(pt) anarkismo.net: O atentado contra o general Soleimani e as mudanças no cenário do Oriente Médio por Pedro Guedes & Bruno Lima Rochaby

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Sábado, 11 de Janeiro de 2020 - 07:52:33 CET


O ataque com drone realizado pelos Estados Unidos no Iraque, ocorrido no dia três de janeiro de 2020 incendiou o Oriente Médio, abrindo 
maiores possibilidades a respeito da escalada das tensões entre a República Islâmica do Irã e os Estados Unidos da América. Isso aconteceu 
pelo fato de entre as vítimas do ataque, estar o tenente-general Iraniano Qassem Soleimani, chefe da Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) e 
da Força Qods (conhecida como Força Expedicionária, destacamento da Guarda revolucionária responsável por operações no exterior) assim como 
o comandante das Forças de Mobilização Popular (PMU da sigla em inglês, al-Hashdi ash-Sha’bi), Abu Mahdi al-Muhandis, uma das mais 
importantes milícias iraquianas, estabelecida para garantir o recrutamento massivo inter-étnico e inter-religioso. ---- O atentado 
terrorista chocou os países do Oriente Médio pelo fato de a operação ter violado uma regra não escrita que regia a relação entre EUA e o 
Irã, que membros do alto escalão (de ambos os lados) não seriam alvos fora de operações de combate . Ou seja, a maneira mais “eficiente” de 
realizar esta operação de assassinato seria pela utilização de forças pró- EUA na região, ou com o uso de membros das forças especiais. A 
postura dos Estados Unidos foi outra; Trump autorizou formalmente a ordem de assassinato e deixou evidente sua decisão. Seu ato é legalmente 
questionável também nas leis da Superpotência, o que não o impediu de ordenar a morte premeditada.
Como resultado do assassínio e martírio do tenente-general Soleimani, o Irã pode vira a perder considerável capacidade de projeção na região 
do Oriente Médio . Isso decorre do fato de que este oficial era um grande estrategista, com vitórias acumuladas em uma carreira militar 
longa, que incluiu a participação na Guerra Irã-Iraque (1980/1988), a Guerra Civil Síria (2012/ presente) e as campanhas militares contra o 
DAESH (Estado Islâmico) entre 2015 e 2017 . Além da capacidade de combate, iniciada ainda no conflito contra o Iraque centrado na província 
do Khuzestão, de maioria árabe, Soleimami se provara um habilidoso político, que permitia ao Irã aglutinar grupos diversos à sua órbita de 
influência e a seguirem suas determinações.
Um dos principais legados deste general para a política externa persa foi a construção de vasta rede de milícias e grupos armados não 
estatais alinhados aos interesses políticos iranianos, cobrindo uma área que inclui do Iraque à Síria, Líbano e mais recentemente, o Iêmen. 
O apoio à formação e consolidação de grupos militares autônomos – de orientação religiosa xiita, ou do xiismo ampliado - permitiu ao Irã 
compensar em termos assimétricos a disparidade tecnológica e militar que existe entre o Estado persa e seus adversários diretos pela 
primazia no Oriente Médio . São eles Israel, Estados Unidos e Arábia Saudita.

O eixo da resistência e o campo de relações político-militares
Essa estratégia foi construída a partir da leitura que a elite política iraniana fez de suas reais capacidades de projeção de força 
convencional para o Oriente Médio, no início do Século XXI, mas traçada a partir da experiência acumulada na vitória do Hezbollah sobre a as 
Forças de “Defesa” de Israel (IDF), em seu recuo da invasão e ocupação do sul do Líbano, Teerão percebera que, já era acossada por pesadas 
sanções econômicas internacionais, teria de dar ênfase na composição de forças irregulares e, ao mesmo tempo, na formalização de 
instituições políticas (como no Hezbollah libanês), parcelas populacionais inteiras (a maioria xiita do Bahrain) e étnico-tribais (no caso 
dos houthis iemenitas). Estas diferentes agrupações possuem em comum, o pertencimento aos xiismos formais como o hegemônico duodocemitano, 
ou às vertentes ismaelitas ou zayidistas; a habilidade também inclui o xiismo expandido, como os alauitas da Síria. Esta capacidade de 
juntar a habilidade com governos locais que por afinidade religiosa ou necessidade política, apontava o Irã como um dos poucos possíveis 
parceiros políticos, como o caso da Síria - nominalmente ainda reivindicando sua origem baathista - do clã Assad .
