(pt) anarkismo.net: No Bananistão dos Parapoliciais 1ª parte - a macabra fábula do esquema político-criminal-policial no Arroio de Fevereiro by BrunoL

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Quinta-Feira, 9 de Julho de 2020 - 07:55:02 CEST


O eixo central é o nexo político-policial-criminal que ocorre e se desenvolve no Arroio de Fevereiro, polêmica, ensandecida e, ainda, 
relevante unidade federativa e governo estadual sub-nacional da Re ---- Esta é uma trama macabra. Fábula de horror tropical, tão "real" como 
os livros de Luiz Eduardo Soares - a Elite da Tropa 1 e 2 - ou os filmes que o hoje, diretor de comédia, José Padilha, (Tropa de Elite 1 e 
2) também rodou. José Padilha fez uma telecomédia fantasiosa e patética, a série O Mecanismo 1 e 2, "livremente inspirado" na Republiqueta 
de Curitiba e na Liga da Não-Justiça. As palavras que seguem estão mais próximas de serem "livremente inspiradas" na triste realidade do 
estado do Arroio de Fevereiro e da República Deformativa do Bananistão, do que nas obras acima citadas.

29 de junho de 2020 - Bruno Lima Rocha e Rafael Costa
* Esta é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com nomes ou pessoas terá sido mera coincidência.
Esta é uma trama macabra. Fábula de horror tropical, tão "real" como os livros de Luiz Eduardo Soares - a Elite da Tropa 1 e 2 - ou os 
filmes que o hoje, diretor de comédia, José Padilha, (Tropa de Elite 1 e 2) também rodou. José Padilha fez uma telecomédia fantasiosa e 
patética, a série O Mecanismo 1 e 2, "livremente inspirado" na Republiqueta de Curitiba e na Liga da Não-Justiça. As palavras que seguem 
estão mais próximas de serem "livremente inspiradas" na triste realidade do estado do Arroio de Fevereiro e da República Deformativa do 
Bananistão, do que nas obras acima citadas. Tudo de trata de ficção, embora eu afirme perigosamente que a Terra continua Redonda e que o Sol 
não gira em torno dela, tal e qual a soma da matemática, 1 + 1 = 2. Alguém, de fato, ouviu o murmúrio do físico Galileu Galilei, em 22 de 
junho de 1633, quando para escapar da Inquisição, renega o óbvio e afirma o fantasioso? Escapa da fogueira e reafirma sua convicção. Esse 
artigo segue dizendo: Galileu tinha razão.
O eixo central é o nexo político-policial-criminal que ocorre e se desenvolve no Arroio de Fevereiro, polêmica, ensandecida e, ainda, 
relevante unidade federativa e governo estadual sub-nacional da República do Bananistão. Tal eixo se cruza com a trajetória política de um 
clã político Fascistoide-Arrivista (FA), que também atende pela alcunha de Familícia. Esta tem como patriarca Coiso Inominável (CI), o 
ex-taifeiro da Guarda Nacional Bananeira - reformado por sinal, da arma da cordoaria, embora tenha feito curso de balonismo e escapado das 
missões no interior, arrumando um curso de monitor de pátio de colégio CM na capital do estado - o pilar da carreira dos machinhos alfa. O 
tal FA fraquejou várias vezes, botando no mundo a mais de uma dúzia de filhos, mas infelizmente a três machistas imbecis, fora outros 
descendentes. Politiqueiros conhecidos descendentes do ex-taifeiro adentraram na carreira da "representação das bandeiras culturais 
neoconservadoras", a mesma do papai.
CI tentou ser síndico, depois deputado subnacional, conseguiu ser deputado nacional de cinco mandatos e, através de um tal de aplicativo de 
mensagens, com mamadeiras indecentes, acabou sendo eleito vice-presidente na maior crise política do Bananistão do século XXI. Fez um dos 
filhos, o Chocolate do Tremelique (CT), também conhecido como "Gelatina" (porque costuma ter síncopes em discussões políticas, mesmo em mesa 
de bar ou sorveteria), um deputado regional de seguidos mandatos na famigerada ALEAF, a mal afamada Assembleia Legislativa do Estado do 
Arroio de Fevereiro. Depois, a esteira da desgraça familiar continua com o muito mal resolvido "Ducha Brilhante" (DB). Mal resolvido porque 
parece que o eterno rapaz tem uns hábitos que não costuma reivindicar, mas Freud explica. Parece que o sujeito é craque em redes sociais e 
vem montando discursos mais ou menos plausíveis para quem tem baixo padrão cognitivo e já está propenso a crer que a Terra seria plana ou 
que um tal Astrólogo Enganador (AE) seria "filósofo". Outro descendente na carreira da polititica é o Xisburguer de Mariola (XM), que atende 
pela alcunha de "Goiabadinha", talvez pela sua pose de goiabada de lata, dessas fabricadas (ele não é goiabada cascão), saiu deputado 
nacional por outro estado, eleito e reeleito. Na carona do papai, o CT virou representante majoritário, ainda operando como puxador de votos 
para um inquisidor com pose de fascistoide, o igualmente nefasto "Água Podre" (AP). Então aliados, hoje desafetos, sendo que o "Gelatina" 
ficou amigo do alcaide Fariseu do Milhão (FM), na capital do Arroio.
