(pt) O anarquismo, o reformismo "libertário" e as tarefas atuais da classe trabalhadora por União Popular Anarquista - UNIPA

a-infos-pt ainfos.ca a-infos-pt ainfos.ca
Sexta-Feira, 10 de Julho de 2020 - 08:27:07 CEST


Comunicado nº 71 da União Popular Anarquista - UNIPA, 05 de julho de 2020 ---- Os trabalhadores revolucionários não devem desempenhar cargos 
oficiais nem devem alojar-se nos ministérios.[...]Não temos que participar nas combinações que urdem os políticos burgueses de conchavo com 
as chancelarias estrangeiras. É o mesmo que fortalecer a nossos adversários e apertar mais a forca capitalista. Não mais burocracia. Não 
mais ministérios. Voltemos aos sindicatos e aos postos de trabalho. ---- Jaime Balius, Rumo a uma nova revolução (1938). ---- Desde o seu 
surgimento, a nossa organização trava um combate ideológico e político contra o revisionismo e ao reformismo "libertário". Não o fazemos por 
sectarismo ou capricho, ao contrário, desenvolvemos nossas críticas e autocríticas no único intuito de servir à causa do povo, ao anarquismo 
e à revolução social no Brasil.

Como nos ensinou a agrupação Amigos de Durruti e Jaime Balius: os traidores da revolução e do proletariado deverão ser julgados e combatidos 
pelos revolucionários e pelas massas. Mas, assim como reconheceram em suas duras autocríticas, esse combate não pode ser meramente 
passional/vingativo ou em cima da hora, ele deve ser preparado com antecedência e guiado por uma teoria revolucionária, para que possa ser 
vitorioso.

Ao passo que a crise sistêmica (pandêmica, econômica, política e social) se aprofunda e que distintos setores do povo passam a olhar para o 
anarquismo como alternativa para pensar e mudar a realidade, é fundamental separar o joio do trigo, separar o anarquismo do revisionismo e 
do ativismo, a fim de aprofundar o desenvolvimento do anarquismo e do sindicalismo revolucionário que já se estendem e se enraízam em escala 
nacional.

Portanto, primeiramente é necessário que façamos uma breve definição do que consideramos ser o ecletismo, o ativismo e o liquidacionismo:

O ecletismo caracteriza-se pela tentativa de conciliação teórica e prática entre revisionismo e anarquismo, o que por sua própria natureza 
favorece o revisionismo. Para o ecletismo, o individualismo revisionista e o coletivismo anarquista se equivalem, o evolucionismo 
cientificista do revisionismo e o materialismo anti-cientificista do anarquismo também se equivalem, o educacionismo pequeno-burguês 
revisionista e o classismo proletário anarquista não se chocam, bem como o romantismo lírico revisionista e a concretude programática 
anarquista. Para os ecléticos, estas posições opostas não só se equivalem como constituem uma unidade harmônica no interior de um pretenso 
"movimento anarquista" amplo ao infinito. (Ver Comunicados da UNIPA nº 15, 37 e 42).
A doutrina "ativista" sempre foi também um campo eclético, reunindo muito mais ideias do liberalismo radical da nova esquerda e de 
diferentes tipos de marxismo e pós-modernismo. Enquanto doutrina e prática, se conformou ao longo dos anos 1990 e 2000 por uma crítica à 
sociedade capitalista na sua forma keynesiana, neoliberal e também ao stalinismo. Tinha algumas ideias-chave: 1º) uma profunda crítica da 
centralização e desconfiança das organizações sindicais e dos partidos políticos; 2º) a evocação da ideia de ação direta, mas entendida aqui 
como um apelo a violência de massas como forma de protesto; 3º) a assimilação de uma ideologia multicultural e simpatia pelas lutas no "Sul 
Global", assimilando pautas de gênero, anticoloniais e anti-imperialistas. (Ver Comunicado nº 56).
O liquidacionismo é o desvio que se fundamenta na ruptura com o elemento estratégico principal do anarquismo, a saber: a necessidade da 
organização política anarquista (o partido anarquista) na condução do processo revolucionário. O liquidacionismo pode assumir, assim como 
assumiu, diversas formas, mas a principal delas foi o anarcossindicalismo, que liquidou a organização anarquista e/ou seu papel de 
iniciador-dirigente em nome de uma suposta "anarquização" do sindicalismo, conduzindo historicamente a uma espécie de reformismo 
extra-parlamentar e "libertário".
Em relação à realidade brasileira, tanto o ativismo quanto o liquidacionismo são mais incipientes e difusos. Não alcançaram um grau de 
organicidade e sistematização como em outros países. Portanto, os seus resultados são mais contraditórios, por vezes plasmados em outros 
projetos mais estruturados. Isso não significa que não existam e que não cumpram um papel na luta de classes, ou contrário, essa falta de 
organicidade (no caso do ativismo) tem agido por vezes como uma forma covarde e proposital de fugir das críticas e de não assumir as 
consequências de suas posições e atos. Já o ecletismo, ainda que também seja incapaz de alcançar graus de unidade teórica e tática básicos 
ao qual se propõe, expressa-se através da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB, ex-FAO).

Historicamente a radicalização da luta de classes, em momentos de crises e situações revolucionárias, levou o revisionismo e o reformismo 
libertário de forma geral a evidenciar as suas limitações e contradições, que já existiam mas estavam encobertas pelos tempos de relativa 
paz social. É fácil ver discursos "revolucionários" em tempos de bonança. Nos momentos de crise e de conflitos é que podemos avaliar 
concretamente as teorias e práticas dos grupos e pessoas. Foi nesses momentos que se consolidou todas as grandes bases do anarquismo 
revolucionário. Hoje, frente a crise sistêmica e a grande peste do Covid-19 que se alastram pelo mundo, os grandes dilemas do anarquismo e 
da revolução voltam à tona.

