(pt) [Grécia] Justiça para George Floyd... e Justiça para todos By A.N.A.

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Sexta-Feira, 5 de Junho de 2020 - 07:22:03 CEST


"Não sejas gentil nessa boa noite... Enfurece-te, enfurece-te contra a morte da luz" - Dylan Thomas ---- Mais uma morte de uma pessoa negra 
pela polícia. Mais um assassinato do Estado. Mais uma vez, as ruas estão cheias de uma furiosa exigência por justiça. Mais uma vez a justiça 
tem um nome - Justiça para George Floyd... ---- Mas a reivindicação também é sem rosto, genérica e universal nos sentidos mais concretos. 
Pois o rosto está envolto nos números, na insuportável contagem de mortes, sem ser reduzido a uma estatística; emerge uma figura universal, 
a figura dos e das oprimidas, espezinhadas, subalternas, a face inferior da narrativa de lei e ordem de todos os Estados e de todos os 
impérios. Nos Estados Unidos, a história é velha e conhecida. Frutos estranhos pendurados nas árvores, segregados no sul, marginalizados em 
guetos urbanos, transformaram-se numa classe inferior e deixados para se matar uns aos outros ou se drogarem até a morte. Mas também corpos 
negros que reverberam com dignidade, corpos que nunca deixaram de resistir, de se mobilizar, de lutar, de gritar em voz alta que as suas 
vidas importam; corpos que se recusaram a ser objetos da lei e se tornaram sujeitos da justiça. Os Estados Unidos da América gostam de 
lembrar o movimento dos direitos civis, mas têm sido forçados a recordar também os seus longos verões quentes, na nossa era de novos 
movimentos e novas revoltas.

Décadas de ação afirmativa, de reformas bem-intencionadas ou não tão bem intencionadas, tentativas de integração. As coisas melhoraram, 
dizem eles. No entanto, as coisas também permanecem as mesmas; as ruas continuam a encher-se de sangue e cadáveres e depois de raiva, de 
novo e de novo e de novo. Não é preciso um cientista político para ver que a violência que a população negra sofre é sistêmica e 
institucionalizada ou que a sua marginalização e exclusão estão incorporadas às operações do sistema capitalista. Classe e raça se fundem 
para criar corpos que podem ser mortos; mas também corpos que se revoltam. Os conservadores chamá-los-ão de criminosos; os liberais 
chamá-los-ão de insensatos; alguns esquerdistas sentirão que são justificados, mas ainda preferirão cantar louvores vazios sobre a "força da 
não-violência" ou fazer uma virtude da vitimização. Mas para os oprimidos e as oprimidas da história, o tumulto e o fogo sempre foram uma 
das suas formas de fazer justiça, de se tornarem a justiça. Pode não ser nem a solução nem a revolução. Mas fazendo as noites mais 
brilhantes, ilumina o caminho para um futuro diferente.

Não é o nosso trabalho ou ao nosso gosto fazer julgamentos do alto sobre corpos que lutam pelas suas vidas. Nem as imagens de revoltas são 
estranhas ou exóticas para nós; corpos também são explorados e marginalizados em todo o mundo; corpos acampados, criminalizados, mas também 
assassinados.

George Floyd gritou

NÃO CONSIGO RESPIRAR...

Agora todos e todas nós gritamos

NÃO CONSEGUIMOS RESPIRAR

A revolta em Minneapolis não tem a "nossa simpatia", inspira-nos.

LUTA CONTRA O PODER!

Solidariedade com a revolta de Minneapolis contra a violência policial e o racismo institucionalizado!

Void Network[Teoria, Utopia, Empatia, Artes Efêmeras]

voidnetwork.gr

Tradução > Ananás

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