Entre os vários aliados do Irã, vale destacar três em especial, seja pela importância adquirida por estas milícias no Oriente Médio nos 
últimos anos ou pelos consideráveis números e participação nos conflitos que se seguiram na região ao longo das últimas décadas. Eles são o 
Hezbollah libanês, o Kata’ib Hezbollah (presente no Iraque e Síria) e as Forças de Mobilização Popular (PMU, conjunto de milícias xiitas e 
não xiitas iraquianas, mas hegemonizadas pelas primeiras).
Destes o mais conhecido e bem estruturado é o Hezbollah (o Partido de Deus), fundado em 1985 que em pouco tempo suplantou a Amal (criada em 
1974) como força político-militar do xiismo libanês. Baseado no Líbano, com arraigo especial no
sul do Líbano e nos bairros mais pobres de Beirute e área metropolitana, foi uma das primeiras experiências iranianas, com fomento e apoio 
na construção de grupos armados não estatais no Oriente Médio . Construído no caos da Guerra Civil Libanesa, na etapa de guerra dos campos e 
conflito étnico multifacetado, o Hezbollah consolidou um braço político paralelamente ao braço armado. Como resultado, possui considerável 
influência na política do Líbano, fazendo parte do atual governo de unidade nacional, constituído em 2017 .
Do ponto de vista geopolítico e militar, o Hezbollah se consolidou como principal elemento armado do "Eixo de Resistência" frente a Israel . 
Em 2006, na Guerra do Líbano, o grupo armado libanês conseguiu "empatar" com as IDF, o que lhe trouxe um prestígio ainda maior no Oriente 
Médio . Antes, em maio de 2000, a força político-militar comandada pelo sheikh Hassan Nasrallah conquistou uma dupla vitória, pois com a 
retirada dos invasores israelenses de sua zona tampão do Sul do Líbano, simultaneamente reunificam o país e desmantelam a milícia financiada 
por Tel Aviv, o Exército do Sul do Líbano (SLA ou Lahad Army). Desde então, o Hezbollah se expandiu em número e qualidade das forças 
disponíveis para emprego . Com a participação na Guerra Civil Síria, a milícia libanesa lapidou o treinamento de suas forças armadas, ainda 
que no processo, tenha perdido oficiais da sua alta administração .
O Hezbollah possui cerca de 40.000 efetivos treinados e especializados em funções como explosivos, guerra urbana e anti-blindados . Além de 
infantaria leve com muita experiência em combate, seu maior trunfo militar é o arsenal de mísseis convencionais e balísticos, fruto da 
duradoura e próxima relação com a Guarda Revolucionária Iraniana (IRGC) e que possui tamanho estimado em aproximadamente 130 mil mísseis, de 
diversos tamanhos .Como resultados de suas ações de resistência a Israel e EUA, sua relação com a IRGC, o partido libanês faz parte das 
listas de grupos terroristas dos governos de Israel, EUA e UE. Tal caracterização é a típica hipocrisia dos invasores colonialistas. Agridem 
e denunciam os resistentes como agressores.