1 - Guerra ou revolução: um debate estratégico sobre as frentes democráticas e nacionais com a burguesia
"Os partidos pequeno-burgueses e marxistas oficiais são os que colocam maior energia para dissociar a revolução da guerra. Dizem a nós 
anarquistas que aguardemos para fazer a revolução depois que tenhamos ganhado a guerra. Eles nos dizem para não ficarmos impacientes, que 
haverá tempo para tudo. Enquanto isso, os defensores do adiamento da revolução buscam monopolizar os postos de comando e estruturas de 
poder, com o objetivo de estrangular a revolução. Nós anarquistas não podemos jogar o jogo daqueles que afirmam que nossa guerra é apenas 
uma guerra de independência com algumas aspirações democráticas. A essas alegações, nós, os Amigos de Durruti, responderemos que a nossa 
guerra é uma guerra social. A luta armada que nós trabalhadores espanhóis realizamos é de um tom idêntico a epopéia dos trabalhadores 
parisienses que, no século XVIII, ofereceram suas vidas contra a oligarquia das cabeças coroadas. Nossa guerra é um símile da Comuna de 
Paris. Nossa guerra tem o mesmo significado social que a luta travada pelos trabalhadores russos contra o mundo inteiro."

Amigos de Durruti, Los Amigo del Pueblo (1937)

A crítica exposta acima pelos Amigos de Durruti evidencia a interligação da política anarquista em processos históricos fundamentais como a 
Comuna de Paris (1871), a Revolução Russa (1917) e a Guerra civil espanhola (1936). Apesar das diferenças entre elas, em todos eles os 
anarquistas revolucionários rejeitaram a conciliação de classes com a burguesia nacional ou "progressista" em governos e frentes; rejeitaram 
a separação dos aspectos nacionais/democráticos dos aspectos sociais/revolucionários.

Na conjuntura da Guerra Franco-Prussiana e da Comuna de Paris (1870-1871), os anarquistas e internacionalistas franceses inauguram uma linha 
de ação de massas que será depois sistematizada por Bakunin: 1º) não é a aliança por cima com o republicanismo burguês e o centralismo 
estatal que criarão a força para resistir a invasão estrangeira; 2º) é a ação autônoma e revolucionária das massas trabalhadoras, a 
insurreição e a construção das comunas, que criarão as forças capazes de resistir à guerra imperialista; 3º) a covardia e impotência da 
burguesia nacional republicana se expressa pelo fato de que ela não está disposta a sacrificar a propriedade privada e o Estado para vencer. 
Segundo Bakunin, todos aqueles que realmente queriam a vitória deveriam se submeter à essas premissas. É sob essa política que emerge a 
Comuna de Paris em 1871, mas também as comunas de Creusot, Limoges, Lyon, Marseille, Narbonne, Saint-Etienne e Toulouse no ano de 1870.

Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), essa questão ressurge. Grande parte dos partidos socialdemocratas europeus são capturados 
pela política estatal, nacionalista e militarista (chauvinista). Kropotkin, uma importante liderança anarco-comunista, também capitula à 
defesa dos Aliados na guerra, redigindo em 1916 o conhecido "Manifesto dos Dezesseis". Kropotkin explicitou as consequências nefastas do 
revisionismo, sendo acusado de traição e, inclusive, chamado de "anarco-chauvinista" por Lênin. Em todo o mundo, a grande maioria dos 
anarquistas e revolucionários combateram a visão de Kropotkin e realizaram uma militância anti-guerra e anti-imperialista, com destaque para 
a CNT, FORA, COB e IWW. A revolução russa e a makhnovitchina foram o desenvolvimento direto da política revolucionária diante da guerra que 
se traduziu nas palavras de ordem "todo poder aos sovietes" e "paz, pão e terra". Ou seja, transformaram a guerra imperialista em revolução 
social.

Na Guerra Civil Espanhola (1936-1939), a vitória inicial sobre o golpe militar fascista de Franco e as posteriores vitórias contra o 
fascismo nas frentes de batalha foram alcançadas graças ao proletariado armado e auto-organizado na CNT e FAI. O avanço da classe 
trabalhadora sobre o fascismo (nacional e estrangeiro) foi garantido graças a anulação parcial do poder do Estado republicano e início da 
coletivização de terras e fábricas. De fato isso ocorreu no início, e a autogestão tomou o poder temporariamente em cidades e campos da 
Espanha (cortando o fascismo pela raiz). Mas as forças estatistas e burguesas logo se reorganizaram na retaguarda sob a consígnia da 
conciliação de classes e, consequentemente, da separação entre guerra e revolução.

Para os stalinistas e republicanos espanhóis, a luta contra o fascismo deveria ser realizada em aliança e sob a direção da burguesia 
republicana através da manutenção do Estado, do Exército e da Propriedade Privada. Segundo eles, fazer a revolução seria romper esta unidade 
e favorecer o fascismo. Importantes lideranças "anarquistas" da CNT capitulam a essa política traidora e assumem inclusive cargos nos 
ministérios do governo burguês. A partir daí, as instâncias de poder popular (milícias, coletivizações e comitês revolucionários de bairro) 
foram brutalmente destruídas pelos republicanos e comunistas, com o silêncio e a covardia dos ministerialistas da CNT. A moral e o poder 
revolucionários das massas, que haviam sido fundamentais para vencer e derrotar o fascismo no primeiro momento, haviam sido minados pela 
contrarrevolução na retaguarda. A derrota da guerra e da revolução foi o resultado dessa política de conciliação de classes. (Ver 
Comunicados nº 15 e 65)

Hoje, sob as avassaladoras consequências da pandemia de Covid-19 e da crise social que se alastra, esse debate político se coloca novamente 
na luta de classes sob diferentes formas. A sua expressão mais evidente é através da política de reforçar o mito do Estado protetor e da 
conciliação de classes das "frentes democráticas" para combater o fascismo e o governo Bolsonaro no Brasil. (Ver Comunicado nº 70)

