(pt) Coordenação Anarquista Brasileira - CAB: Bolsonaro racista, antipovo e antiambiental

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Sábado, 13 de Junho de 2020 - 08:42:17 CEST


Organizar a luta e a resistência contra o governo racista, antipovo e antiambiental de Bolsonaro ---- A degradação do meio ambiente no 
Brasil faz lucrar fazendeiros, madeireiros e empresários. Desde o monumental episódio do "Dia do fogo", ocorrido em agosto de 2019, 
Bolsonaro e seu ministro falsificador de mapas Ricardo Salles, vêm efetivando um projeto político que visa à queimada da floresta amazônica 
como primeiro passo para grilagem de terras e a invasão de terras indígenas (TI). Uma ameaça aos povos originários, camponeses e 
quilombolas. Essas ações contribuem para o aumento dos assassinatos no campo brasileiro, para a concentração de renda, miséria e demais 
tipos de humilhações para os povos da floresta e dos rios.
Hoje, a política ambiental traçada pelo governo Bolsonaro é, de fato, destruidora para todos os biomas brasileiros, desde a Amazônia 
passando pelo Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal e o Pampa. A recente fala do ministro do meio ambiente, Ricardo Salles, comprova 
que esse governo quer a desregulamentação de todos os direitos e garantias ambientais conquistadas a duras penas em décadas de resistência e 
lutas travadas por parte da sociedade que foi expulsa de suas terras e espremida em zonas específicas. Povos sangrados pelos grandes 
projetos do passado (a exemplo da transamazônica, construída no período do governo militar) e por projetos recentes, como os de construção 
de usinas hidrelétricas (que segundo o Plano Decenal de Energia - PDE 2023 - entre 2011 e 2023 deverão entrar em operação 20 novas usinas 
hidrelétricas na Amazônia) ou o "novíssimo" e esdruxulo agronegócio que envenena nossa comida com o uso de agrotóxicos.

Na fala de Ricardo Salles, em reunião ministerial difundida nos telejornais, percebemos a pilantragem: aproveitar a crise da saúde provocada 
pelo coronavirus para "passar a boiada". Sua fala expressa o sentimento da bancada do boi no congresso, que tem como principal objetivo a 
implantação das leis e normas de desregulamentação dos dispositivos que salvaguardam o meio ambiente e todos os povos e populações que nele 
vivem.

Um exemplo desta politica de desregulamentação ambiental é a medida provisória (MP) 910 que pretendia isentar crimes de invasão de terras 
públicas praticadas até 2018, ampliando os conflitos nas áreas das comunidades tradicionais, indígenas, quilombolas, camponesas, sem-terra, 
ribeirinhos e extrativistas. Esta medida provisória não foi aprovada. Em seu lugar estão tentando implantar um projeto de lei (PL 2366) que 
amplia a anistia de quem invadiu terras públicas que eram florestas, ampliando o prazo da ocupação (de 2004 para 2011) e o tamanho das 
propriedades (aumento de 50%). Ou seja, quem promove os conflitos agrários no Brasil serão beneficiados por essa política antiambiental e 
antipovo.

Não é à toa que, durante a pandemia, está acontecendo o maior desmatamento da floresta amazônica. São aproximadamente 52 mil hectares de 
floresta derrubada, um aumento de 171% em relação ao mesmo período do ano passado. Esses números coincidem com os alertas de desmatamento 
que também cresceram 63% em abril deste ano. Foram emitidos alertas para 40 mil hectares, enquanto no ano passado, no mesmo período, foram 
24 mil hectares. Muitas vezes o desmatamento é o estopim da disputa de terra, não só na Amazônia, também em todos os biomas brasileiros. 
Essa é uma das formas de intimidação de lideranças que lutam contra o desmatamento, bem como uma maneira de expulsar famílias que ali 
residem para dar outra destinação ao uso e ocupação da terra.

Outro aspecto da lógica antiambiental e assassina desse governo é o fomento dos conflitos no campo brasileiro. Lugar onde a disputa por 
terras e territórios se relaciona com outras lutas, por exemplo: as disputas por água e conflitos trabalhistas. A Comissão Pastoral da Terra 
(CPT) estimou que em 2019 ocorreram 1.833 conflitos no campo brasileiro, registrando 32 assassinatos. Desse elevado número de conflitos, a 
mineração é a atividade onde há maiores taxas, sendo a responsável por 39% dos casos. O exemplo de maior expressão, pela magnitude de 
destruição ambiental e pelas mortes, foi o rompimento da Barragem I da mina Córrego do Feijão, da mineradora VALE, no município de 
Brumadinho, em Minas Gerais, que matou 254 pessoas e deixou 16 desaparecidos. Crime que segue impune. Já as hidrelétricas estão associadas a 
11% dos casos e o setor empresarial do agronegócio e o Estado completam esse sombrio cenário correspondendo a 36% e 7% dos conflitos 
agrários em todo país, respectivamente.

Portanto, o genocídio executado pelo Estado e por esse governo racista sobre os povos originários se intensificou durante a pandemia. O 
número de mortes pelo coronavirus vem aumentando e já chega à marca de 70 óbitos, tendo 1.737 casos confirmados de COVID-19. A contaminação 
dos povos indígenas pelo coronavírus tem na invasão de suas terras, historicamente ocupadas pelas atividade de garimpo e extração de 
madeira, sua principal causa.

Imaginava-se que nessa crise do coronavirus diminuiriam as ofensivas contra suas terras, mas o que se observa é justamente o contrario. 
Foram mais de 35 mil hectares de terras indígenas desmatadas apenas na Amazônia. As Terras Indígenas (TI) são as áreas com maior preservação 
de biodiversidade e é por isso que a retomada das demarcações de TI é necessária. Povos, como os Munduruku e os ka'apor, têm feito 
autodemarcação e autodefesa de seus territórios. Essa ação direta tem duas consequências importantes: a primeira é a garantia da reprodução 
física e sociocultural desses povos; a segunda é parar o desmatamento e ajudar a regulação do clima, pois quanto mais área de floresta 
preservada melhor será a regulação no regime de chuvas e circulação de nuvens que não só beneficiam a região amazônica, mas, também para 
outras regiões e biomas do país.

É por isso que precisamos romper com o paradigma da sociedade destruidora de natureza e com esse padrão liberal desenvolvimentista que 
pressupõe a dominação do ser humano sobre a natureza. Precisamos romper com essa lógica e intervir para mudar esse cenário. O Bem viver, na 
cosmologia dos povos indígenas, mostra que não pode ser a lógica do lucro e da mercadoria os elementos principais de nossas relações 
sociais, e sim o horizonte da dignidade da vida humana, o da diversidade cultural, ecológica e politica de base coletiva em harmonia com a 
biodiversidade.

Frente a derrubada e a queima das florestas; a contaminação massiva pelos agrotóxicos; aos conflitos territoriais no campo; a insalubridade 
das condições habitacionais e sanitárias das populosas cidades; ao cultivo cumulativo e sistemático da violência contra os povos 
originários; a contaminação das águas e a morte de córregos, riachos, arroios e igarapés; e aperda da biodiversidade: organizar a luta e a 
resistência contra a desregulamentação ambiental promovida por esse governo Bolsonaro que é racista, antiambiental e antipovo.

Contra o PL 2366!

A favor da autodemarcação!!!

Coordenação Anarquista Brasileira - CAB

http://cabanarquista.org/2020/06/09/bolsonaro-racista-antipovo-e-antiambiental/


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