A trama em particular desenvolve, se enrola e não desenrola, através da larga atuação de alguns deputados regionais, outros são conselheiros 
municipais, e no meio disso temos a ascensão meteórica do CT como deputado sub-nacional. Ali, em seu gabinete - como em outros, parece que 
doze segundo as apurações judicializadas - estavam alocados personagens e parentes de um mundo sinistro.
Da Parcela Apodrecida para as "parapolícias": Podridão, Playboy e Intervenção Geral
Na eleição geral de 1998, o estado do Arroio de Fevereiro viveu mais um momento de conflito interno na área da segurança pública. No período 
anterior, de 1995 a 1998, o território do estado passou por tudo, incluindo uma intervenção confederal, sucessora da presença de forças 
nacionais em grande evento no ano de 1992, conferência do Sistema Internacional Unificado para o meio ambiente. Na ocasião, a cidade do 
Arroio e arredores foi demarcada em zonas vermelhas - muito perigosas - laranja - de mediano perigo - e verdes - onde não havia perigo, mas 
apenas moradores deveriam circular. Nos bairros mais ricos, segundo a tecnologia da época, residentes eram orientados a portar contas de luz 
ou água, provando "que ali moravam". Já para os moradores de comunidades de favela, a solução da Guarda Nacional do Bananistão foi apontar 
um canhão de blindado, um tanque à frente da maior das comunidades vizinha de bairros ricos.
No governo seguinte, com debandada geral dos seguidores do antigo caudilho desgarrado do pago Sulista e, já radicado na beira da praia, 
desde que voltou do exílio, o inferno estava posto. Em nível federal, da hiperinflação se passou para a estabilidade monetária, mas 
amputando as possibilidades de autofinanciamento dos estados bananisteiros. No plano subnacional, no Arroio de Fevereiro, a Operação Riacho 
II fecha 1994 estabelecendo a segunda intervenção confederal na antiga capital da republica da quartelada e do Império Luso-Bananeiro. Após 
as eleições gerais de 1994, com o Bananistão tetra campeão do mundo, o governo "fevereirense" está com transição de mandato com decadência 
"ampla, geral e irrestrita" - incluindo a criminalização da pobreza na praia e na areia, escandalizado os banhistas e as TVs com os "arrastões".
Não seria tarefa simples controlar a Força Militarizada do Estado do Arroio de Fevereiro (FMEAF) do estado e para tal, a Secretaria de 
Segurança Cidadã é entregue a um ex-repressor da guerra interna contra a incipiente guerrilha contra a ditadura militar, secundado por um 
delegado reformador, da geração de "sangue novo constitucionalista", por sinal social-democrata assumido, e eleitor mais para canhoto e 
depois exercendo mandato pela ex-esquerda. Na comparação do Bananistão com o Brasil, especula-se que foi por volta deste período que o 
diretor de comédias televisivas José Padilha rodou o Tropa de Elite 1. Para ter uma ideia do tamanho do problema, a famosa Divisão Anti 
Sequestro começou a solucionar todos os casos, justo porque o super-delegado "Comissário do Raio de Luz" foi comandar a Divisão e ordenou: 
"ninguém sequestra mais". E os cativeiros começaram a ser estourados um depois do outro.
