(pt) anarkismo.net: No Bananistão dos Parapoliciais_2ª parte - a macabra fábula do esquema político-criminal-policial no Arroio de Fevereiro by BrunoL

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Sexta-Feira, 10 de Julho de 2020 - 08:31:05 CEST


Na primeira parte desta trama macabra e "ficcional", fizemos um panorama dos momentos anteriores à consolidação das forças parapoliciais. O 
século XXI torna complexo o modelo de Estado paralelo ou Est ---- Na primeira parte desta trama macabra e "ficcional", fizemos um panorama 
dos momentos anteriores à consolidação das forças parapoliciais. O século XXI torna complexo o modelo de Estado paralelo ou Estado 
complementar onde o conceito muda. Podemos marcar três fases no núcleo mais dinâmico da economia política do crime. As fases seriam: o jogo 
do bicho como operador absoluto; as redes de quadrilhas cujo negócio principal é o narcotráfico, também chamadas de "facções" e que os 
conglomerados de mídia insistem em chamar de "crime organizado"; por fim, o século XXI apresenta a "novidade" dos parapoliciais, a 
"evolução" da polícia mineira que existia na Baixada Fluminense e em algumas poucas localidades na zona oeste do Arroio, e se amplia ao 
ponto de dominar mais de uma centena de comunidades. Vejamos o marco temporal.