Essa política de conciliação já havia sido ensaiada em junho de 2013 com as fracassadas "unidades de esquerda" (quando a esquerda estava no 
governo federal), onde as burocracias sindicais e partidárias tentaram controlar a autonomia e a ação direta nas ruas. Naquela ocasião, 
setores organizados do ativismo e do ecletismo reproduziram de formas tímidas ou explícitas o discurso capitulador da "unidade da esquerda" 
em contradição evidente com as demandas e métodos colocados pelas massas insurgentes. O MPL-SP convocou publicamente ao abandono das ruas. A 
FAG e a FARJ corroboraram em textos a análise de "cooptação dos atos pela direita" e defenderam a burocracia sindical e partidária como 
parte de um "campo de esquerda". A OASL e a FARJ também atacaram os "black blocs" afirmando que a "violência" afastava os trabalhadores das 
lutas (invertendo causa e efeito). Em 2015, como continuidade dessa concepção, a FARJ defende a não inclusão da luta pela liberdade dos 
presos políticos nas lutas pelo trasporte no RJ em nome da unidade com os governistas do PT e PCdoB. (Ver Comunicado nº 42)

Esses são alguns exemplos que demonstram que esses dilemas e erros não estão tão longe quanto parecem. Demonstram que o combate teórico e 
político contra o revisionismo e reformismo libertário não é um "sectarismo" de nossa parte.

2 - O ecletismo da CAB e sua política sindical reformista
O chamado "especifismo" brasileiro, que assume hoje as características de um ecletismo teórico e político, surge através da Federação 
Anarquista Uruguaia (FAU) na década de 90. Naquele momento o anarquismo estava praticamente extinto como corrente organizada em muitos 
países da América Latina. Além de reconhecer que o anarquismo deveria estar "organizado", o especifismo reconhecia que ele deveria retomar 
sua atuação nos movimentos populares através da "inserção social".

Mas basicamente as descobertas pararam por aí. A interminável repetição da necessidade genérica de "organização" e "inserção social" 
significou até os dias de hoje a falta de uma linha de massas autônoma e em um empobrecimento (e distorção) das contribuições de Bakunin, da 
Plataforma de Dielo Trouda, etc. para se encaixar no esquema frágil e eclético do "especifismo". Foi o que a UNIPA constatou ainda em 2004 e 
o que motivou a sua ruptura com esse processo de construção do anarquismo ecletista no Brasil. (Ver a edição comemorativa do Causa do Povo 
nº 67)

Como é próprio da característica eclética da CAB, a crise sistêmica tende a polarizar em seu interior alguns militantes e núcleos sinceros e 
comprometidos com a revolução brasileira e a linha hegemônica reformista e revisionista. Isso fica evidente quando a própria CAB ou seus 
núcleos realizam cópias parciais de concepções teóricas e políticas do bakuninismo e do sindicalismo revolucionário, ou quando militantes 
sinceros realizam ações e análises combativas, porém isoladas. Nesses casos, as exceções só confirmam a regra.

2.1 - A inserção social e a tendência libertaria

Como já foi dito, o ecletismo brasileiro surge de um processo histórico pós-ditadura de hegemonia e ascensão da socialdemocracia. O conceito 
e a tarefa de "inserção social" ou de retomar o "vetor social" do anarquismo emerge sem problematizar profundamente os movimentos e 
entidades as quais se inseriam. O processo de inserção social em movimentos é feito de forma fetichizada e pragmatista e, por isso mesmo, 
sem conseguir formular uma linha política diante das divisões e problemas concretos do movimento de massas.

Alguns exemplos ajudam a visualizar como se dá essa política de "inserção social": 1) No movimento sindical a adesão da CAB à política dos 
setores governistas da Intersindical/CUT, e composição de chapas sindicais com partidos reformistas e governistas, etc. O resultado é o mais 
vergonhoso silêncio e nenhum balanço político sério a público sobre esses processos; 2) No movimento social os ecléticos dizem ter atuação 
no MST, mas sequer esboçam uma crítica à sua direção nacional burocrática e eleitoreira. Sabemos o resultado dessa política messiânica e 
pragmatista da FAG no movimento dos catadores; 3) No movimento estudantil os ecletistas nunca combateram realmente a UNE. Na greve 
estudantil da UFSC em 2019, por exemplo, a linha ecletista foi deslegitimar as instâncias autônomas que de fato conduziam a greve pela base 
para se aliar por cima com a burocracia estudantil de "esquerda".

E por que isso acontece? O ecletismo acredita na existência de um "campo popular" ou de "esquerda" amplo e aberto a todas as ideologias 
(comunistas, anarquistas, reformistas, democratas, cristãs, etc.) pertencentes a esse campo. Esse campo popular se materializa em suas 
entidades: sindicatos, entidades estudantis e movimentos sociais. Bastaria que os anarquistas se organizem (em organizações específicas e/ou 
tendências), se insiram e disputem democraticamente suas posições. O problema é que esse pensamento se fundamenta sobre um mito, uma farsa: 
o mito de que o sindicalismo oficial no Brasil é uma instituição autônoma da classe trabalhadora, quando na verdade é uma instituição criada 
e/ou tutelada pelo Estado; além disso, o mito de que as entidades sindicais, estudantis e populares são a materialização (neutra, unitária, 
ampla) desse abstrato "campo popular", quando na verdade suas formas e conteúdos expressam o modelo socialdemocrata e conservador.

Assim, os ecletistas assumem essas entidades burocráticas e socialdemocratas como sendo suas também. Eles não querem destruí-las para 
construir novas organizações, mas tão somente reformá-las para que elas funcionem melhor, e se limitam a uma política de conselheiros e 
pedagogos da burocracia em prol de uma "cultura de participação". Como disse a CAB em seu manifesto de 1º de maio de 2018: "A questão 
central é que a cultura sindical que foi mobilizada durante muitos anos afasta a participação direta". Depois de tantos anos eles mantêm a 
fé de que a construção do poder popular será fruto da revitalização culturalista do sindicalismo de Estado.

