(pt) [Espanha] Por que a luta dos trabalhadores é necessária hoje? Reflexões sobre a luta sindical Por José Luis de Cima By A.N.A.

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Segunda-Feira, 30 de Novembro de 2020 - 08:44:53 CET


Os sindicatos ainda são ferramentas de luta de classe? Que desenvolvimentos vimos 
na última década? Há mais consciência de classe? ---- O tópico para reivindicar a 
atualidade raivosa de algum elemento de debate é hoje mais importante do que 
nunca. Entretanto, com relação à luta dos trabalhadores, é importante entender 
que esta forma de se referir a ela deixa algumas nuances importantes para trás. 
Analisar ideologicamente e com algum detalhe o estado das coisas é algo que 
devemos dar a importância que ele merece. Hoje não pode ser mais importante do 
que nunca para algo que nunca perdeu essa importância.
No que diz respeito à luta dos trabalhadores, as diferentes fases organizacionais 
do capitalismo contribuíram para disfarçar o conflito de classes com as condições 
gerais de vida da classe trabalhadora em um contexto de economia consumista no 
chamado estado socialista. Mas sob esse Estado social, agora extinto, que 
prestava amplos serviços sociais em troca de paz social, nunca deixaram de 
existir, por um lado, detentores dos meios de produção e distribuição de bens e 
serviços e, por outro, pessoas que não têm nada além de seu trabalho ou de sua 
capacidade intelectual e o colocam à venda no mercado de trabalho. Obviamente, 
isto se expressa de forma diferente em 2020 do que em 1840. E no ritmo voraz 
desta economia neoliberal, ela se expressa de forma diferente hoje do que em 
1990, ou mesmo em 2005. Mas ainda existem classes sociais, diferenciadas pelo 
lugar que ocupam na organização da economia. O que tem havido é uma progressiva 
perda de coesão no que antes era chamado de classe trabalhadora, para se tornar 
hoje um grupo que responde melhor ao rótulo de classe trabalhadora. Ainda há 
servidão e vassalagem no mundo do trabalho das democracias liberais, mas com 
uniformes brilhantes, dispositivos eletrônicos de última geração e, na melhor das 
hipóteses, salários modestos.

Os poderosos não perderam a coesão dessa classe. E, além disso, eles estiveram em 
meio a um contra-ataque após sua reação ideológica nos anos 80 e 90 (a onda 
neoliberal que passou dos EUA para o Reino Unido, e de lá para os países 
europeus). Especificamente, eles estão gerenciando um período de transição de 
mudança tecnológica que está transformando quase desesperadamente o setor de 
serviços, que até agora tem empregado o maior número de pessoas.

A luta dos trabalhadores é importante porque as condições materiais de vida da 
maioria da população dependem disso, e as condições gerais de vida dependem das 
condições materiais. Atualmente, temos um problema real de despejos, 
empobrecimento generalizado e corrupção política desenfreada, inédito em uma 
sociedade supostamente democrática.

Portanto, ainda é válido nos fornecer uma ferramenta organizacional, com uma 
perspectiva de classe, que é o Sindicato.

Para existir, ou seja, para ter sua própria personalidade, uma entidade deve se 
expressar e agir. Essa expressão e ação devem necessariamente ocorrer em alguma 
estrutura organizacional a partir da qual se deve ser e se definir. Para a classe 
trabalhadora, essa estrutura organizacional sempre foi o Sindicato. Não pode ser 
outra, devido à posição peculiar na economia que nós trabalhadores temos. Onde 
podemos ser fortes (ou fracos), onde podemos ter capacidade real, prática e 
concreta de agir, onde podemos estar, está precisamente nas empresas. Essas 
empresas, independentemente de sua forma e tamanho, acabam sendo as células 
primárias das quais o capitalismo se move, existe e evolui. Estes empreendimentos 
dão origem a uma série de poderes de classe e interesses econômicos; 
especificamente os da classe dominante (aquela classe formada pelos proprietários 
dos meios de produção e distribuição). Esses poderes e interesses da mesma classe 
compõem uma instituição, o capitalismo, que está em constante evolução e 
administrando a economia para manter sua posição privilegiada e sua capacidade de 
estabelecer as regras mais favoráveis a seus interesses de classe e de fazê-las 
cumprir. Bem, para os anarcossindicalistas, o Sindicato é aquela 
contra-instituição que, em defesa dos interesses da classe trabalhadora, deve se 
opor à instituição do capitalismo. Os sindicatos, agrupados sob os princípios do 
federalismo, são a instituição da classe trabalhadora.

