(pt) CAB anarquista: Transporte público e a pandemia

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Sábado, 13 de Junho de 2020 - 08:42:38 CEST


A pandemia do Covid-19 apenas aumentou o drama da grande maioria do nosso povo que usa dia a dia o transporte público das grandes cidades do 
país. Já não bastasse ter que enfrentar a super lotação - além do preço caro das passagens - agora ela é um fator que coloca nossa saúde em 
risco. Para garantir o lucro das máfias empresariais do transporte, motoristas, cobradores, condutores e trabalhadores que usam diariamente 
ônibus, trem e metrô para ir ao trabalho, arriscam sua saúde. ---- Nossa luta em defesa de outro modelo de transporte, verdadeiramente 
público, não é recente. Há décadas temos questionado esse modelo existente na maioria das cidades brasileiras que garante riquezas para os 
de cima e precariedade para os de baixo. E também não é de hoje nossa luta por melhores condições de trabalho e por salários dignos.

Nessa pandemia, temos visto as coisas se agravarem. Se, por um lado, o transporte público deveria funcionar apenas em função dos serviços 
essenciais - que não podem paralisar suas atividades - por outro, milhares de trabalhadores que não recebem auxílios substanciais dos 
governos e não tem garantido o direito de manter distância social ou de trabalhar em suas casas se veem obrigados a encarar a mesma rotina 
de ônibus, metrô e trem.

Mas agora, como antes, não há uma política que reorganize o transporte público em função dos direitos de acesso aos equipamentos públicos da 
cidade, de seu conforto, de medidas sanitárias e da saúde e proteção das pessoas. O que temos visto em várias cidades do país é: 
superlotação, linhas de ônibus sendo suspensas, tempos de espera aumentados. Ou seja, mais e mais precariedade.

A estes trabalhadores, o que resta é o uso das máscaras e a torcida para que o vírus não lhes alcance. Porque em um cenário como esse, não 
há distanciamento social e preservação da saúde possível. É como dizia um meme circulando por ai: os que andam de carrão querem que vamos 
trabalhar em ônibus superlotados porque a economia não pode parar.

Entre escolher passar fome e arriscar nossa saúde, não escolhemos nada. Porque na verdade não existe escolha. Seguimos trabalhando e 
arriscando nossa saúde e ponto final. Neste momento, o transporte de milhões de pessoas não é a garantia do direito de ir e vir, como de 
forma oportunista os apoiadores de Bolsonaro defendem, e sim expor todos e todas a um perigo que poderia ser evitado.

O que precisa ser posto contra a parede continua sendo o modelo de transporte, que:

não é verdadeiramente público;
enriquece máfias empresariais;
limita o acesso aos equipamentos públicos e culturais pelos trabalhadores/as;
nos impõe uma rotina estressante;
coloca nossa saúde em risco;
não são os trabalhadores e usuários que fazem sua gestão.
Continuamos a defender quarentena remunerada e renda emergencial. Porque são os capitalistas que devem pagar pela crise.

E continuaremos a lutar por um transporte público realmente a serviço de todos os e as trabalhadoras e não dos patrões.

http://cabanarquista.org/2020/06/08/transporte-publico-e-a-pandemia/


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