É dentro dessa concepção geral do ecletismo que surge a estratégia de criar uma "tendência libertária" de minoria ativa. Dentro dessa 
concepção essas tendências possuem limites claros para o seu desenvolvimento. Se limitam na maioria dos casos a enunciar princípios gerais 
"libertários" e propor uma cultura de participação com o objetivo de relegitimar o "campo de esquerda", com a esperança de retomar os 
"velhos tempos" de auge da esquerda brasileira. Na prática, tais tendências são controladas diretamente pelas organizações ecletistas, muito 
parecidas as tendências impulsionadas pelos partidos tradicionais. Como o ecletismo não possui uma linha de massas autônoma e muito menos 
nacional, as "tendências libertárias" são limitadas ao localismo, a informalidade e a superficialidade.

Toda essa ideia da CAB parte de um princípio equivocado de que existe um movimento de massas a-ideológico, neutro, unitário do "campo 
popular". Essa ideia surge do esquematismo pobre e empirista do ecletismo: se o anarquismo e o comunismo são ideologias que atuam no 
interior de um mesmo sindicato, logo o sindicato é (ou deve ser) um mero receptáculo das ideologias externas a ele. Seria o mesmo que dizer 
que uma igreja por ter pessoas de esquerda e de direita não possui uma ideologia própria. Ou o zapatismo, ou o confederalismo democrático, e 
por aí vai. Para nós, não existem entidades "puras", ou seja, exclusivamente corporativas ou profissionais que não expressem as grandes 
lutas ideológicas das tendências socialdemocrata, revolucionária e conservadora.

Essa concepção do ecletismo nega a capacidade do movimento de massas e dos militantes de base de construírem uma ideologia revolucionária 
própria. Apesar da fraseologia "libertária" e "humilde", o especifismo, por negar a formulação teórica anarquista, assume uma concepção tão 
autocentrado e elitista quanto a marxista. Não compreendem que o pluralismo do sindicalismo revolucionário (assim como a ação direta, 
classismo, internacionalismo, etc.) é parte de um sistema de ideias, aspirações e valores, ou seja, de uma ideologia, construída pela 
experiência histórica do povo. O fato de anarquistas, cristãos, comunistas, socialistas, poderem atuar no interior dos sindicatos não muda 
esse fato. Um movimento de massas revolucionário pode e deve ter vida própria, constituir-se por si mesmo, isso é autonomia. Mas assumir 
isso significaria reconhecer que as atuais entidades hegemônicas não são neutras, mas fruto das estruturas de poder dominante e assumidas na 
história recente pelas burocracias da CUT/PT.

2.2 - Sindicalismo de intenção revolucionária

De alguns anos para cá, como demonstração de um suposto avanço teórico e político, observamos em alguns panfletos e, mais precisamente no 
Caderno de formação sindical nº 1 da CAB (2017), o surgimento do conceito de "sindicalismo de intenção revolucionária". Mas a partir da 
análise percebemos que para o ecletismo esse conceito faz todo sentido, ainda que para o anarquismo revolucionário seja inadmissível.

Dentro do conceito de "sindicalismo de intenção revolucionária" da CAB não estão incluídos apenas o anarcosindicalismo e o sindicalismo 
revolucionário, mas de forma geral todas as estratégias utilizadas pelos anarquistas para atuar no movimento de massas. O centro nivelador 
torna a ser a "inserção social". É como girar em círculos. Uma redundância e estagnação que dá uma falsa aparência de coerência.

A CAB assinala como referências desse "movimento sindical de intenção revolucionária" Neno Vasco e Errico Malatesta (sic), importantes 
militantes históricos mas com posições, senão antagônicas, no mínimo contraditórias no que tange a organização e a luta sindical. É o 
ecletismo à olhos nus. Vejamos um importante texto de Malatesta (1922), em crítica à União Sindical Italiana (USI) e às concepções 
bakuninistas, onde explica sua posição sobre o sindicalismo:

Numa palavra, o sindicato operário é, por sua natureza, reformista, não revolucionário. O espírito revolucionário deve ser-lhe levado, 
desenvolvido e mantido pelo trabalho constante dos revolucionários que agem fora e dentro do sindicato, mas ele não pode provir de prática 
natural e normal. Ao contrário, os interesses atuais e imediatos dos operários associados, que o sindicato tem por missão defender, estão, 
com muita freqüência, em contradição com as aspirações ideais e futuras. O sindicato só pode fazer ação revolucionária se estiver impregnado 
do espírito de sacrifício, à medida que o ideal esteja situado acima dos interesses, quer dizer, somente na medida em que cesse de ser 
sindicato econômico para se tornar grupo político fundado sobre um ideal, o que é impossível nas grandes organizações que necessitam, para 
agir, do consentimento das massas, sempre mais ou menos egoístas, medrosas e lentas. (Malatesta, Sindicalismo e Anarquismo, 1922)

Mais a frente no mesmo texto, Malatesta (1922) afirma que a concepção de Bakunin sobre o papel revolucionário dos sindicatos e da AIT é um 
erro. O revisionismo "anarcocomunista" não poderia ser mais explícito e nefasto. Podemos resumir a concepção de Malatesta nos seguintes 
pontos: 1º) A luta e a organização da classe, por si sós, só podem resultar em reformismo e limitações; 2º) A ideia revolucionária ou 
anarquista, portanto, não é fruto dessa atividade de autoorganização e luta dos trabalhadores, ela deve ser levada de fora para dentro; 3º) 
A função dos revolucionários é colocar o "ideal" acima dos "interesses" materiais das massas sempre "egoístas, medrosas e lentas", ou seja, 
as concepções anteriores conduzem a um método idealista, educacionista e elitista. Como assume de forma aberta o próprio Malatesta isso é 
uma negação do bakuninismo e do sindicalismo revolucionário.

