organização com representação suficiente na região pode ser um sindicato. O tribunal argumentou que a FAU 
Berlim não era representativa da região de Berlim. Com esta decisão, a FAU Berlim foi proibida de tomar qualquer tipo de ação sindical, 
inclusive definindo-se como um sindicato. Se não cumprisse, havia o risco de ter de pagar uma indenização de 250.000 euros ou, se não 
pudesse pagar, os representantes seriam presos.

Contra essa jurisprudência anti-sindical, a FAU apresentou uma reclamação. Mas também organizou a solidariedade internacional e nacional, 
com duas manifestações, e recebeu dinheiro para financiar as ações, bem como as audiências. Finalmente, em junho de 2010, o Tribunal 
Superior de Berlim decidiu que a proibição era nula.

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A partir desse momento, a FAU aumentou sua reputação e seu conhecimento entre os trabalhadores. Em Berlim a adesão quadruplicou e em outras 
cidades também.

Nos últimos 5 anos a ação sindical da FAU aumentou: em cidades como Dresden, Jena e Halle com fortes mobilizações na educação universitária; 
e em Hannover e Frankfurt com importantes lutas nos setores de saúde e educação.

Atualmente, a FAU conta com cerca de 1000 associados com presença em empresas de diferentes setores e tamanhos.

Visite o site da FAU:

https://www.fau.org/

Visite o site da Confederação Internacional do Trabalho (CIT):

https://www.icl-cit.org/es

LUTAFOB
24 DE AGOSTO DE 2020

https://lutafob.wordpress.com/2020/08/24/internacional-fau/


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