(pt) luta fob: SIGA-RJ / Chega de Escravidão Nº8 - Pelo direito à saúde, ao trabalho e à renda

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Terça-Feira, 30 de Junho de 2020 - 08:27:01 CEST


Boletim do Sindicato Geral Autônomo do Rio de Janeiro | Edição Especial em tempos de pandemia | número 8  | Junho de 2020 ---- Editorial: 
pandemia se alastra pelo interior do país. Povo sofre um pandemônio. ---- Na terça feira, dia 23 de junho, o Brasil atingiu a terrível marca 
de 1.151.306 casos do novo coronavírus (Sars-Cov-2), com 52.760 mortes em decorrência da Covid-19. No domingo, dia 21 de junho, foi também 
dia de manifestação antifascista em São Paulo e em Brasília, liderado principalmente por membros de torcidas organizadas. ---- Em meio a 
pandemia e vivendo o pandemônio para conseguir sobreviver e sem direito ao isolamento, somos aqueles que mais sofrem as consequências da 
crise sanitária e social. Somos os mais vulneráveis à Covid-19, estamos perdendo as fontes de renda e nossos empregos, e a justiça no Brasil 
tem ficado ao lado dos empresários e políticos na retirada de direitos.

O governo genocida de Bolsonaro-Mourão quer a todo custo acabar com o isolamento social, e governadores e prefeitos começam com as medidas 
de flexibilização para voltar ao "normal". Mas para nós, a "normalidade" da violência terrorista do Estado, do genocídio do povo negro das 
favelas e periferias, sempre se manteve. A máquina de matar do Estado burguês não nos deu qualquer trégua.

O  governo Bolsonaro-Mourão-Guedes é mais um governo que traz morte, miséria e desemprego. E no meio da pandemia ainda temos visto a máquina 
do estado produzir mais corrupção na compra de equipamentos que deveriam salvar o povo, como é o caso do governo Witzel e dos militares que 
recebem 600 reais que muitos que deveriam receber sequer conseguem ter acesso ao auxílio.

Na linha de frente contra o COVID, profissionais de saúde enfrentam péssimas condições de trabalho.

Médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e outros profissionais que atuam no combate ao coronavírus vivem o dia a dia do combate ao coronavírus 
com um alto risco de contaminação derivado da falta de equipamentos básicos de proteção individual como mascaras N95, aventais, escudos de 
proteção para a cara e luvas, além das péssimas condições de descanso entre plantões.

No boletim divulgado pelo Ministério da Saúde, em meados de Maio, o número de profissionais infectados era de 31.790, com 199.768 sob 
suspeita. No Estado do Rio de Janeiro, 4.451 profissionais de saúde tinham confirmado a contaminação por coronavírus. Tendo em vista que 
esses números são de Maio, podemos prever um número de contaminados muito maior.

Fora as já conhecidas condições precárias de trabalho, os profissionais tiveram que enfrentar a nova epidemia no contexto da política 
genocida do governo Bolsonaro e das práticas de corrupção do governo Witzel, no caso do RJ, com as compras irregulares de equipamentos que 
nunca chegaram, ou os hospitais de campanha sem condição alguma de operação.

Segundo relatos de profissionais, o Hospital de Campanha do Maracanã não apresentava as condições para o atendimento eficaz dos pacientes 
com a ausência de medicamentos necessários para a entubação, ventiladores que não funcionavam, ausência de caixas de descarte de material 
sensível. Além da ausência de área de descanso com camas para os enfermeiros e fisioterapeutas plantonistas que atuavam no regime de 12/12.

Greve de Entregadores de Aplicativos

Está marcado para o dia primeiro de Julho, às 9 da manhã, uma greve nacional de trabalhadores de aplicativos. Organizados de forma autônoma 
e pela base, através de comitês locais em todo o país, alguns se intitulando como "Entregadores Antifascistas", estão mobilizando grande 
parte dessa categoria que é ainda desacreditada por muitos da esquerda eleitoral enquanto categoria com potencial de luta e vitórias. Seja 
de moto ou de bicicleta, esses trabalhadores correm muitos quilômetros por dia entregando comida e outros itens para ganhar uma gorjeta dos 
aplicativos. Esses aplicativos de celular são uma nova forma de explorar a mão de obra dos trabalhadores.

