(pt) cnt nº 424. Dossiê Ecología Social - ECOFEMINISMO E REVOLUÇÃO SOCIAL Por CNT Vitoria-Gasteiz (ca, en, it) [traduccion automatica]

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Sexta-Feira, 27 de Novembro de 2020 - 09:12:54 CET


Nestes dias que escrevo, acabo de plantar a minha pequena horta e observo as 
plantas dos tomates, pimentos, abobrinhas e acelgas, um pouco murchas nas 
plantações, como se esticam e ficam verdes já no chão quando os rego. ---- 
Conceitos como soberania alimentar, ecofeminismo, Rojava vêm à mente. São dias 
estranhos e observar este pequeno jardim e vê-lo crescer também me ajuda a lidar 
melhor com esta situação que parece nunca ter fim. É como agarrar-se à vida, como 
se esta pequena experiência me fizesse sentir mais intensamente aquele importante 
elo com a terra e com o resto da humanidade. ---- Já se passaram 44 anos desde 
que o termo Ecofeminismo surgiu. E foi cunhado por uma mulher também anarquista: 
Françoise d'Eaubonne, filha de mãe aragonesa e pai anarco-sindicalista francês, 
que em 1974 relacionava a preocupação com o meio ambiente e a igualdade entre 
homens e mulheres como a base de uma nova sociedade. Escritora e pensadora 
francesa que em seu livro Feminismo ou Morte também introduz o termo Falocracia. 
"A Falocracia está na base de uma ordem que não pode deixar de assassinar a 
Natureza em nome do lucro, se for capitalista, e em nome do progresso, se for 
socialista." Nem mais nem menos.

O ecofeminismo é um movimento global que une o ambientalismo ao feminismo, 
denunciando a opressão das mulheres e a exploração da natureza e de outros 
animais como parte da mesma lógica de dominação patriarcal.

Já se passaram 44 anos desde que o termo Ecofeminismo surgiu. E foi cunhado por 
uma mulher também anarquista: Françoise d'Eaubonne, filha de mãe aragonesa e pai 
anarco-sindicalista francês, que em 1974 relacionava a preocupação com o meio 
ambiente e a igualdade entre homens e mulheres como a base de uma nova sociedade.

Ecologia e feminismo fazem sentido no contexto da evolução atual com uma força 
esmagadora. A Revolução Social Rojava baseia sua ideologia nestes princípios. Já 
não se trata tanto de assumir os modos de produção, mas de mudá-los radicalmente. 
Em Rojava, são as mulheres que organizam a vida. Cooperativas, hortas 
comunitárias, experiências educacionais, novas formas de organização crescem. 
Sempre respeitando a natureza e o meio ambiente. Eles desenvolvem o pensamento 
coletivo em Jineology, a ciência das mulheres.

Ynestra King, colega de escola de Murray Bookchin, foi quem sugeriu a ideia dessa 
posição histórica particular das mulheres dentro dessa forma de dominação 
masculina pelos homens. Desenvolva as ideias de Bookckin em um sentido 
ecofeminista. Ela organizou a primeira conferência ecofeminista em março de 1980 
"Mulheres e Vida na Terra", onde as conexões entre feminismo, militarização, a 
arte de curar e ecologia foram examinadas.

Também a ativista indiana Vandana Shiva, em Quem realmente alimenta o mundo?, 
aborda o conceito de "soberania alimentar" e se compromete a explorar um modelo 
de justiça e sustentabilidade agrícola.

O direito dos povos de se alimentar e de decidir o que querem produzir choca 
radicalmente com as políticas neoliberais que priorizam o comércio internacional. 
O sistema agrícola não visa alimentar as pessoas, mas produzir mais. Eles não 
contribuíram de forma alguma para a erradicação da fome no mundo. Ao contrário, 
aumentaram a dependência dos povos das importações agrícolas e reforçaram a 
industrialização da agricultura, colocando em risco o patrimônio genético, 
cultural e ambiental do planeta, bem como a nossa saúde.

