(pt) OASL: A Coordenação Anarquista Brasileira frente às eleições de 2020

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Segunda-Feira, 9 de Novembro de 2020 - 08:32:00 CET


Atuamos em função da construção do Poder Popular. O que isso significa? Significa que onde há militantes da CAB, há um trabalho para 
promover o protagonismo das classes oprimidas nos assuntos que lhes dizem respeito e nas necessidades do conjunto da classe trabalhadora. 
Isso se expressa na participação e discussão desses assuntos, na ação direta para conquistá-los e na autoorganização popular para mantê-los. 
Ou seja, construir ou reforçar movimentos populares com democracia de base, independência de classe nos diferentes setores e lugares em que 
há oprimidos e oprimidas. É nesse processo coletivo fundamental que apostamos para mudar a correlação de forças da atual etapa.

Estrategicamente queremos que a autoorganização popular, traduzida em autogestão e democracia direta, substitua o Estado e o Capitalismo. 
Que a gestão econômica, política e social seja feita diretamente pelas classes oprimidas. Taticamente, promover toda e qualquer iniciativa 
que caminhe nesse sentido. Ou seja, ações em que as pessoas participem, discutam coletivamente, tomem decisões e lutem diretamente por 
objetivos coletivos de maneira classista, combativa, com independência de partidos e empresas e com protagonismo dos principais interessados.

É por isso que nós anarquistas da CAB descartamos as eleições burguesas, pois elas não cumprem esse objetivo. Elas são uma farsa, um jogo de 
cartas marcadas, um meio que os de cima se valem para passar a sensação de que há mudança quando na verdade o núcleo duro do sistema de 
dominação se mantém intacto. Junto a isso, há a ilusão promovida por setores da esquerda institucional de que as eleições são um momento 
para falar de revolução, para mostrar as contradições do capitalismo e para difundir o programa socialista. É uma tática, dizem eles. Tática 
que produz ilusões, como se os problemas do nosso povo pudessem ser resolvidos no marco desse sistema. Ou como se os problemas da população 
tivessem relação com o calendário eleitoral. Táticas que produzem o atrelamento dos movimentos populares e dos sindicatos às agendas da 
democracia burguesa, às negociatas dos gabinetes, ao ritmo e política das instituições burguesas. Política que transforma lutadores em 
burocratas políticos, militantes em gestores do capitalismo, apoiadores das lutas em simples curral eleitoral. E ao tentarem "disputar" o 
Estado, essas forças da esquerda reformista, na verdade, são colonizadas pelo próprio Estado, que é o espaço onde os ricos e poderosos se 
organizam por excelência.

Então, o que nós da CAB propomos?

Nós das classes subalternizadas vivemos mais um momento difícil. As condições de vida têm piorado, em função de uma série de questões: 
retirada de direitos trabalhistas, aumento do custo de vida, deterioração acelerada nas condições de trabalho, o que significa trabalhar 
mais e ganhar menos, além da piora dos serviços públicos. Junta-se a isso a pandemia, as centenas de milhares de mortes, aumento das 
violências de gênero e racial e o aumento do desemprego (que já era grande). De quem é a responsabilidade? Estruturalmente do capitalismo e 
de seus agentes políticos e econômicos, conjunturalmente do governo de turno.

As concessões que o sistema fez durante os governos petistas, onde essa esquerda institucional fez alianças com os nossos inimigos 
(oligarquias políticas, patrões, banqueiros, etc.), e que se traduziram em políticas sociais, têm sido rapidamente desmontadas desde o 
impeachment de Dilma. O projeto ultraliberal do governo Guedes-Bolsonaro tem aprofundado esse desmonte. Trata-se de um governo que combina 
conservadorismo, neo-liberalismo, centralização política e militarização da vida social. É um governo que na conjuntura busca avançar de 
forma ofensiva naquilo que temos chamado de Estado Policial de Ajuste para caracterizar o momento político e social do país a longo prazo. 
Essa etapa do Estado capitalista é um produto do fim da conciliação de classes e não será resolvido ou modificado de acordo com as eleições. 
A política do corte dos direitos e do ajuste é uma razão de Estado que ultrapassa esse período eleitoral. Daí as reformas (trabalhista, da 
previdência, administrativa) que destroem os poucos direitos das classes oprimidas, a presença cada vez maior dos militares nas instituições 
políticas, a ofensiva conservadora em diversas áreas, o discurso anti-científico, a austeridade fiscal. A tutela militar deste governo prova 
que as classes dominantes não aceitarão "reformas" pela via eleitoral, mas que se mobilizarão para aprofundar o modelo econômico reforçado 
no final de 2015 e em 2016.

Bolsonaro não é um louco isolado que aplica uma política particular. Ele é a expressão de um fenômeno que o transcende (o bolsonarismo) que 
possui relação ideológica com a classe dominante brasileira e latino-americana e em parcelas do nosso povo e que traduz sentimentos, 
aspirações e confusões das classes oprimidas em uma política que conseguiu vencer eleitoralmente. Nesse sentido, as eleições que deram a 
vitória para Bolsonaro são mais a cereja do bolo do que o bolo em si. Elas são o resultado da desmobilização dos movimentos populares pela 
tecnologia do reformismo, são o resultado da pacificação da combatividade dos movimentos em troca de gabinetes e votos. Mudar a correlação 
de forças, vencer esse projeto genocida e criar as condições para que enquanto classes oprimidas possamos ter mais voz nas decisões dos 
assuntos que nos afetam, tem mais relação com o que fazemos todos os dias do que com essa e com todas as eleições em si. A recente história 
do continente latino-americano provou que o golpismo é a ferramenta política desse período. Ferramenta que já foi utilizada em outros 
períodos históricos, mas hoje é aplicada com outros mecanismos policiais, judiciários e com uma extrema-direita associada às classes 
dominantes latino-americanas.

Assim, o que o nosso projeto propõe é mobilizar os diversos setores das classes oprimidas, pois só com luta popular teremos condições de 
impedir essa ofensiva neoliberal e conservadora, e organizar estes mesmos setores de forma autônoma e independente, pois a participação 
popular demanda espaços e formas organizativas de base e é condição para que a política deixe de ser assunto de profissionais e passe a ser 
algo cotidiano nas vilas, locais de trabalho e de estudo. Nossa organização política trabalha para isso e as eleições não favorecem essa 
construção, pois desvia energias militantes, estimula ilusões da política burguesa e atrela os movimentos ao personalismo de candidaturas ou 
à politicagem dos gabinetes eleitorais. Além disso, as eleições são, em grande medida, determinadas pelo poder material da classe dominante, 
que mobiliza seus aparatos financeiros e midiáticos para garantir sua vitória. Dos 10 partidos que mais recebem do montante do fundo 
eleitoral, 8 podem ser descritos strictu-sensu como partidos de direita, e com muita generosidade podemos incluir o PT e o PDT como partidos 
de centro-esquerda. As eleições também degeneram e desmoralizam lutadores sociais sinceros que se entregam nas campanhas da esquerda 
institucional, ao se associarem em coligações eleitorais com aqueles setores políticos que se colocaram contra os direitos da classe 
trabalhadora.

Desde o início de 2020, nós da CAB trabalhamos dentro dos movimentos populares que atuamos com a Campanha de L

https://anarquismosp.wordpress.com/2020/11/03/a-coordenacao-anarquista-brasileira-frente-as-eleicoes-de-2020/


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