O dono do aplicativo fica com o lucro, os trabalhadores ficam com os riscos (financeiros e de vida), suor e migalhas. Quem compra a moto e 
tem que pagar o mecânico se ela quebrar é o entregador, então porque a taxa do aplicativo é tão grande? O custo de manutenção do serviço do 
aplicativo (manter os servidores funcionando) não é tão grande quanto as taxas cobradas. O lucro do dono do app suga o que seria o salário 
do entregador. Eles não tem nenhum direito trabalhista, já que não são considerados trabalhadores pelas empresas e pelo judiciário. São 
colocados como empreendedores, parceiros. Que parceria é essa que o entregador leva, o dia inteiro, várias comidas que ele mesmo não tem 
dinheiro para comer, enquanto os donos dos aplicativos e restaurantes podem ter o que quiserem? A verdade é que são explorados, são sim 
trabalhadores sem o devido reconhecimento e direitos. Os entregadores não precisam do patrão. O patrão precisa dos entregadores. A pandemia 
mostrou que nenhuma cadeira de patrão é serviço essencial, afinal o patrão estava tranquilo em casa. Em falar em pandemia, os entregadores 
foram umas das categorias que aumentaram a quantidade de trabalho nesse período de crise, e a própria categoria aumentou em número de 
tralhadores, pois muita gente que ficou sem emprego e renda (os trabalhadores terceirizados em geral foram demitidos em massa e os informais 
ficaram sem renda) precisou recorrer ao que tivesse as suas mãos para conseguir ter do que viver. Estiveram expostos ao corona vírus sem 
receber nenhum tipo de apoio das empresas, e se ficassem doentes, ficavam sem auxílio nenhum. Por tudo isso, a luta é por dignidade e 
visibilidade, pela verdade de serem considerados trabalhadores e terem os direitos garantidos. As revindicações principais são:

por aumento nas taxas dos entregadores (diminuindo a taxa dos aplicativos por exemplo),
garantia dos direitos trabalhistas e melhoria na qualidade de trabalho (um exemplo é a criação de postos de parada com banheiros, água e 
carregadores de celular, além do fim dos bloqueios indevidos de conta).
Uma questão interessante que está sendo levantada pelos Entregadores Antifascistas é a conexão direta do entregador com o consumidor, sem o 
intermediário (dono do aplicativo). Isso é possível atualmente com a troca de contato entre as duas partes. Ligando direto pro entregador, o 
consumidor paga um dinheiro mais justo pela entrega. Mas a ideia deles vai além, e se o aplicativo pertencesse aos próprios entregadores?

Essa mobilização atual da categoria é só uma primeira batalha. Está funcionando muito bem para que os próprios entregadores se organizem 
enquanto categoria em luta, para assim seguirem batalhando por seus direitos daqui em diante. Assim, já são um exemplo de como a luta pode 
ser travada por fora da lógica sindical reformista, assim como foi a vitoriosa mobilização dos garis em 2014, que conquistou todas suas 
reivindicações. Porém, a partir dessa experiência dos garis, que fique a lição para todos nós trabalhadores, mesmo mobilizações vitoriosas 
de uma categoria requerem um avanço também organizativo, caso contrário as vitórias são apenas pontuais e momentâneas. Os comitês locais que 
estão se formando podem ser justamente o início dessa organização permanente e nacional dos entregadores. Todo apoio a greve dos 
entregadores! Filie-se ao Sindicato Geral Autônomo do Rio de Janeiro.

Ps: Procurem por Entregadores Antifascistas nas redes sociais para acompanhar a mobilização. Cada localidade tem sua própria página. No Rio 
tem o @entregadoresantifascistasrj no Instagram.

Assassinatos cometidos pelas forças policiais bate recorde nos primeiros meses do ano

Segundo informações do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP-RJ), as forças policiais fluminenses mataram em todo o estado 
741 pessoas nos os cinco primeiros meses de 2020. Esse verdadeiro massacra superou os 732 assassinatos promovidos por policiais no ano 
passado e, consequentemente, se tornou a maior marca histórica em 22 anos.

Entre as 741 vítimas do terrorismo de Estado, os casos do menino João Pedro Mattos, de 14 anos, de Rodrigo Cerqueira, jovem de 19 anos, 
morador e trabalhador da região da Providência, Centro do Rio de Janeiro, de Iago César, 21 anos, morador da favela de Acari, Zona Norte do 
Rio de Janeiro, e do jovem João Vitor Gomes da Rocha, de 18 anos, na Cidade de Deus, Zona Oeste da cidade, provocaram imensa revolta.

Essa realidade não nos deixa dúvidas. Está em curso um genocídio, bem planejado e estruturado com um alvo bem definido: a população pobre, 
negra e trabalhadora do Estado do Rio de Janeiro. Por isso, exigimos o fim do povo genocídio, favelado e das periferias! Exigimos justiça 
com a punição de todos os assassinos!

