(pt) Federação Anarquista Cabana FACA: Nota da Federação Anarquista Cabana sobre o apagão no estado do Amapá

a-infos-pt ainfos.ca a-infos-pt ainfos.ca
Domingo, 15 de Novembro de 2020 - 09:32:21 CET


O CAPITALISMO ESTÁ COLAPSANDO A VIDA NA AMAZÔNIA ---- Como é possível um estado, 
com população estimada em quase 862 mil pessoas, ficar sem energia elétrica por 
tanto tempo? O recente episódio de "apagão" só demonstra o descaso e o abandono 
para com o Norte do país. Boa parte do estado do Amapá sofre com o "apagão 
social" (para ser mais enfático); o povo pobre e periférico é o que mais sofre 
com este modelo neoliberal de privatização do setor energético, contexto em que 
as elites e as empresas transnacionais que monopolizam todo o acesso aos bens 
básicos agem para minimizar suas perdas e alavancar seus lucros com a destruição 
territorial.
No estado do Amapá, dos seus dezesseis municípios treze têm passado por muita 
dificuldade nos últimos dias - já não bastasse a crise de saúde pública 
ocasionada pelo Coronavírus e o negacionismo bolsonarista-, agora é a falta de 
energia elétrica que desencadeia uma série de outros problemas, desde falta de 
água potável, comida, combustíveis e demais produtos de primeira necessidade. E 
há quem diga que foi apenas por causa de um raio o motivo de tanto transtorno. Na 
verdade o raio que caiu gerando incêndio e paralisando todo o fornecimento de 
energia elétrica, só relevou a precariedade, o grau de fragilidade e, sobretudo, 
tamanha indiferença típica das empresas privadas que tomam conta, mais e mais, de 
setores fundamentais da sociedade hoje, por via das concessões estatais.
A causa desse transtorno é reflexo das privatizações do setor energético 
brasileiro. Vejam: a empresa Global Isolux Corsán (empresa espanhola que atua nas 
áreas de concessões, energia, construção e serviços para a indústria) desde 2015 
age na operação da linha de transmissão de 500kiloVoltscolocando o Amapá no 
Sistema Interligado Nacional (SIN) a partir da Usina Hidrelétrica de Tucuruí pelo 
trecho Tucuruí-Macapá-Manaus construída pela própria empresa, após ter ganho em 
um leilão no mínimo duvidoso, pois havia exigências diferentes para as empresas 
públicas e para as privadas. Ganhou o melhor preço cujo valor ficou muito abaixo 
do mercado.
A Isolux Corsán ganhou o leilão, pois não havia a exigência de sistemas de 
redundância, ou seja, equipamentos, maquinário e pessoal para repor e atuar em 
momentos dessa natureza. Cabe ressaltar algumas indagações: por que os 
transformadores reservas estavam tanto tempo (desde o ano passado) em manutenção? 
Porque o projeto não previu momentos dessa natureza sabendo do local em que se 
encontra a subestação e das peculiares condições meteorológicas da região 
amazônica? Por que o sistema de para-raios não funcionou?
Por conseguinte, não é só no Brasil que essa empresa ganha nas lacunas dos 
leilões de privatização. No Quênia, no leste africano, essa empresa privada 
prometeu construir a maior linha de transmissão de energia elétrica de alta 
tensão e uma das maiores da África, com uma extensão de 428 km e uma tensão de 
400 kiloVolts com valor de 142 milhões de euros, mas apenas 30% do combinado foi 
construído, abandonando o projeto. Prometeu ainda interligar a linha de 
transmissão do maior parque eólico da África que está sendo construído por outro 
grupo privado, Lake Turkana Wind Power, tudo financiado pelo Banco Africano de 
Desenvolvimento, projeto também deixado para trás.
Então, quem é que está garantindo o mínimo de normalidade no fornecimento de 
energia elétrica nos municípios atingidos? A Usina Hidrelétrica Coaracy Nunes, 
situada a 150 km de Macapá , que é de responsabilidade da Eletrobras, a maior 
empresa de geração elétrica da América Latina, cuja está sobre ameaça de 
privatização pelo desgoverno Paulo Guedes e Bolsonaro.
Na verdade a necropolítica desse desgoverno não se faz apenas matando diretamente 
as pessoas, como é feito por suas milícias, mas sobretudo deixando-as à própria 
sorte, na "boa" vontade dessas empresas, privatizando todo o modo de vida local, 
com esse modelo moderno colonial imposto para a Amazônia. Em pleno território 
amazônico, onde há diversos rios, onde há diversas hidrelétricas, as quais servem 
de commodities para o resto do país (existem 212 sistemas isolados, ou seja, 
sistema elétrico, que em sua configuração normal, não esteja conectado ao SIN e 
estão espalhados pela região norte, incluem-se nessa lista cidades pequenas e 
medias e uma capital Boa Vista (RR)). Não obstante, é nessa região em que se 
pagam as maiores taxas de consumo de energia, sem falar dos acordos feito pelos 
de cima, nos editais de privatização, que jogam a conta para o bolso dos de baixo 
quitar.
No momento em que a população desesperada em plena pandemia, sem renda, sem 
comida, sem água, sem condições de vida digna é jogada à própria sorte, em uma 
sociedade em que tudo é feito por meio eletrônico, as pessoas são submetidas a 
mais uma humilhação e desprezo,... Por isso, nós gritamos.....
Chega de exploração, descaso e abandono!
AMAPÁ PEDE SOCORRO!
SÓ O POVO SALVA O POVO!
CONTRA A EXPLORAÇÃO IMPOSTA PELO CAPITALISMO E PELO MODELO COLONIAL!
RODEAR DE SOLIDARIEDADE AS E OS QUE LUTAM POR VIDA DIGNA NA AMAZÔNIA!

https://www.facebook.com/facacab/photos/a.104174717937030/210013947353106/


Mais informações acerca da lista A-infos-pt