(pt) CAB: Solidariedade às famílias violentadas pelo latifúndio e pelo paramilitarismo em São Pedro da Aldeia/RJ

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Quinta-Feira, 16 de Julho de 2020 - 07:18:16 CEST


No último dia 08 de julho ocorreu mais um ataque violento no campo, contra o acampamento Emiliano Zapata, em São Pedro da Aldeia (RJ), que é 
organizado pela Fetagri-RJ (Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Rio de Janeiro). Barracos e plantações de moradores do 
acampamento foram incendiados, seguido do assassinato a tiros de Carlos Augusto Gomes, conhecido como Mineiro, por pistoleiros. Além disso, 
lideranças da Fetagri-RJ estão sofrendo de ameaças de morte. ---- Testemunhas acusam policiais militares de estarem a serviço do fazendeiro. 
Por lutarem por terra, em uma terra de 820 hectares a Fazenda Negreiros (possivelmente esse nome seja alusivo aos navios negreiros do 
período mais infame e mais brutal da história do período colonial; a escravidão negra). Essa fazenda em questão vinha sendo ocupada desde 
2017, 40 famílias que tem sofrido intimidações, ameaças e ações de violência do suposto ex-dono (a velha prática da grilagem) e pistoleiros.

Esta brutal violência no campo é mais um fato neste contexto brasileiro em que o Governo Bolsonaro, e figuras como Nabhan Garcia, encorajam 
e estimulam este tipo de ação envolvendo os interesses fundiários do agronegócio e o uso do paramilitarismo. Além da devastação de florestas 
e dos bens naturais pelo agronegócio, o extermínio das comunidades do campo e das florestas são parte da política ultraliberal que este 
governo quer impor ao povo.

É um fato que se insere também na história de conflitos fundiários do território fluminense. Um estado onde o povo do campo e da cidade 
sofre há décadas com a concentração e especulação de terras e as formas de atuar do agronegócio em mega-empreendimentos como o Porto do Açu, 
a indústria da cana, ou a especulação imobiliária e expulsão dos pobres das áreas centrais e favelas. O que se agrava com um governo Witzel 
"tiro na cabecinha" que apoia as orientações fascistas de Bolsonaro.

Por isso entendemos que as lutas do campo e da cidade se cruzam. São essas trabalhadoras e trabalhadores fugidos do trabalho escravo do 
latifúndio, pretos e pobres, ora expulsos do campo, ora das cidades, que vão ocupar terras no campo e casas na cidade.

A brutal e desigual concentração de terras, onde aqueles que produzem vida, cultura e alimentos no campo são expulsos, é uma realidade do 
Brasil e da América Latina. É como o estado burguês opera para escravizar os de baixo e reproduzir por séculos esta lógica agrário 
exploradora e exportadora. O que reforça e importância de um projeto de luta e organização que aponte para uma verdadeira revolução agrária, 
com soberania e construção de poder popular das comunidades do campo e das florestas sobre os territórios onde vivem e produzem.

Que a terra seja leve para as vítimas do agronegócio, do capital, do Estado. A cada companheira e companheiro tombado, nem um minuto de 
silêncio, mas toda uma vida de luta! Arriba lxs que luchan!

GT Agrário da CAB

http://cabanarquista.org/2020/07/13/solidariedade-as-familias-violentadas-pelo-latifundio-e-pelo-paramilitarismo-em-sao-pedro-da-aldeia-rj


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