No segundo governo do ex-caudilho e no que o sucedeu, seu ex-prefeito da capital do Arroio de Fevereiro, a FM tinha um notório grupo de 
extermínio, Jumentos Velozes, no 109º BFM de Arrocha Piranda. Pelas reorganizações das unidades, essa tradição veio a ser do 144º BFM, a 
Unidade do Terror. Ambos os batalhões se cruzam com a história da FA, o primeiro com o papai valentão, pois quando foi assaltado pilotando 
um carro conversível e armado (dizem que de revolver de espoleta, um 38 fajuto como uma tal sigla partidária ainda não legalizada), teria 
recorrido "aos amigos dos mais amigos" do 109º Batalhão e a partir daí parece que ninguém sabe e ninguém viu. No ato de reagir, o valente 
taifeiro reformado congelou - o que é normal -, mas no momento de "correr atrás", chamou a força dos Jumentos e "passaram geral". Esses 
Jumentos teriam promovido a chacina de Coroinha do Local, sendo antecedida pela da Igreja da Mãe da Pandelária e de 14 jovens filhos de Avós 
de Acaçari, no centro da capital. Dezenas de moradores da cidade e arredores perderam a vida para esse grupo de extermínio diretamente 
influenciado pelo então ainda deputado sub-nacional e ex-major da FMEAF, Cleomir Tangerina. Dentre estes, o autor desta fábula em sua versão 
real e concreta também perdeu um amigo para um desses criminosos em seu turno de folga, "tirando serviço" na Região dos Lagos.
O paralelo ao 109º BPM na década de '90 é a ação do 144º BPMERF na segunda década do século XXI. Assim como as unidades tenebrosas - 
Jumentos Velozes e Unidade do Terror -, o modelo de acumulação primitiva de cobrar tributos da economia ilegal - o famoso arrego semanal 
mais os extras sobre o narcotráfico - e a "boa convivência" com a bicheirada foi mudando. Houve mais uma tentativa de "reformar" a polícia, 
dessa vez com um antropólogo e literato, um ex-euroestalinista, desses que acredita piamente na democracia burguesa e no "aprimoramento das 
instituições".
Quando a ex-esquerda chegou ao Planalto Real, a capital do Bananistão, o próprio foi levado à condição de Secretário Nacional de Segurança 
Cidadã, e propôs novamente a reforma policial com carreira única e ciclo completo. O queimaram de novo, mas sem ameaça de vida. No Arroio de 
Fevereiro, no governo do Molequinho Falador (MF), a "nova força militarizada" começou com fôlego e terminou sendo caracterizada pelo 
assertivo intelectual de "parcela apodrecida". Novamente era para juntar óleo e água. O professor reformador era o 02 de um ex-repressor, 
Hipocrisia de Terno (HT), tenente-coronel da FMEAF, mas que havia atuado na repressão política, incluindo acusações de tortura a presos 
políticos. Em março de 2000, o MF demite o ex-euroestalinista pela TV, justo pelo fato da denúncia da parcela apodrecida. Daí em diante, um 
breve exílio salva a sua vida e de seus familiares.
O reformador civil não foi o primeiro, antes nos idos de 1983, uma geração de coronéis da Força Militarizada com interesses em direitos 
humanos e sociais, estudiosos de psicologia social, tentaram mexer nas entranhas da instituição. O que mais longe chegou foi Antonino 
Magnaldo de Oliveira. Terminou assassinado em circunstância muito mal explicada, quando já estava na reserva, e cujo caso foi encerrado pelo 
então secretário HT e com o silêncio cúmplice do "reformador". Enfim, ali é difícil mesmo, como afirmou o diretor de comédias: "o sistema é 
F. parceiro".
O século XXI trouxe uma "novidade", ocorrendo com o Bananistão algo semelhante aos eventos de profissionalização e complexidade empresarial 
no mundo real, como na terra de Gabriel García Márquez, com as Autodefesas Unidas de Colômbia (AUC). Passaram a dominar territórios 
(vendendo o colégio eleitoral da comunidade como porteira fechada), redes de negócios com ampla penetração social (como gato na TV a cabo, 
distribuição de gás, Vans de cooperativas de transporte para áreas sem transporte público concedido) e também na tributação para taxa de 
segurança (sobre todo e qualquer comércio na área). A próxima complexidade para os paramilitares fevereirenses seria o controle de rotas 
para roubo de cargas, aluguel de espaços para "bocas de fumo" incluindo tele-entregas e os "empreendimentos imobiliários". Algo semelhante 
ocorrera no México, quando uma unidade de elite binacional - mexicana com o GAFE e guatemalteca com os Kaibiles - composta por reservistas 
formou a última companhia, a Z. Los Zetas passaram de escolta a cartel e depois foram dizimados na guerra do norte. No Arroio de Fevereiro, 
além de não sofrerem derrota alguma, o paramilitarismo policial cometeu um crime na memória histórica, ao incorporar a designação de "mlícias".