Esses elementos revisionistas são incorporados pela CAB em sua proposta sindical eclética. Vejamos as suas concepções unitárias da luta 
sindical:

a) A natureza do sindicalismo e a necessária luta por questões imediatas; b) O sindicato como um meio e não o fim; c) Desafio de romper com 
o corporativismo das categorias trabalhando a solidariedade; d) A importância de não reproduzir o sectarismo no movimento sindical, pois, 
sob o ponto de vista libertário, devemos saber lidar com a diversidade; e) A pedagogia do exemplo para a construção social do novo sujeito e 
o sindicalismo como algo essencialmente prático. (CAB, Caderno de Formação Sindical nº 1, 2017)

Vemos que as conclusões concretas da linha sindical da CAB são diretamente tributárias da ideia central de Malatesta: o sindicalismo só pode 
ser um "meio", limitado às questões imediatas e reformistas. A concepção sindical ecletista faz jus ao epíteto "intenção" já que é, ao fim e 
ao cabo, uma negação das bases fundamentais do sindicalismo revolucionário e da capacidade política da classe trabalhadora. Tal como a 
concepção de Malatesta ela é quase uma cópia das concepções hegemônicas e errôneas da socialdemocracia/comunismo. O elemento "libertário" 
(sic) entra pela ideia vaga de diversidade e anti-sectarismo.

Essa concepção serve para justificar qualquer opção de "atuação" de anarquistas de acordo com conveniências e facilidades de momento. A 
escolha do caminho correto fica ao acaso, não é devidamente problematizado. O importante é continuar andando, "atuando", ainda que seja para 
o precipício. É esse oportunismo que levou o FAO (atual CAB), por exemplo, a abandonar o processo de ruptura com o governismo da CUT/UNE 
(materializado naquele momento na criação da Conlutas) e se unir aos paragovernistas do PSOL, ASS e correntes do PT na criação da 
Intersindical/CUT. Na prática acabaram por fortalecer a hegemonia governista no movimento sindical-popular.

Assim, o que vemos com a teoria do sindicalismo de intenção revolucionária é uma tentativa de justificar e naturalizar a atuação oportunista 
"libertária" no interior do sindicalismo de Estado e socialdemocrata. E dessa forma, mais uma vez, fogem da tarefa de romper com o paradigma 
e as estruturas gerais da socialdemocracia. Certamente outros elementos devem e serão analisados em outros momentos, mas acreditamos ter 
evidenciado em aspectos centrais a contradição do tal sindicalismo de "intenção" revolucionário.

Diferente do ecletismo, o bakuninismo defende de forma clara e radical a importância do partido anarquista e do movimento de massas para o 
processo revolucionário. Não há uma hierarquização entre ambos, apesar de uma diferenciação importante. Um não pode avançar sem o outro. 
Ambos devem (e podem objetivamente) ser organismos da transformação revolucionária da sociedade. O partido revolucionário anarquista e o 
sindicalismo revolucionário são como a alma e o corpo. Como já dissemos desde nosso surgimento: no pensamento de Bakunin "existe uma relação 
dialética entre as seções centrais e as seções de ofício. Uma complementa a outra, e separada elas perdem igualmente sua força 
revolucionária" (A Alma e o Corpo, UNIPA, 2004).

De forma mais geral, as concepções autocentradas ou centralistas levaram a equívocos históricos que devemos combater: 1) A ideia marxista 
clássica do partido como o único agente capaz de realizar a transformação social, que gerou o reformismo e o stalinismo (e gerou de tabela o 
"especifismo"); 2) A ideia do organismo militar/guerrilha/exército como o agente revolucionário, que levou ao foquismo; 3) A ideia do 
sindicato ou do movimento de massas como o único agente de um processo revolucionário, que gerou o purismo sindical. A UNIPA entende que a 
revolução integral deve ser fruto de uma "estratégia harmônica e global" (COPEI, 1972) das forças coletivas do proletariado, em seus 
aspectos políticos, sindicais, teóricos e militares.

2.3 - A frente de oprimidos

Diante de tudo o que foi falado, qual a função discursiva da proposta (já quase abandonada) de "Frente dos Oprimidos" na linha de massas do 
ecletismo? Nós dizemos que ela ainda cumpre um requisito essencial das concepções oportunistas: a ideia de que se está trabalhando no longo 
prazo pela "revolução", pela "frente dos oprimidos", convertendo esses objetivos em um mito cômodo, oportunistamente manejável, isolada da 
prática política concreta, habitual e cotidiana.

Portanto, tendo em vista que inexiste qualquer programa e estratégia concreta, cotidiana e atual sobre a tal Frente dos Oprimidos, a questão 
central que se demonstra para os anarquistas e revolucionários é que ela é uma panaceia, uma distração discursiva que no seu início pode ter 
sido defendida com alguma sinceridade, mas que hoje só serve para os dias de festa, para os discursos exaltados e vazios que precisam se 
algum "belo ideal" para se justificar.

O bakuninismo afirma que os dilemas e as tarefas revolucionárias não se dão num futuro abstrato. Batalhas estratégicas (políticas e 
ideológicas) pela libertação do nosso povo estão ocorrendo nesse instante, nas práticas diárias e conflitos reais. Como disse Durruti, 
"levamos um mundo novo em nossos corações, esse mundo está crescendo nesse instante".

Fica claro assim que o ecletismo da CAB não possui um programa e estratégia de reorganização da classe trabalhadora brasileira. Na ideia 
superficial e compulsiva de se "inserir socialmente" essa questão da reorganização sequer é colocada de forma séria.