Flexibilização: mais lucros para os ricos, mais riscos para a classe trabalhadoras

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, e o prefeito da cidade do Rio, Marcelo Crivella, estão implementando as medidas de 
flexibilização da quarentena, com a reabertura do comércio, circulação de ônibus entre os municípios do interior e a capital, liberação de 
áreas públicas de lazer, entre outras.

Entretanto, o número de casos de Covid-19 só aumenta em todo o estado. No dia 16 de junho, total de casos confirmados era de 83.343 e 7.967 
mortes. No dia 23 de junho, informações disponíveis às 12h, os infectados chegavam à 97.572, um aumento de 14.229 novos caso, e as mortes 
chegaram à 8.933, um aumento de 966 novas vítimas fatais.

Além disso, o governo do estado anunciou seu terceiro secretário de Saúde, Alex Bousquet no dia 22 de junho, depois que Fernando Ferry pediu 
exoneração. Ferry ficou pouco mais de um mês no cargo e tinha substituído Edmar Santos, demitido depois das denúncias de corrupção.

As denúncias de corrupção na secretaria estatual de Saúde envolvem superfaturamento na compra de aparelhos e também na construção dos 
hospitais de campanha, administrados pela organização social Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas). O governo Witzel 
prometeu a construção de sete hospitais de campanha, mas somente dois estão funcionando de maneira precária, como tem denunciado os próprios 
trabalhadores da saúde.

Os problemas com a flexibilização da quarentena são apontados em estudos realizados pela Comissão de Acompanhamento sobre o Coronavírus da 
Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro). Segundo a Comissão, o Rio de Janeiro tem a taxa de letalidade da Covid-s19 mais alta do 
país, com 9,6% dos casos chegando a óbito, sendo que a média nacional é de 4,9%, pelos dados do Ministério da Saúde. Os estudos ainda 
destacam a alta taxa de mortalidade pela doença na Baixada Fluminense, de 11,7%.

É fato que não existe nem segurança sanitária, nem condições de saúde pública adequadas para flexibilizar a quarentena no Rio de Janeiro. O 
governador e o prefeito da capital estão simplesmente atendendo aos interesses dos ricos, que acham que estão tendo prejuízos econômicos. 
Para os ricos e poderosos, nós somos mera força de trabalho, nossos vidas são menos importantes do que seus lucros.

Liberdade para Sinha

Mais um caso de racismo. O trabalhador negro do Hospital Federal do Andaraí e estudante de Educação Fisíca, Wilton Oliveira da Costa, 33 
anos, conhecido como Sinha, morador do Novo Engenho e que dá aulas de futebol no Morro do Encontro, no Complexo do Lins, na zona norte da 
cidade do Rio de Janeiro foi preso em 12 maio acusado de roubo.

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro acusa Wilton de roubo com arma de fogo ao lado de duas pessoas,. O roubo aconteceu em 25 de 
janeiro de 2018. Os outros dois réus foram presos pelo crime, mas absolvidos em 30 de julho de 2019. No dia 25 de janeiro Wilton saiu do seu 
as 16h e às 17:26 estava em casa.

  Em maio desde ano, Wilton foi preso pelo crime, e agora está no presídio Ary Franco, no bairro de Água Santa, a prisão com mais infecção 
com coronavirus no estado do Rio de Janeiro.

Uma campanha nas redes sociais com a tag #SinhaLivre recebeu inúmeras postagens, quando amigos de Wilton trouxeram o caso à tona. Ontem 
aconteceu um ato pela liberdade de Wilton, depois que um primeiro Habeas Corpus foi negado.

Liberdade para Sinha!!

Pelo Brasil

Rodoviários

Trezentos trabalhadores da viação Util e Sampaio, do grupo Guanabara de Jacob Barata, foram demitidos na última semana e as rescisões dos 
direitos trabalhistas vão ser divididas em até 12 vezes. Um verdadeiro absurdo. Expropiar os ônibus!!

Frigoríficos

A Justiça do Trabalho do Paraná determinou hoje a suspensão de todas as atividades presenciais do frigorífico Avenorte Avícola, em Cianorte, 
Paraná, por 14 dias. São 193 trabalhadores e trabalhadoras contaminados só nesse frigorifio. Greve Pela Vida!!

Veja mais  Frigoríficos propagam vírus pelo Interior do País

LUTAFOB
24 DE JUNHO DE 2020
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https://lutafob.wordpress.com/2020/06/24/siga-rj-chega-de-escravidao-no8/


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