(pt) 1814-2020 | 206 anos de Bakunin! por União Popular Anarquista - UNIPA

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Sexta-Feira, 5 de Junho de 2020 - 07:21:49 CEST


Leia: Bakunin, sua história e seu legado [UNIPA - Comunicado n º13 - Julho de 2006.] ---- A retomada da memória histórica das lutas passadas 
dos trabalhadores pela sua libertação é de extrema importância para o aprendizado presente e para as futuras batalhas contra a burguesia. 
Por isso, em memória dos 130 da morte de um dos maiores revolucionários de todos os tempos, Mikhail Bakunin, resolvemos fazer uma homenagem 
que resgata sua importância enquanto sujeito histórico na segunda metade do século XIX e seu legado teórico/ político para o Anarquismo ou 
Bakuninismo. ---- O revolucionário anarquista Mikhail Alexandrovitsch Bakunin, oriundo de uma família da nobreza rural, nasceu em 30 de maio 
de 1814, na cidade de Premukhimo, província russa de Twer, e faleceu em 1º de Julho de 1876, na cidade de Berna, Suíça. Como era comum para 
as elites da época, Bakunin entrou para o exército em 1829 e chegou a alcançar o oficialato. Em 1835, trocou a farda e as armas pelos livros 
e foi estudar em Moscou e São Petersburgo. Têm seus primeiros contatos com as filosofias e com as teorias contestatórias do seu tempo em 
1834, quando em Moscou participou de importantes círculos de discussões filosóficas. Nesses círculos teve acesso a debates sobre autores do 
romantismo e da filosofia alemã, do socialismo francês nascente e da questão dos povos eslavos.

Em 1848, ano conhecido como a Primavera dos Povos por causa das inúmeras revoluções e revoltas contra o despotismo monárquico, em toda a 
Europa quase que simultaneamente (Berlim, Viena, Paris, Veneza, Roma, Praga, Munique, Budapeste e Milão), Bakunin participou do Congresso 
Eslavo, em Praga, e da insurreição que o sucedera (a Insurreição de Pentecostes) e no mesmo ano participou da Revolução Proletária em Paris. 
No ano seguinte participou de outra insurreição, esta vez em Dresden (Alemanha).

Por sua intensa atuação revolucionária armada ganhou o rótulo de terrorista, sendo preso e condenado à morteem 1850. A sentença de morte foi 
convertida para trabalhos forçados, prisão perpétua e, finalmente, extradição para a Rússia. Em 1857 foi exilado na Sibéria, mas em 1861 
fugiu para o Japão, passou pelos Estados Unidos e retornou à Europa.

Em 1864, Bakunin reencontra Proudhon, que semanas depois veio a falecer. Bakunin dá continuidade e aprofundamento à obra de Proudhon à 
partir de dois pilares fundamentais: o socialismo e o federalismo[1]. A concepção socialista é pautada pela identificação da propriedade 
privada como a origem das desigualdades econômicas, portanto a revolução proletária deveria abolir a propriedade. Por sua vez, o federalismo 
é a base da igualdade política, pois se opõe a centralização do poder e garante a efetiva participação política dos indivíduos organizados 
nas entidades da classe trabalhadora.

Inserindo-se, portanto, nas lutas do proletariado europeu daquele período, cujas principais experiências foram a organização da Associação 
Internacional do Trabalhadores (AIT) e o processo revolucionário da Comuna de Paris (1871). Podemos afirmar que através de sua militância 
Bakunin desenvolveu a sistematização da ideologia e da teoria revolucionárias anarquistas. Considerando a percepção bakuninista de que as 
esferas da sociedade (econômica, política, ideológica e cultural) estão interligadas num sistema dialético de influência mútua, não 
poderíamos deixar de destacar as transformações ideológicas e científicas que marcaram o século XIX. Uma apreciação crítica da história do 
anarquismo ou bakuninismo, enquanto experiência coletiva, orientada por uma ideologia/teoria, deve indicar que na realidade esta se 
constitui num fenômeno associado a uma conjuntura histórica particular: a do surgimento do movimento proletário, das guerras de unificação 
nacionais, das lutas republicanas, do desenvolvimento do capitalismo monopolista, do surgimento da Primeira Internacional, e finalmente da 
contra-revolução internacional (depois da derrota da Comuna de Paris).

Foi no seio da disputa política dentro da AIT que ficaram conhecidas as principais divergências entre a proposta de Marx e Bakunin para o 
movimento operário internacional. Para Bakunin, a exploração burguesa é sempre solidária, e assim também deve ser a luta dos trabalhadores 
contra tal exploração. Dessa forma, o objetivo da Internacional era organizar os trabalhadores contra o jugo da burguesia. Nos estatutos 
gerais da AIT lemos que a emancipação econômica dos trabalhadores é o grande objetivo ao qual se deve subordinar qualquer movimento 
político. Foi assimque a Aliança, seção da Internacional em Genebra, da qual Bakunin era o principal representante, tinha em seus documentos 
a determinação de repelir qualquer ação política que não tivesse por objetivo imediato a vitória dos trabalhadores sobre o capital. Uma das 
principais críticas que Bakunin fazia a Marx era a de que, para este último, a conquista do poder era a condição prévia para a emancipação 
econômica do proletariado.

Para Bakunin era necessário que cada país tivesse o direito de seguir as tendênciaspolíticas que mais lhes agradassem. Diante dos impasses 
políticos, era fundamental que se preservasse a unidade da Internacional no campo da solidariedade econômica. Nenhuma teoria filosófica 
deveria ser a base ou condição oficial do Programa da Internacional, mas no seio desta tais questões poderiam ser discutidas e disputadas. 
Segundo Bakunin era assim que então se criaria a grande política da Internacional, não emanando duma cabeça isolada incapaz de abraçar as 
necessidades do proletariado, mas da ação livre, dos trabalhadores de todos os países. Bakunin defendia que as mais diversas posições 
políticas estivessem representadas na Internacional desde que respeitassem seu Programa. De modo algum, como querem alguns 
pseudo-anarquistas, ele repelia o debate e a existência de partidos e organizações no interior da AIT, pois estava convicto da necessidade 
de uma organização especificamente anarquista que buscasse influenciar e orientar politicamente os organismos de massa.

O que denominamos bakuninismo não é uma invenção arbitrária e a-histórica, mas um resgate daquilo que já havia sido dito e praticado por 
Bakunin. O que defendemos encontra-se plenamente de acordo com as orientações desse pensador, segundo o qual para desenvolver e organizar a 
revolução, os revolucionários não devem impô-la as massas, mas sim provocá-las, fomentando sua organização autônoma. Chamou a atenção para o 
fato crucial da necessidade de uma coletividade que prepare a revolução e a dirija, e alertou para vigilância contra a reconstituição de 
autoridades, governos, Estados e ambições tanto coletivas como individuais. Portanto, o legado de Bakunin é de suma importância e não deve 
ser exemplo só para os anarquistas, mas para todos os demais revolucionários que seguem corajosamente construindo a luta pela ruptura 
revolucionária e pelo socialismo. Daí a pertinência de reverenciarmos sua memória, lembrarmos de sua trajetória marcada pelo incansável 
combate ao lado dos trabalhadores contra a exploração, contra o capital e pela libertação de todosos povos.

Viva o Bakuninismo!
Viva a Revolução Social!!

[1]Podemos citar algumas obras de Proudhon onde as bases do socialismo e do federalismo foram construídas: "O que é a propriedade?", "Do 
princípio do federalismo" e "Sistema das contradições econômicas".

https://uniaoanarquista.wordpress.com/2020/05/31/206-anos-de-bakunin/


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