3 - O ativismo e as influências burguesas nas lutas pós-2013
No Brasil, podemos dizer que o ativismo ganhou mais organicidade em movimentos como o MPL e nas concepções, ações e organizações durante e 
após as jornadas de junho de 2013 nos vários coletivos e grupos locais. Uma de suas principais expressões foi a fluidez organizacional 
durante a revolta de 2013, que permitiu que o movimento naquele momento não fosse capturado pelas centrais e partidos hegemônicos. Mas em um 
momento posterior, quando ocorre o refluxo das lutas, essa crítica anti-burocrática não se consolida em organizações de novo tipo, 
garantindo a retomada da política hegemônica. E aí está o dilema central que torna atualmente o ativismo em uma expressão de um reformismo 
libertário.

A retomada dessa política hegemônica, como expressão das relações de poder, não se dá de forma concomitante ao ativismo, ela se dá: 1º) pela 
integração sistêmica, cooptando os ativistas e pequenos coletivos à política socialdemocrata e/ou conservadora. É sintomático que militantes 
e movimentos com origem autônoma tenham se transformado em vários lugares em forças auxiliares de partidos socialdemocratas. Um exemplo foi 
as eleições de 2018, em Brasília lideranças "autonomistas" do MPL convocaram uma plenária "antifascista" para fazer campanha eleitoral para 
o Haddad (PT); 2º) Pela desintegração cíclica, ou seja, pela desestruturação interna desses grupos ativistas e pela repressão externa 
estatal e burguesa. Toda uma atmosfera de fragmentação, calúnias, liberalismo, foi utilizada e induzida pelo poder dominante para impedir a 
continuidade das lutas insurgentes pós-2013.

Não é a toa que grande parte desses ativistas tenham debandado para uma postura individualista e desorganizadora de lacração virtual, único 
terreno em que sua vaidade e radicalidade fake pôde continuar. É o fenômeno da moda dos youtubers de "esquerda" que precisam alimentar 
diariamente as suas polêmicas e intrigas. As questões concretas da organização coletiva dos explorados passa muito longe desse 
individualismo "radical", vaidoso e inútil para a libertação dos trabalhadores, do povo negro e das mulheres.

Assim, por não assumir um projeto amplo e coerente de reorganização da classe trabalhadora, o ativismo foi derrotado ou integrado à política 
hegemônica. Hoje, aquilo que restou do ativismo está numa posição política de entrave para o avanço da luta revolucionária.

Uma parte desse ativismo ainda tenta, na maioria das vezes de forma superficial, sustentar um discurso "combativo" (em relação a ação 
política), "antiburocrático" (em termos organizacionais) e "marginal" (em aspectos sociais). Mas é aí que encontra as suas maiores 
contradições. Isso porque o fenômeno do ativismo representa todos esses elementos apenas de forma aparente e, no máximo, circunstancial. 
Esses símbolos representam para esse setor não um projeto revolucionário, mas um problema de autoafirmação e identidade individual ou de 
pequenos grupos. É um fator de distinção social, hierarquização e divisão entre os oprimidos, e não de luta coletiva e revolucionária.

É por isso que na ideia ativista: 1) a combatividade está deslocada da organização e do trabalho de base (e visse versa); 2) a crítica a 
burocratização dos sindicatos e movimentos está, absurdamente, desvinculada da necessidade de construir organizações de massas de novo tipo; 
3) a defesa dos "pobres" e "minorias" se degenera em políticas ora de cunho messiânica, empreendedorista, culturalista ou individualista (de 
narrativas universitárias de "lugar de fala", etc.), ou seja, em nenhum delas existe a formulação de uma política antisistêmica real, de 
construção da ação direta e da auto-organização do proletariado marginal. É sintomático, por exemplo, que esse ativismo não tome parte (nem 
sequer consiga enxergar o potencial) das greves negras e femininas de trabalhadoras terceirizadas, de aplicativos, do comércio, garis, e 
restrinja a questão das "opressões" ao culturalismo e ao individualismo.

Ou seja, em todos esses aspectos o ativismo tende a manter intacta a estrutura política e social do reformismo, do burocratismo e das 
desigualdades de renda e poder que dizem combater. Ele é a outra face da moeda da política reformista: o espantalho/caricatura perfeita para 
a burocracia sindical e partidária manter a classe trabalhadora sob o seu domínio. Assim, essa degeneração do ativismo se torna em um dos 
entraves para uma política autônoma da classe trabalhadora. Mais ainda em relação ao proletariado marginal, que na atual crise sistêmica é 
impelido ao confronto direto e explosivo com o Estado e o Capital e necessita de instrumentos reais e eficazes de luta e organização.

4 - O liquidacionismo anarcossindicalista, seus erros e autocríticas
A tentativa de construir o anarcossindicalismo no Brasil surge nos anos 1980/90 com os esforços de "reconstrução da COB". Ainda que carregue 
erros, aquele processo deve ser diferenciado dos atuais coletivos de contracultura pró-COB (incipientes em quantidade, mas principalmente em 
linha política). Podemos dizer que a história se repetiu, primeiro como tragédia, depois como farsa. Militantes sinceros da geração de 
1980/90 realizaram autocríticas sobre os erros cometidos, em alguns lugares inclusive aderiram ao projeto do sindicalismo revolucionário.

Em nossa visão o que caracterizou o "anarcossindicalismo brasileiro" foi: 1º) um erro de interpretação sobre a COB-histórica, muito 
influenciado pelas narrativas marxistas hegemônicas, seja aderindo ou negando, mas sem apresentar uma base teórica própria e consistente; 
2º) A falta de uma teoria sobre a classe trabalhadora e a revolução brasileira que pudesse formular um projeto amplo e estratégico de 
reorganização; 3º) A idealização e fetiche a partir de uma narrativa distorcida sobre o "modelo europeu" anarcossindical; 4º) Relacionado 
aos anteriores, se degenerou em uma política localista, idealista e descontextualizada, sucumbindo em um paralelismo ingênuo e sectário.