Nos governos da Parcela Apodrecida assumida, com HT à frente e MF no Palácio das Mexericas, assim como já na sucessão de Espinhosa Margarida 
(EM, a "conja" de MF segundo o dicionário luso-entreguista do juiz Marreco da Republiqueta), a podridão aumentou. No período, a chefia de 
Investigações Judiciais (IJ) ficou a cargo de um delegado muito esquisito. Rambo Galã (RG), ex-oficial da FMEAF (saiu como tenente superior 
e teria feito curso de força de ação inesperada), entrou na Academia da IJ com mandado de segurança e HT o promoveu. Acabou na famigerada 
ALEAF e preso pelos federais. De biografia "inspiradora", seu legado serve para roteiros de obras "noir", de tipo mistérios e misérias 
policiais.
Como tudo no Arroio de Fevereiro é "complicado", um Playboy Parasita (PP) foi eleito governador de estado em 2006, reeleito em 2010 e ainda 
indica o sucessor, o Dedo Gigante (DG), para o Palácio das Mexericas. A farra acaba com todo mundo em cana, o estado sob intervenção das 
forças confederais do Bananistão e depois prende o suposto "Dedo Gigante" (DG), que realmente estava "difícil" de ser identificado pela 
Força Tarefa da Vazante Espumosa. O inútil PP até era filho de poeta, e se dizia uma pessoa "simples", torcedor do Gigante da Colina, mas de 
estranhos hábitos, como festas nababescas com guardanapos na testa em plena capital da Gália.
O parasita era poderoso, chegando a indicar dois juízes para a Suprema Corte Estamental Bananeira. Dizem que um deles, metido a casca grossa 
e faixa preta não sei que grau (mas de verdade a faixa dele, não a que o FA ganhou do seu Crobson), teria beijado os pés da primeira dama 
fevereirense depois que ele, fora indicado para Suprema Estamental pelo peso político do hoje ex-governador defenestrado. Como tem eleitor à 
beça no Arroio de Fevereiro, a ex-esquerda se aliou ao inútil no governo estadual, baixando linha e tudo através do Estalinho Caipira, o 
super capa preta da social-democracia, botando a aliança com o playboy goela abaixo do diretório estadual. Na reeleição o vale tudo pela tal 
da governabilidade ainda pegou, mas na eleição do DG já era cada um por si. Isso porque a lambança estava feita, com todas as legendas de 
centro-esquerda do estado se sujando, caindo de cabeça na vala, sem pudor, abrindo mão de quase tudo para fazer quase nada. E ainda sair 
queimada.
Os dois governos do Playboy foram, em sua grande maioria, geridos na pasta da segurança por um delegado federal que vinha da Província 
Sulista. Antes, por breves meses, outro federal, que se aventura na carreira política e que havia sido braço direito do Josefino Carcamano, 
ex-candidato á Presidência do Bananistão por duas vezes, foi titular da pasta maldita, o Zerelo Itaíba (ZI). Mas, a marca da insegurança 
pública do Playboy e do DG foi com o secretário sulista. Com fama de honesto, de repente entrou e saiu limpo, mas foi no mínimo conivente 
com a chocadeira de veneno que estava sendo gerida nas entranhas, no bolo fecal do "sangue azulado".
"Gelatina": deputado amigo dos amigos
É neste período que entra no circuito político o "Gelatina", como deputado subnacional na amaldiçoada ALEAF. No governo da Espinhosa ele 
entra na carreira política, pegando carona no nome do papai, ainda no século XX. Chega ao mandato de legislador da unidade confederativa no 
período anterior e seguinte, como no do Ex-Dirigente, à frente do Bananistão. O CT, repetindo a retórica do pai, vê esquerda em tudo, mesmo 
quando esta sequer está presente. "Gelatina" foi reeleito quando do primeiro governo PP no Rio de Fevereiro e seguiu no mesmo embalo vindo a 
ser representante majoritário no pleito seguinte, quando o FA pega carona na crise política e se torna o vice-presidente do Bananistão, com 
a ajuda indireta do trio engravatado e mauricinho da Republiqueta: Marreco, Danoninho e Galã do Compliance (afilhados adotivos de um tal de 
Cajuarino).
