(pt) A PLEBE Nº 101 - 1º de Maio de 2020 - Órgão de Divulgação da Federação Operária de São Paulo - FOSP/COB-ACAT/AIT

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Quarta-Feira, 6 de Maio de 2020 - 06:09:21 CEST


Tudo começou com a grande Greve Geral dos trabalhadores norte-americanos iniciada no dia 1º de Maio de 1886, em Chicago, pela Redução da 
Jornada de Trabalho - então de 14 a 16 horas diárias, sem direito a repouso, pediam a Jornada de 8 horas diárias, por 5 dias da semana. SIM, 
É O QUE HOJE TEMOS COMO DIREITO BÁSICO! Conquistamos esse e outros direitos com a luta! Desde 1886 os trabalhadores de todo o mundo passaram 
a, em todo 1º de Maio, decretar GREVE E GERAL e se manifestar pela Redução da Jornada de Trabalho. Hoje, em meio a nova Peste, a Pandemia de 
COVID19 (este foi o ano em que o verme chegou ao poder), foi abrupt amente c onvocada - pelos governos estaduais - uma paralização geral da 
economia, o fechamento do Mercado para realizar a PREVENÇÃO, detendo o avanço desenfreado da difusão do SarsCov2, um vírus com alta taxa de 
mortalidade - dada a sua rápida difusão.

A grande ironia de tudo isso é que vemos: os governos paralisando os mercados, socorrendo os miseráveis - ao mesmo tempo que leva a 
quebradeira da pequena-burguesia - toma a iniciativa da quarentena para salvar o próprio Capitalismo: o proletariado é de onde a burguesia 
retira a mais-valia que alimenta sua riqueza pessoal, bem como sustenta o próprio Estado. Setores do Capitalismo Selvagem (incluída as 
Milícias e o Garimpo clandestino) defendem a volta ao trabalho, a todo custo, pois pensam apenas na mais-valia que não podem arrancar de 
seus empregados em quarentena. E a pérola do bolo de todas as discussões e golpes políticos se dev e a um v írus, uma coisa que nem ser vivo 
é! Olha a fragilidade do Sistema...

Mas, com a desculpa de combater a Peste, se leva a cabo a destruição de diversos direitos da classe operária. Se cortam salários, devido a 
diminuição da Jornada de Trabalho (mostrando a importância da reivindicação do SINDIVÁRIOS-SP-FOSP/COB-ACAT/AIT lutando pela REDUÇÃO DA 
JORNADA DE TRABALHO PARA 6 HORAS/DIA-30 horas semanais - sem redução de salários), mostrando que é em torno disso que a classe trabalhadora 
deve lutar para impedir a destruição de direitos! Os burgueses participam das decisões do governo, nós, trabalhadores exigimos nossos direitos!
Aos que tem que manter trabalhos essenciais e que continuam trabalhando normalmente, como os trabalhadores da Saúde, especialmente 
envolvidos com a crise hospitalar, deve-se lutar pela melhoria de suas condições de trabalho, através da oferta de Equipamentos de Proteção 
Individual (EPI), através da Solidariedade Ativa - ao mesmo tempo que tem de ser convocada uma grande Greve Geral se o governo fascista de 
Bostonaro suspender a quarentena - oque levaria a um crescimento exponencial da curva de difusão do Covid19, e assim a morte de milhares de 
pessoas.
Outra coisa que a Peste do Covid19 desnudou, foi a farsa da famigerada Reforma da Previdência que elevou a idade de aposentadoria de 60 para 
65 anos/70 anos - com o falso argumento da elevação da perspectiva de vida que um burguês pode ter, dizendo que podíamos viver até os 80 e 
tantos. Somos sobreviventes, quem chegou ao 60 e quem ainda está vivo. A doença evidenciou a fragilidade de quem tinha mais de 60 anos, as 
principais vítimas da viremia - devido a queda de sua imunidade e ao acúmulo de morbidades. A nossa Greve deve também reivindicar a 
diminuição da idade mínima para aposentadoria, respeitando a leis de libertação dos Sexagen ários, de 1886.

ERAM TODOS ANARKISTAS

É importante resgatar a memória do 1º de Maio e recuperar a história para entender que o Dia do Trabalho não é dia de festas é o dia de 
lembrar nossos mortos, dia de luto e de luta! Ao contrário do que os partidos, os sindicatos pelegos, os burgueses e os Estados tentam nos 
fazer acreditar com seu revisionismo histórico, o primeiro de maio< /i> é um dia de origem anarquista, decorrente das agitações pela jornada 
de trabalho de 8 horas, à qual os Mártires  de Chicago deram suas vidas.