Isso impediu que nos anos 1980/90 esse núcleo anarcossindicalista desenvolvessem tanto uma disputa sobre os rumos das oposições sindicais e 
do nascimento da CUT (combatendo a tendência socialdemocrata/comunista), quanto em construir organizações paralelas reais.

Muitos desses erros também foram (e são) reproduzidos no interior da "internacional anarcossindicalista", a autodenominada AIT. O problema 
central é que ela possuía uma estrutura organizativa que tentava conciliar concepções políticas antagônicas em seu interior: a) um setor 
culturalista e pequeno-burguês, mais importava com um sectarismo ideológico "anarquista" de seita do que com os problemas reais da luta de 
classes (que seria o caso da "pró-COB"); b) um setor que defende a centralidade da luta de classes e da necessidade dos 
sindicatos/associações (sejam revolucionárias ou anarcossindicais) retomarem seu protagonismo de massas em conflitos reais (representado 
pela CNT, FORA, USI e FAU).

Desse antagonismo emergirá uma ruptura e autocrítica importante sobre a experiência e linha anarcossindicalista de fins do século XX e 
início do XXI. Essa autocrítica irá se materializar na criação da Confederação Internacional do Trabalho (CIT), não a toa uma proposta de 
unir organizações sindicalistas revolucionárias e anarcossindicalistas. Esse processo, ainda que possua contradições, apresenta dois 
aspectos fundamentais: 1) uma linha de massas com base no classismo e no internacionalismo, mas que seja construída de baixo para cima, a 
partir das realidades e conflitos concretos de cada país, categoria, etc. e por isso mesmo tenha condições de se massificar; 2) a ruptura 
internacional e nacional com a tendência de sindicalismo socialdemocrata e conservadora e, portanto, a afirmação da capacidade 
revolucionária dos próprios trabalhadores.

No entanto, o reconhecimento de um avanço não significa a eliminação das diferenças com o anarcossindicalismo, nem que novas polêmicas e 
recuos não possam surgir. Mas significa que existe uma nova base unitária em que a construção de uma linha de massas revolucionária pode se 
desenvolver. É aí que os caminhos da CIT e do sindicalismo revolucionário do Brasil se encontram. Mas esse encontro só pode ser frutífero 
através do permanente exercício da unidade, da crítica e da autocrítica. O sindicalismo revolucionário brasileiro tem algo a dizer, tem um 
programa, uma estratégia e uma história. Isso deve ser valorizado. Ele pode ser um elemento ativo e propulsor dessa nova unidade 
internacional. Mas seria um erro grave fetichizar e idealizar o processo, trazendo para dentro da organização nacional os equívocos de 
outras organizações, tal como a ideia de "anarquizar" os sindicatos.

Portanto, no país em que exista uma tradição de massas anarcossindical (o que não é o caso do Brasil) e que esta esteja acompanhando o 
processo de reorganização e autocrítica da CIT, os anarquistas revolucionários devem atuar em seu interior: 1) Aprofundando e levando a 
autocrítica aos seus limites; 2) Defendendo uma linha política concreta para a sua massificação (combatendo o sectarismo ideológico); 3) 
Utilizando como base a Plataforma Internacional do Anarquismo Revolucionário (UNIPA e OPAR) e as Teses por uma Tendência Classista e 
Internacionalista (FOB). Além disso, os anarquistas em todo o mundo nunca devem colocar para segundo plano a construção do partido 
revolucionário anarquista, fazê-lo seria uma traição.

Os lugares em que o sindicalismo revolucionário está em processo embrionário de estruturação, como no Brasil, as potencialidades são 
grandes, mas as dificuldades também. Deve-se combater o liquidacionismo (nas formas de um radicalismo verbal e meramente "ideológico", 
sectarismo). Esses desvios "anarcossindicalistas" não são apenas negativos à construção do partido anarquista, mas principalmente ao 
desenvolvimento e massificação das organizações de massas revolucionárias. E tudo aquilo que dificultar ou limitar o desenvolvimento do 
sindicalismo revolucionário no Brasil, por mais "radical" que seja sua aparência, não faz mais do que servir à manutenção da hegemonia dos 
reformistas e da direita.

5 - Um chamado aos trabalhadores anarquistas e revolucionários
Certas pessoas defendem tal estado de ação[heterogêneo]dizendo que desse modo é explicada a variedade das ideias anarquistas. Bem, admitamos 
tal fato, mas qual interesse pode essa variedade representar para os trabalhadores? A luta e o sofrimento hoje em dia, agora e 
imediatamente, precisam de uma concepção precisa da revolução, que pode levá-los para a sua emancipação em seguida; eles não precisam de uma 
concepção abstracta, mas uma concepção viva, real, elaborada e que responda às suas necessidades.

Piotr Archinov, O velho e o novo no anarquismo (1928)

Camaradas, devemos nos preparar a cada dia para as lutas e revoltas que virão. Não pode mais haver espaço para vacilação, confusão e 
reformismo em nossas fileiras. A crítica fraterna, ainda que radical, não é uma inimiga da unidade, ao contrário, é uma de suas condições e 
de suas bases. A unidade revolucionária e proletária nunca será alcançada com falsas complacências e diplomacias. E é por isso que esse 
também é um chamado à unidade, um chamado à construção da luta, organização e união do nosso povo.

Como já temos dito em outros momentos, um sindicalismo revolucionário autêntico ainda que alguns de seus embriões surjam no interior das 
estruturas hegemônicas atuais (e é normal que isso ocorra nas condições do Brasil) deve caminhar necessariamente para a ruptura com elas, 
construindo entidades de pressão e representativas de novo tipo. Mas ele nasce também organizando os desorganizados, o proletariado 
marginal, os precarizados, que sem um projeto mais amplo e claramente definido de organização de massas tenderão a ser novamente capturados 
para o barco furado do sindicalismo oficial e socialdemocrata. Não podemos deixar esse crime ser cometido novamente diante de nossos olhos 
e, pior, não podemos contribuir com ele.