Do período auge do Playboy, com direito a discurso elogioso do CT, a Parcela Apodrecida "evolui", sendo uma empresa arrojada, distribuída em 
redes de terceirizações, num processo de "inovação empresarial" à altura do novo milênio. Toda a lenga-lenga ridícula neoliberal é um 
pastiche da realidade, mas opera como texto legitimador. Já não era possível ignorar as denúncias e milagrosamente a ALEAF bancou uma 
Comissão Legisladora de Investigações (CLI) do Paramilitarismo, sob a coordenação de mais um reformista convicto, como o antropólogo que 
queria reformar a polícia. Apesar de discordar de seu sistema de crenças e do "estrelismo" vindouro, reconhece-se que investigar a Parcela 
Apodrecida já como paramilitarismo policial foi um ato de coragem e fundamental para revelar aquilo que a nata da gema fingia não ver.
Entre fevereiro de 2007 e o segundo semestre de 2008, a dita CLI das "Parapolícias" trabalhou fundo na investigação do bolo fecal do 
paramilitarismo policial no estado do Arroio de Fevereiro. O domínio territorial se consolida em no início da primeira década do novo século 
e entra em conflito, por retaliação, com a maior das facções de redes de quadrilhas do varejo do narcotráfico, a Facção Tomate. 
"Curiosamente", quase a totalidade das instalações permanentes de policiamento em comunidades se deu em áreas desta facção, a FT. Outro 
fenômeno da auto-organização parapolicial, a partir dos anos 2000, alguns servidores da segurança pública começaram a se organizar para 
expulsar o tráfico de áreas onde residiam. Nesta luta pela sobrevivência, a nova tradição se soma a de "polícia tropeira", dando um salto 
organizativo.
Neste salto, as redes formaram bandas de parapoliciais. Duas ganharam destaque. A maior delas, quando fecharam o relatório da CLI, a Religa 
da Injustiça, de Big Field, faturava limpo e sem tributação cerca de R$ 2 milhões à época (muito dinheiro para o período). Outra fonte de 
renda e "necessidade de botar ordem na coisa", é a presença de vans e cooperativas de transporte alternativo, ilegais embora muito 
necessárias, no Arroio de Fevereiro, novamente com ênfase na Zona Oeste. Não era exclusivo dos parapoliciais gerir ou tributar o negócio, 
mas a ordem do trânsito e a fiscalização mais interna - além de conter as brigas - serviu como porta de entrada das bandas paralelas de 
parapoliciais.
A cobrança da ordem territorial e de novos loteamentos em comunidades seria outra forma de desenvolvimento das empresas de parapoliciais. De 
tão conhecida tal prática, até virou novela na Rede Bobo (de 2007 para 2008), tendo um galã das antigas interpretado um personagem 
livremente inspirado em líder comunitário semelhante. A comunidade da Porteirinha foi a fábula para a Rio das Pedradas, espaço principal da 
trama do folhetim televisivo. Nesta comunidade seria organizada nefasta Repartição da Delinquência (RD), novamente emulando fenômenos 
colombianos como a Oficina de Envigado, do finado Popeye, ou da Oficina semelhante de Cáli. O reconhecimento da emissora nave mãe no 
Bananistão, contando inclusive com o aval novelístico da Famiglia dos Narinhos, vai ao encontro da sofisticação de domínio.
Ao lado dos matadores e de pilotos - feras das ruas esburacadas em Vans, carros sem amortecedores ou motos rápidas - o coração da economia 
parapolicial está na capacidade administrativa, na ação de contadores e analistas de dados. A bandidagem fardada ou distintivo em dia de 
folga, montou uma complexa cadeia de valo. Existe, de fato, economia política do paramilitarismo policial. Da "porteira fechada" para dentro 
e na trama entre territórios e formas de lavagem e multiplicação de ativos e de capitais. Nesta seara entra o papel de gabinetes 
parlamentares, dentre eles destaca-se a simbiótica relação entre o núcleo familiar dos FA, com a facção da bandidagem que já vestiu farda, 
com o hoje finado Sub-Comandante Matador Mariano da Obra (MMO) e seu 02, o sempre presente como meganha e ex-cabo, Faz-tudo de Oroz (FTO). 
Ao longo dos mandatos sub-nacionais do "Gelatina" a coisa avançou, os ovos chocaram e as serpentes desfiaram seus venenos.
Veremos estas façanhas nos próximos episódios.

Bruno Lima Rocha é editor dos canais do Estratégia & Análise, a análise política para a esquerda mais à esquerda.
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