05 de julho de 2020 - Bruno Lima Rocha com ilustração de Rafael Costa
* Esta é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com nomes ou pessoas terá sido mera coincidência.
Na primeira parte desta trama macabra e "ficcional", fizemos um panorama dos momentos anteriores à consolidação das forças parapoliciais. O 
século XXI torna complexo o modelo de Estado paralelo ou Estado complementar onde o conceito muda. Podemos marcar três fases no núcleo mais 
dinâmico da economia política do crime. As fases seriam: o jogo do bicho como operador absoluto; as redes de quadrilhas cujo negócio 
principal é o narcotráfico, também chamadas de "facções" e que os conglomerados de mídia insistem em chamar de "crime organizado"; por fim, 
o século XXI apresenta a "novidade" dos parapoliciais, a "evolução" da polícia mineira que existia na Baixada Fluminense e em algumas poucas 
localidades na zona oeste do Arroio, e se amplia ao ponto de dominar mais de uma centena de comunidades. Vejamos o marco temporal.
A periodização da economia política do crime no Arroio de Fevereiro
Para a Região Metropolitana do Arroio, o jogo do bicho operava a loteria ilegal sendo a contravenção com requintes e capacidade de operar 
como "multiplicador bancário" do lado B da "lei". Cada "banca" (parecida com a banca da Florença dos Médici) tinha - tem - sua praça, seu 
território e havia (há) uma banca conjunta, onde existe a possibilidade de um banqueiro cobrir o outro, incluindo o custo transacional 
posterior. Uma cobrança possível é o custo do dinheiro, devolvendo com juros ou margem de lucros de bancas; no limite da cobrança, o 
território pode ser tomado, incorporado. A "bicheirada" também controlava - controla - outros negócios suspeitos, como máquinas de caça 
níqueis e até casas de apostas não autorizadas. Uma das virtudes públicas dos banqueiros era - é - a presença em importantes instituições 
sociais, especificamente nas agremiações de escolas de samba, na tradição do apadrinhamento. A banca do bicho recuou, mas não chegou a 
perder sua capacidade de existir e complementar outras cadeias de valor da economia do crime.
A partir do final da década de '70, dentro das instalações "correcionais" da Secretaria do Sistema Prisional Fevereirense (SSPF) do estado 
do Arroio de Fevereiro, as redes de quadrilhas se organizaram com a formação e a negação do "coletivo". A Facção Tomate deu seu grito do 
Ipiranga se libertando da direção da Penitenciária da Ilhota Gigante e, simultaneamente, confrontando com a Facção Crocodilo, a hegemônica 
nas galerias e "aliada" do sistema. Na década seguinte, as ações mais duras, de roubos a banco, joalheria e fugas espetaculares foram sendo 
substituídas pelo varejo do tráfico, o acesso a rotas de "matutos" - nos países produtores que fazem fronteira com o Bananistão - e o 
permanente controle das galerias do SSPF. A "guerra do Arroio" seria a disputa entre as facções, Facção Tomate (FT), Facção Crocodilo (FC) e 
o racha da primeira que fecha com quem pode, a Compadre dos Compadres (CDC); e também o problema de quem fecha o que e com quem 
(infelizmente as alianças são volúveis e os "sangue bom" não são nada legais uns com os outros). Na FMEAF uma importante parcela da tropa e 
das unidades faturou muito no arrego pingado semanal, como que tributando sobre a movimentação do varejo de drogas ou então cobrando uma 
"licença de funcionamento". No limite, uma parcela paralela da estrutura formal da Força Militarizada Fevereirense "alugava" serviços ou 
tributava rotas e redes inteiras, mas não se tornava dona do negócio.
A partir daí a periodização histórica da economia política do crime no estado do Arroio se encontra no tempo presente. A Parcela Apodrecida 
vira uma das fontes das "milícias", nas bandas de parapoliciais, do paramilitarismo policialesco, e o conceito de território passa a ser 
plenamente aplicado. Não era mais o morro como fortim de defesa e aglutinador de formas de vida e sobrevivência; já não passava por amplas 
regiões da cidade e do subúrbio, da região metropolitana fevereirense com os "padrinhos banqueiros" do bicho. Agora o dono era o frente e os 
negócios locais - em especial os informais -, a população (como porteira fechada vendendo os colégios eleitorais) e o investimento 
imobiliário em zonas irregulares, com ênfase na grilagem e verticalização das comunidades dominadas. Se a bicheirada e os antigos grupos de 
extermínio da Baixada Fevereirense chegaram a ter prefeitos e deputados (subnacionais e confederais), os paramilitares operam desde o começo 
com a representação política: conselheiros municipais, deputados na ALEAF e, de forma indireta, vínculos muito próximos ao Planalto Real, o 
Poder Executivo máximo do Bananistão.
A expansão da estrutura de poder dos Parapoliciais
É no mínimo curioso fazer algumas correlações. No mundo real, e não no Bananistão, ficou na moda judiciária em um momento a "teoria do 
domínio do fato"; antes porém, o emprego de pesquisas sociológicas através do cruzamento de dados e variáveis no programa SPSS, em suas 
várias versões. Portanto, vamos colocar algumas correlações no texto, algo já assumido como dado, tanto no país tropical como na República 
Deformativa bananisteira.
Em termos de Projeção territorial, em 2004, havia somente seis comunidades sob controle de milícias. Em 2007, já eram 93 comunidades; sendo 
que em 2014, 148 comunidades. Ou seja, houve um avanço absurdo em dez anos, cresceu mais de 100%. Mas, durante a transição do governo do 
Ex-Sindicalista para o da Economista Vanuza, a promoção da Guerra do Arroio, com transmissão ao vivo pela Rede Bobo se deu porque o 
helicóptero do Obispo Fariseu pegou um bonde transitando de uma ponta para outra do Complexo do Austríaco. Antes porém, a Infantaria de 
Tamandaré (IT) foi convocada para romper as barricadas na Cruz da Vila. Estava feito o ambiente para as operações de Ordenamento Legal 
Garantido (OLG), com a ex-esquerda fazendo graça para a Rede Bobo e depois fingindo não enxergar o esquema dos "puliça do Playboy" fazendo a 
festa no paiol, cofres, estoques e demais recursos no Complexo do Austríaco. Com os OLG e a ação estadual da Presença Permanente da Força 
Militarizada majoritariamente estrangulando os canais de arrecadação da Facção Tomate, a Parcela Apodrecida e os Parapoliciais, cade vez 
mais "juntos e misturados", entraram em metástase e fizeram a "festa".
No campo da politica profissional a coisa foi adiante. Trata=se de um exercício lógico correlacionar o patrimônio do clã dos Fascistas 
Arrivistas (FA) com o exponencial crescimento das milícias. Igualmente há um aumento substancial na votação dentro do estado do Arroio de 
Fevereiro. Os dados são gritantes, e nos levam a algumas ilações. Não há como provar cabalmente que os membros da FA são parapoliciais, mas 
o fato do próprio Matador Mariano da Obra, ter sido homenageado pelo então legislador sub-nacional "Gelatina" na ALEAF, assim como o Coiso 
papai, já indica algo.
É certo que o núcleo familiar específico dos FA não é o único nem o pioneiro nessas perigosas correlações. Outros os antecederam, todos sem 
exceção com parentes sendo - tendo sido - servidores na área da segurança estadual. Até político da ex-esquerda, o veterano inspetor das 
Investigações Judiciais Corjino Chabu, tem vários processos nas costas e puxou cadeia por ser acusado de liderar grupos de extermínio ou 
facções de parapoliciais, popular e equivocadamente chamadas de "milícias".
Outro núcleo poderoso em Big Field com domínio expandido ao Cruzeiro Sagrado (antiga zona rural da capital fevereirense) controla a Religa 
da Injustiça e atende por diminutivos: Vesperino, Herodinho e Branquinho. A lógica de "trabalho de base", além da violência, é o 
assistencialismo através de Centros Sociais espalhados pela Zona Oeste e Subúrbios. O apadrinhamento de festividades locais também é 
importante, como nas turmas de Bate Bola; embora boa parte dessas festas está sendo tolhidas pela presença de Empresas de Exploração da Fé 
Alheia, vulgarmente denominadas de "neopentecostais". Sabe-se que tais famílias ou grupos de interesse operam muito localmente, o que 
implica um diferencial competitivo para um clã que tenha trânsito em vários públicos, e possa existir, sobreviver, sem um território 
determinado embora tenha relações com a barra pesada da Porteirinha, Cai Tudo e Iaragá, alta hierarquia da Repartição da Delinquência (RD).
Uma hipótese para o desenvolvimento paralelo da FA talvez seja mesmo por ser o mais afastado do olho do furacão, e possa se relacionar sem a 
sujeira curricular evidente. No próximo episódio nos dedicamos exclusivamente ao possível modelo de negócios do "Gelatina" e seus amigos, 
além das relações de apoio do Inominável Coisificado com o pior do pior do entulho autoritário, tanto no estado do Arroio de Fevereiro como 
nas demais forças militarizadas estaduais e adjacências.
Bruno Lima Rocha é editor dos canais do Estratégia & Análise, a análise política para a esquerda mais à esquerda.
Contato: blimarocha  gmail.com | facebook.com/blimarocha
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