Portanto, em relação a linha de massas que defendemos, não se trata de "converter" ao anarquismo. Não se trata disso. Se trata de construir 
um novo paradigma de luta e organização de massas fora da socialdemocracia e do sindicalismo oficial que emperra e boicota as lutas todos os 
dias. Essa unidade só pode se desenvolver pela construção de um movimento sindicalista revolucionário, plural, autônomo e eficaz aos 
interesses do povo.

Mas para isso é imperioso romper com os quadros de pensamento e ação do reformismo libertário. Os camaradas devem rever suas posições. A 
nova unidade proletária não se dará com uma diplomacia covarde e sectária dos "clubinhos libertários". Ela se dará pelo compromisso assumido 
no campo da ação prática e estratégica daqueles que querem honestamente servir à causa do povo. Isso não significa que para construir o 
sindicalismo revolucionário você tenha que ser anarquista. Na nossa caminhada encontramos muitos marxistas, cristãos, umbandistas, 
autonomistas mil vezes mais honrados, combativos e coerentes que autoproclamados "anarquistas". E nem por isso deixamos de criticar suas 
concepções que consideramos erradas.

Assim, a reconstrução do sindicalismo revolucionário não pode se dar na forma de "tendência" de minoria ativa restrita e propriedade de um 
partido/organização "específica". E mais ainda, ela não pode se dar por um acordo por cima entre partidos. Ainda que ela seja aberta a 
influência das mais diversas ideologias e grupos ninguém possui ou deve possuir a direção oficial do sindicalismo revolucionário (mesmo que 
este expresse de forma natural disputas e concepções majoritárias e minoritárias em seu interior). Ele pertence às massas populares e a sua 
capacidade de autoorganização e emancipação. As organizações que servirem de forma honesta e saudável a essa causa sagrada serão 
reconhecidas. As organizações e indivíduos que se fecharem em suas covardias e sectarismos serão julgados pela história.

Por outro lado, a construção do partido revolucionário anarquista é tarefa fundamental do processo emancipatório, nacional e internacional. 
Não repetiremos aqui os argumentos favoráveis a essa construção (Ver Comunicado nº 2, 21, além da Plataforma escrita com a OPAR-México). O 
anarquismo, defendido pela UNIPA, é uma continuidade do combate ideológico e político desenvolvido na história pela Aliança, pelos 
Makhnovistas, pelo grupo Dielo Trouda, pelos Amigos de Durruti e tantas organizações revolucionárias anarquistas. Todos esses processos 
tiveram contradições, inclusive o nosso. Mas nos educamos desde cada militante, cada núcleo e em todo o país a seguir avançando e superando 
nossas debilidades. Não aceitamos tornar as debilidades em doutrinas, isso seria oportunismo. Não aceitamos a infiltração burguesa, do 
liberalismo e do reformismo em nossas fileiras.

Nós bakuninistas somos continuadores de Bakunin, Louise Michel, Lucy Parsons, Makhno, Archinov, Ida Mett, Durruti, Jaime Balius e tantos 
outros. Não por que iremos copiá-los de forma idealista e sectária. Queremos aprender com suas críticas e autocríticas. Queremos entender e 
superar suas limitações e seguir avançando. Assim, o bakuninismo não é uma admiração dos "clássicos" como peça de museu, como símbolos de um 
pretenso "movimento anarquista" tão heterogêneo quanto inútil para os trabalhadores. Nunca tivemos medo de criticar os clássicos, modernos 
ou pós-modernos que traíram a revolução. O bakuninismo é um instrumento revolucionário para destruir os poderes de dominação e exploração. É 
um fantasma que ameaça a burguesia, a reação e o reformismo em qualquer terreno em que eles se apresentem. Ao contrário do que dizem nossos 
adversários, nós somos os verdadeiros quebradores de mitos e ícones.

Afirmamos que o grande revolucionário russo, Mikhail Bakunin, mais do que um ícone vazio que enfeita paredes e frases de efeito, 
sistematizou uma nova e vibrante teoria e ideologia revolucionárias: o anarquismo. O bakuninismo, portanto, é sinônimo de anarquismo.

O que mais assusta os inimigos do bakuninismo é exatamente que o seu avanço por todo o Brasil representa a destruição dos verdadeiros e 
nefastos mitos fundadores e estagnadores desse "movimento libertário" pequeno-burguês e social-reformista. E o bakuninismo avança ajudando e 
aprendendo com o povo trabalhador a se libertar das correntes seculares de opressão do Estado e do capital. É com o mesmo espírito que 
nascemos, "contra tudo e contra todos", só comprometidos com o nosso povo e com a revolução, que enfrentamos os desafios da crise atual.

E é por tudo isso, e com um olhar sereno para a tempestade no horizonte, que reforçamos mais uma vez o chamado: construamos a União Popular 
Anarquista! Construamos uma Rede Anarquista Internacional! Construamos a Confederação Sindicalista Revolucionária! Espalhemos o bakuninismo 
e o sindicalismo revolucionário pelos quatro quantos do nosso país e do mundo! Reunamos e formemos os melhores filhos do povo, os elementos 
iniciadores-dirigentes, os soldados da revolução social! Aqueles que não esperam cargos, nem riquezas, nem nada em troca, só a certeza de 
servir à revolução, ao socialismo e a liberdade!

Anarquismo é luta!

Bakunin vive e vencerá!

Abaixo o reformismo marxista e "libertário"!

Morte ao Estado e ao Capital!

https://uniaoanarquista.wordpress.com/2020/07/05/reformismo-libertario/


Mais informações acerca da lista A-infos-pt