O papel da mulher na defesa do meio ambiente em lugares emblemáticos como a 
América Latina tem sido fundamental. Pode-se até dizer que deste lado do mundo 
houve uma feminização das lutas sociais. O movimento feminista na Argentina, ou 
nomes como o de Bertha Cáceres, uma feminista e ambientalista hondurenha, 
destacam o importante papel do ecofeminismo para se organizar contra a nova ordem 
mundial que está chegando.

Os princípios da economia social visam aumentar os recursos das sociedades ao 
invés de explorá-los, e os princípios da igualdade garantem que a revolução seja 
feminista ou não.

No entanto, isso não significa tornar-se salvadoras do mundo, ou retornar ao 
conceito primitivo do retorno da mulher ao lar, ou à mística da maternidade. O 
oposto. Queremos participar na construção da paz de igualdade. É a socialização 
atual que nos inunda com papéis de gênero: trabalho doméstico, cuidado. Nada 
impede que os homens desenvolvam as capacidades para essas tarefas com tanta ou 
mais habilidade e afeto do que qualquer um de nós. É apenas o discurso do poder 
que adapta os gêneros aos seus caprichos e de acordo com seus interesses. 
Pretende-se dar ênfase ao individual versus coletivo, à competição em vez de 
compartilhar e cooperar, mas não é esse o caminho.

O aquecimento global e suas consequências devem nos fazer reagir e começar a 
trabalhar. Procuramos uma vacina que nos proteja da COVID-19, mas estamos 
destruindo a biodiversidade, derretendo os pólos, perdendo espécies e sementes de 
animais, queimando nossas matas e selvas, borrifando agrotóxicos, destruindo 
todas as proteções naturais. Ainda enfrentando novos vírus e catástrofes de todos 
os tipos, prevalecem o domínio patriarcal e o capitalismo de consumo, explorando 
recursos naturais, animais e pessoas sem medida.

Se caminharmos para o colapso, mais cedo ou mais tarde estaremos nele. Ou 
abandonamos este modelo de dominação e exploração ou estaremos condenados ao 
desastre. Considere, por exemplo, as tarefas nas quais gastamos nosso tempo. 
Viagens longas e desnecessárias que implicam níveis mais elevados de estresse, 
alta poluição e esgotamento de recursos, obsolescência planejada, dependência 
tecnológica, consumo exacerbado.

Os princípios da economia social visam aumentar os recursos das sociedades ao 
invés de explorá-los, e os princípios da igualdade garantem que a revolução seja 
feminista ou não. Porém, isso não significa tornar-se salvadoras do mundo, nem 
retornar ao conceito primitivo do retorno da mulher ao lar, nem a uma mística da 
maternidade.

O ecofeminismo propõe uma reformulação de tudo o que entendemos por trabalho e 
vida. O trabalho diário de hoje não serve para nos manter vivos ou com melhor 
qualidade de vida, pelo contrário, estamos testemunhando a degradação da vida.

Não podemos ficar impassíveis. Os anarquistas sabem muito bem que, se nos 
organizarmos, podemos conquistar o impossível. Não temos que provar nada, apenas 
mostre. Os coletivos surgidos em 1936 são um exemplo de Revolução Social que 
moveu o mundo. Agora nossos olhos ficam roxos e se alimentam de vida. É por isso 
que entre as nossas mensagens, nas entrelinhas, também se insinua aquela palavra 
que, como tantas outras, colocou o Eco à sua frente. Ecofeminismo. Ecologia e 
Feminismo. Dois ingredientes que nos mostram um novo horizonte. Como em Rojava. 
Nós apenas temos que agir.

Sierra Norte (Madrid) | Elena Martinez | Ilustra: Mamen Moreu

Postado na CNT

https://vitoria.cnt.es/blog/2020/11/19/ecofeminismo-y-revolucion-social/


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