(pt) [Austrália] Agora não é o momento para concessões, é o momento do pensamento utópico Por Collective Action By A.N.A.

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Quarta-Feira, 3 de Junho de 2020 - 07:22:37 CEST


Com os dois principais partidos lutando para se posicionarem como os mais responsáveis tributariamente, devemos rejeitar incondicionalmente 
a premissa de austeridade neoliberal e sonhar com um mundo novo. ---- Como explicou o sempre inspirador Arundhati Roy, a pandemia do 
Coronavírus é um portal onde do outro lado nos espera um novo mundo, que é limitado apenas pela nossa imaginação. À medida que aumentam os 
apelos para "retornar à normalidade", devemos questionar o que era normal e rejeitar o desejo de simplesmente voltar às condições 
anteriores. ---- A normalidade era a colonização em curso das terras das Primeiras Nações (povos indígenas da América do Norte). Eram as 
mortes dos aborígenes e populações das ilhas do estreito de Torres detidas. Eram as prisões crescentes, com mais pessoas trancadas em 
jaulas. Eram os centros de detenção improvisados em hotéis suburbanos, porque os outros centros de detenção modelados nas prisões estão 
transbordando. A normalidade era, e ainda é, políticos dos dois principais partidos fazendo de bodes expiatórios pessoas racializadas e 
trabalhadores migrantes para obter capital político, ignorando as consequências. A normalidade foi o ressurgimento da ideologia supremacista 
branca no mainstream.

A normalidade era o aumento da desigualdade, impulsionada por um mercado imobiliário financeirizado. Era haver mais casas vazias do que 
pessoas sem casa. Era uma precariedade sistemática para os e as trabalhadoras por meio do aumento da precarização e da dependência absoluta 
de alguns trabalhadores na chamada gig economy (trabalhos temporários e flexíveis). O normal eram centenas de milhares de trabalhadoras e 
trabalhadores desempregados vivendo abaixo do limiar da pobreza. Eram milhões de idosos australianos, pessoas com deficiência e os seus e 
suas prestadoras de cuidados receberem pagamentos abaixo do limite da pobreza, muitas vezes forçando-as a escolher entre comida, aluguel ou 
medicação.

A normalidade era a ocorrência generalizada de violência familiar, em grande parte perpetrada por homens, o que só cresce nas circunstâncias 
atuais. Era a ocorrência semanal de uma mulher ser assassinada pelo seu atual ou ex-parceiro. Eram os ataques contínuos contra pessoas LGBTQ 
que enfrentam assédio regular nas ruas e pela polícia. A normalidade era a dizimação acelerada do nosso planeta e ambiente. A estação mais 
quente, mais seca e mais perigosa que experienciamos.

Para evitar o retorno ao normal, precisamos rejeitar inequivocamente propostas de partidos políticos que se concentram na austeridade e em 
soluções neoliberais. Devemos imaginar um mundo construído sobre a crença fundamental do apoio mútuo e da solidariedade. Neste continente, 
deve começar com um profundo entendimento e um firme compromisso com a descolonização. Exemplos recentes da importância dos serviços de 
saúde controlados pela comunidade aborígene e de soluções anticarcerárias autônomas descrevem a importância das iniciativas lideradas pelos 
aborígenes e pelas pessoas das ilhas do estreito de Torres. Através do processo de descolonização, devemos desmantelar as estruturas de 
supremacia branca que mantêm a atual sociedade de colonos para criar um mundo sem racismo e estruturas de poder opressivas.

Devemos imaginar um mundo sem prisões, centros de detenção ou gaiolas de qualquer tipo. Um mundo que abole o cis hétero patriarcado que 
continua a oprimir e assassinar mulheres, pessoas não binárias e trans. Devemos imaginar um mundo em que a habitação não seja controlada 
pelo capricho dos especuladores financeiros, mas seja fornecida a todas e todos. Um mundo em que todos e todas as que desejam trabalhar 
podem trabalhar de forma protegida e segura em direção a um futuro ecologicamente sustentável. Um mundo que tenha as suas bases enraizadas 
na justiça climática, fornecendo soluções sustentáveis para o atual desastre ecológico e que centre o papel dos grupos climáticos liderados 
por indígenas. Um mundo que remove hierarquias e assimetrias de poder estabelecidas para um mundo organizado horizontalmente com base no 
apoio mútuo e na solidariedade.

O nosso futuro não é pré-determinado, não estamos presos à política convencional de austeridade e empresarialização. No entanto, não podemos 
simplesmente sonhar com o nosso futuro utópico, temos de agir. Devemos organizar-nos com as nossas comunidades locais, sejam elas redes de 
apoio mútuo recém-estabelecidas, grupos comunitários existentes, organizações religiosas, grupos ativistas ou simplesmente nossos e nossas 
amigas, familiares, vizinhas e colegas de trabalho. A organização é essencial para alcançar os objetivos que queremos, mas não devemos 
limitar a nossa imaginação do que é possível.

Agora é a hora de ser utópico, discutir com aqueles e aquelas na tua vida como pode ser um mundo que verdadeiramente inspira a lutar. Embora 
não seja seguro organizar pessoalmente no momento, é uma oportunidade de estabelecer conexões com os grupos e organizações locais. Uma lista 
de redes de apoio mútuo pode ser encontrada aqui¹, junta-te ao teu grupo local e inicia uma conversa. Se houver outros grupos ou 
organizações comunitárias na tua área que já estejam envolvidos na organização comunitária, entra em contato com elas e expressa o teu 
interesse. Se não encontrares um grupo na tua área, considera juntar-te à filial local do Sindicato dos Trabalhadores Desempregados da 
Austrália, à filial local da IWW, a grupos de discussão públicos ou entra em contato conosco para saber se conhecemos grupos na tua área. 
Estarmos conectados e conectadas permite-nos sonhar coletivamente com o mundo que merecemos, o mundo que devemos criar antes de nos 
organizarmos e lutarmos por ele.

O Collective Action é um grupo anarquista sediado em Melbourne, na Austrália.

[1]https://docs.google.com/spreadsheets/d/1J7bjI-2bD4zpvpQM3v1QB9dlbbUgPErnn-JjBq4NrNs/edit?usp=sharing

Fonte: http://www.collectiveaction.org.au/2020/05/11/now-is-not-the-time-for-concessions-its-the-time-for-utopian-thinking/

Tradução > Ananás

Ação Coletiva é um grupo anarquista com sede em Melbourne, Austrália.

agência de notícias anarquistas-ana


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