A evolução da economia e dos próprios sindicatos não pode ser compreendida sem o 
grande pacto interclasse que ocorreu após a Segunda Guerra Mundial e que levou ao 
surgimento do Estado social. Neste período, que vem depois e é mais curto na 
Espanha, os sindicatos acabam se tornando meros órgãos de serviço e reguladores 
do descontentamento. Eles perdem seu papel de ponta de lança do progresso social, 
e se tornam um dos pilares fundamentais da desativação da classe trabalhadora 
como uma entidade com personalidade própria. Ao mesmo tempo, o triunfo cultural 
do capitalismo e a ascensão do pensamento pós-moderno diminuíram a existência da 
consciência de classe do lado das classes trabalhadoras e a dissolveram num mar 
de identidades e interesses individuais e circunstanciais. Os trabalhadores não 
se consideram mais como tal e deixam de pensar a longo prazo. Exatamente o oposto 
das classes dominantes que continuam a estar plena e felizmente conscientes de si 
mesmas e de seus interesses a curto, médio e longo prazo. Esta situação tornou-se 
gradualmente desequilibrada em favor da classe dominante, até que em 2007, após 
uma profunda crise sistêmica, a economia, como a conhecemos, foi desmantelada. 
Uma classe trabalhadora sem referências sindicais coerentes (o que na Espanha é 
conhecido como os sindicatos majoritários, todos são claros sobre o papel que 
desempenharam no desmantelamento e desarmamento ideológico da classe trabalhadora 
desde o final dos anos 70 até hoje), é reduzida ao papel de mero produto de uso e 
descartável em um ambiente de trabalho precário, com métodos de controle da força 
de trabalho de verdadeira servidão medieval. Perdeu seu tradicional aperto 
psicológico, fonte de ideias e projetos próprios, criador de desejo, que é a 
consciência de classe.

Esta paralisia sindical não pode ser compreendida sem analisar o papel que o 
modelo sindical vigente desempenhou. O choque de modelos que existe na Espanha 
entre o modelo de representação unitária e o modelo de representação sindical não 
é uma escolha simples entre as formas de funcionamento. Submeter a representação 
dos trabalhadores a um sistema eleitoralista (para eleger conselhos de empresa e 
delegados de pessoal), que retira o peso dos sindicatos como tal, significa 
garantir uma despolitização total da luta sindical nas empresas, por um lado, e 
uma divisão permanente dos interesses entre pequenas capelas sindicais com 
interesses muito simples e estreitos, por outro. E aqui, o firme compromisso do 
anarcossindicalismo na Espanha com o modelo de representação sindical é, em nossa 
opinião, a única forma atual de revitalizar o movimento operário. Quarenta e dois 
anos de história sindical sob a hegemonia do modelo unitário de representação 
demonstram por meio de fatos sua natureza ineficaz e desmobilizadora. Os vários 
interesses políticos em colisão no contexto da mal chamada transição espanhola 
tinham como principal preocupação o desmantelamento de qualquer indício de 
organização de trabalhadores que pudesse ser reivindicado a partir das empresas. 
É a partir desta premissa que temos que entender o impulso político e social e 
legislativo que o modelo sindical dos Conselhos de Empresa e Delegados de Pessoal 
teve (e tem).

E se é importante parar e avaliar o impacto que o modelo sindical tem quando se 
trata de defender os interesses da classe trabalhadora, é devido ao lamentável 
espetáculo que podemos ver atualmente em meio a uma pandemia, e que não é mais do 
que a consequência lógica das mudanças no mercado de trabalho e na economia em 
geral que ocorreram desde os anos 90. Um modelo ultrapassado, que não se adapta à 
realidade física e econômica das empresas, que não abrange as pessoas que 
trabalham em subcontratação, ou aqueles que trabalham na nova economia, ou os 
jovens que estão apenas entrando no mercado de trabalho; um modelo que representa 
cada vez menos pessoas; que não gera uma força de mobilização, mas vive o público 
concedido que tem nos escritórios dos empregadores e do governo da época, que 
sempre divide a força de trabalho por candidatos para que nunca faça uma frente 
comum... um modelo, em suma, que não pode projetar nenhuma ideologia e, portanto, 
não pode servir para construir aquela instituição a partir da qual a 
personalidade da classe trabalhadora é expressa.

O projeto sindical da CNT, o anarcossindicalismo, em seu aspecto ideológico mais 
amplo, baseia-se na preparação das classes trabalhadoras para poder assumir a 
gestão dos meios de produção e distribuição sob os princípios do comunismo 
libertário. E isso acontece, sob nossa ideologia e conteúdo programático, através 
do desenvolvimento da ação direta e da autogestão nas empresas, e do federalismo 
econômico na forma de organização como forma de construção de uma única 
Confederação de interesses. Isto só é possível através de um compromisso claro e 
decisivo com o modelo de representação sindical em oposição à representação 
unitária, como temos feito desde a legalização de nossa organização em 1977. Com 
nossos sucessos e nossos erros, mas com honestidade. E é isso o que estamos fazendo.

Fonte: 
https://nuevarevolucion.es/por-que-es-necesaria-la-lucha-obrera-hoy-reflexiones-sobre-la-lucha-sindical/

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana


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