No dia 01 de maio de 1886, as ruas de Chicago foram tomadas pelo povo, em protestos e greves cujo objetivo central estava na redução da 
jornada de trabalho. Chicago, na época, era o principal centro de agitação política dos EUA e os anarquistas exerciam a maior influência no 
movimento. De acordo com o relato de um jornal da época "não saia qualquer fumaça das altas chaminés das fábricas e dos engenhos, e as 
coisas assumiam uma aparência de sabá (o sábado judeu)". Entre 80 e 90 mil pessoas saíram às ruas em apoio ao crescente movim ento som ente 
na cidade de Chicago. Grandes manifestações com mais de 10 mil pessoas também aconteceram em Nova York e Detroit. Aconteceram reuniões e 
comícios em Louisville, Kentucky, Baltimore e Maryland. Estima-se que por volta de meio milhão de pessoas tenha tomado parte nas 
manifestações do Primeiro de Maio nos EUA. Estima-se também, que por volta de 1200 fábricas entraram em greve em todo o país em apoio ao 
movimento. O protesto do dia 04 de maio aconteceu na Praça Haymarket, e nele discursaram além de Spies, Albert Parsons, tipógrafo e 
militante anarquista, e Samuel Fielden, imigrante inglês, operário da industria têxtil e também militante anarquista. Os discursos pediam 
unidade e continuidade no movimento. Havia aproximadamente 2500 pessoas no local, que até o momento faziam um protesto pacífico, tão 
pacífico que o prefeito Ca rter Har rison, presente no início dos discursos, afirmou que "nada do que acontecia, dava a impressão de haver 
necessidade de intervenção da polícia". Já no final da noite, o mau tempo contribuía para que houvesse apenas umas 200 pessoas na praça. Com 
a ordem de dispersar a manifestação imediatamente, um grupo de 180 policiais chegou ao local. Apesar de Spies ter dito que os manifestantes 
eram pacíficos, a polícia iniciou o processo de dispersar o ato. Foi nesse momento que uma bomba explodiu em meio aos policiais, matando 
sete e ferindo aproximadamente 70. A polícia imediatamente abriu fogo contra a população, sendo responsável por incontáveis mortes. Alguns 
relatos falam em 100 mortos e dezenas de presos e feridos. Ninguém nunca soube se quem jogou a bomba foram os manifestantes ou a própria 
polícia, para incriminar o movimento.

A COB QUE QUEREMOS

Confederação Operária Brasileira (COB) foi uma iniciativa discutida no Primeiro Congresso Operário Brasileiro, em 1906, no qual estiveram 
presentes quarenta e três delegados, representando vinte e oito associações. Havia diferentes linhas políticas no seu interior, 
representadas por ativistas de orientações diversas, a saber: reformistas, socialistas e muitos sindicalistas anarquistas. Era formada por 
federações nacionais de indústria ou de ofício, federações locais e estaduais de sindicatos, sindicatos isolados em locais onde não existiam 
fed era&cced il;ões ou de industrias e ofícios não federados. A despeito das dificuldades de se constituir em âmbito nacional, atuava no 
sentido de coordenar e aglutinar associações de trabalhadores de várias regiões do Brasil, o que conseguiu em relação a São Paulo, Alagoas, 
Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Ceará e Pernambuco e de diferentes orientações e funções, como as de ofício ou DE 
OFÍCIOS VÁRIOS.
Descentralizada, a partir de suas Bases de Acordo, era uma organização viva, sempre atacada pela patronal e pelo Estado. Em 1907 organizou a 
Greve Geral da Construção Civil, de abrangência para todo o Brasil - sendo a primeira categoria a conquistar a Jornada de 8 horas/dia. Por 
conta dessa greve nacional a COB foi perseguida, levando a sua desestruturação momentânea. Em 1913 realiza no Rio de Janeiro o Segundo 
Congresso Operário Brasileiro, onde em meio ao clima de Guerra Mundial - que eclodiria em 1914 - se lança num movimento pela paz mundial e 
em defesa das reivindicações dos trabal hadores, lançando a proposta de organização de greves pela Jornada de 8 horas para todos os 
trabalhadores.
O 1º de Maio de 1917 é marcado pelo chamamento da Greve pelas 8 horas, que eclode em junho em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Porto 
Alegre. As Greves Gerais desses três estados levam a conquista da Redução da Jornada para 8 horas/dia, além de um dia de descanso semanal, 
assistência médica, regularização do trabalho de mulheres e proibição do trabalho de crianças, etc. A agitação sindical continua, em meio a 
epidemia da Gripe Espanhola, em 1918 e, em 1919, sem quarentena e com milhares de vítimas na classe trabalhadora, a COB chama a grande Greve 
Geral nacional - q ue leva a manifestações com mais de 20.000 pessoas em Belém do Pará. A Greve Geral é novamente vitoriosa e estende as 
conquistas das Greves de 1917 para todos os trabalhadores do Brasil.
A luta continua e o caminho ainda é o mesmo, o trabalhador organizado em sindicatos revolucionários, federações operárias regionais e na 
Confederação Operária Brasileira, sem partidos e sem patrão, de ação direta e horizontal, assembleária, na construção da AUTOGESTÃO 
GENERALIZADA  e do Comunismo Libertário.


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