(pt) federacao anarquista gaucha: Justiça por Beto! Nenhuma vida preta a menos! (en)

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Sexta-Feira, 27 de Novembro de 2020 - 09:13:05 CET


O dia da consciência negra não é uma data aleatória, é um dia que marca o 
assassinato brutal, sanguinário e covarde cometido pelo Estado brasileiro contra 
o líder revolucionário Zumbi dos Palmares. Zumbi, cuja a história é marcada por 
lendas e mitos, foi um herói e uma figura de destaque na construção de uma 
sociedade libertária, antirracista, anticolonial e fraterna chamada Quilombo dos 
Palmares, que serviu de refúgio a pretas e pretos que fugiam do horror da 
escravização. ---- O assassinato de zumbi, em 1695, é uma memória importante, 
pois também uma marca que não tem nada de passado e ilustra o jeito como estado 
capitalista brasileiro lidou e segue lidando com os corpos pretos, marca o 
processo de violência, perseguição, marginalização, tortura, segregação e 
genocídio a que são submetidas as populações negras, pobres e periféricas nesse país.

Neste dia da consciência negra que marca um ano em que tantos e tantas 
brasileiras - e, principalmente, tantos e tantas brasileiras negras - foram 
assassinadas por uma gestão racista e anti povo da maior crise sanitária da 
história, é também um dia marcado por mais um "caso isolado" do racismo 
brasileiro. Mais uma vez, uma empresa multinacional utiliza seus capatazes para 
perseguição, asfixia, tortura e assassinato de mais um homem negro.
Não se trata de um caso isolado, de um desvio de caráter e ou de um "excesso". O 
caso da vez tem tudo de Brasil: é a terceirização que tenta eximir a empresa de 
responsabilizações, são as "notas de pesar" cheias de cinismo, as investigações 
que negam o caráter racista do assassinato, é a corrupção policial à serviço do 
lucro privado, são as portas fechadase as viaturas em frente ao mercado por medo 
da resposta popular.

Trata-se de uma marca explícita, quase didática, de como operam as estruturas 
raciais nesse país, o último país do mundo a abolir o regime de escravidão, um 
país que jamais garantiu o direito de memória e de reparação aos povos 
escravizados, um país que assassina uma pessoa preta a cada 23 minutos, um país 
onde o sistema judiciário opera a serviço do capital fazendo uso de seu braço 
armado para sistematicamente exterminar os corpos e os territórios da juventude 
periférica.

Esse país não pode, em um dia tão importante para memória da luta do povo preto, 
produzir outra coisa senão mais do mesmo: um assassinato brutal em uma data 
simbólica.

Como uma organização política revolucionária que tem por objetivo a destruição do 
capitalismo e de todos os seus acessórios da dominação do povo, incluindo o 
sistema racista que consolida o Estado brasileiro, seguiremos na construção de 
uma indignação rebelde diante de mais esse caso; estendemos o nosso ombro em 
solidariedade radical não apenas a família de mais um gaúcho morto pela 
violência, mas também a todos e todas as pessoas negras vítimas do terror racista.

Erguemos nosso punho por Justiça e por reparação, exigimos que as mortes do povo 
preto não passem batido e não sejam em vão e que as vozes que se rebelam não 
sejam silenciadas. É com luta popular que se responde a agressão ao povo, é com 
ação direta radical que se dá resposta a todos os ataques que sofremos.

Hoje, às 18 horas, estaremos na rua de punho erguido, mas também de punho erguido 
estaremos todos os outros dias, vigilantes e construindo uma rede de indignação 
que seja capaz de criar a força popular necessária para pôr abaixo o sistema 
racista e colonial que impera nesse país.

Justiça por Beto

Nenhuma vida preta a menos

Toda a solidariedade ao povo preto

Federação Anarquista Gaúcha

Porto Alegre, 20 de novembro de 2020

https://federacaoanarquistagaucha.wordpress.com/2020/11/20/justica-por-beto-nenhuma-vida-preta-a-menos/


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