A segunda formação político-militar de relevância é a milícia iraquiana Kata'ib Hezbollah. Fundada em outubro de 2003 e ganhando a forma 
atual entre 2006 e 2007, durante a ocupação estadunidense do Iraque, ela tornou-se conhecida pela sua atuação na Guerra Civil Síria. Possui 
o seu efetivo estimado entre 3.000 e 10.000 soldados e membros filiados . Ao longo das operações militares contra o DAESH na região 
fronteiriça entre a Síria e o Iraque, em 2017, o grupo foi integrado à miríade de milícias e grupos armados que compõem as Forças de 
Mobilização Popular (PMU) , sendo considerada a força xiita iraquiana mais importante.
De maneira semelhante ao seu homônimo libanês, a Kata'ib possui ligações políticas, militares e financeiras muito próxima da Guarda 
Revolucionária Iraniana. Para o seu financiamento. Assim, é uma das milícias pró-Irã mais efetivas em combate, mesmo que sem a mesma 
qualidade do Hezbollah libanês.
Por fim, há as Forças de Mobilização Popular, (PMF/PMU nas siglas em Inglês). Ao invés de ser um grupo específico, esta organização é um 
guarda chuva que abrange cerca de 50 milícias e grupos armados menores . Foi institucionalizada pelo governo iraquiano em 2014, após a 
virtual dissolução do exército iraquiano após a derrota frente ao Daesh (também conhecido como Estado Islâmico do Iraque e do Levante, ISIL 
ou ISIS na sigla) na Batalha de Mosul . Na prática, é a frente de confiança da hegemonia xiita no governo, garantindo o campo de alianças 
necessário para evitar uma nova guerra civil de tipo sectária no Iraque.
Seu surgimento se deu a partir de uma tragédia militar. Ao perder Mosul para as forças então comandadas por Al-Baghdadi (o Daesh) Com o 
caminho aberto até Baghdad, o gabinete do primeiro ministro do país à época, Nouri al-Maliki, criou, após o fatwa do clérigo xiita Ali 
al-Sistani, as Forças de Mobilização Popular (al-Hashd ash-Sha?bi em árabe) . Inicialmente composta por sete milícias, logo cresceu para uma 
composição de milícias, grupos armados menores, sendo eles xiitas, sunitas ou não sectárias . Em 2017, no auge da luta contra o DAESH contou 
com efetivo inicial de 150 mil efetivos podendo atingir a cerca de 400 mil incluindo os irregulares .
Como muitas das milícias que compunham a PMU eram grupos veteranos da insurgência - de maioria xiita - contra os EUA, estas mantiveram as 
ligações com seus antigos financiadores, o que na maioria dos casos, era o próprio Irã. Como resultado, o Estado persa conseguiu grande 
influência na política e na economia iraquiana, permitindo até o descumprimento das sanções aplicadas pelos EUA e UE ao Irã . Nas últimas 
eleições, em 2018, a coalizão ligada à PMU obteve 48 assentos no parlamento iraquiano, consolidando a voz de Teerã nas decisões de Bagdá .
Justamente pela relação com a IRGC e para tentar diminuir a pressão dos EUA sob a PMU, de que ela seria uma força auxiliar do Irã, o governo 
iraquiano incorporou e organização à estrutura das forças armadas iraquianas, movimento esse que teria sido planejado pelo tenente-general 
Qassem Soleimani. Este processo, ainda está em desenvolvimento .
O efeito do assassinato de Soleimani foi o oposto do esperado, porque a influência iraniana não foi neutralizada, o que atualmente 
transforma o Iraque no tabuleiro de xadrez em que os Estados Unidos e o Irã duelam pela primazia na antiga Mesopotâmia, e obviamente, no 
controle do governo iraquiano. O ato terrorista estadunidense aqui debatido - que resultou também no assassinato de outros altos oficiais da 
IRGC e da PMU - é mais uma etapa das provocações da Superpotência imperial no Oriente Médio .

Alianças, frente diplomática e perspectivas
A partir da identificação da infraestrutura política e militar comandada diretamente ou sob influência do major-general Soleimani, cabe 
agora a analisar o que levou a presente administração estadunidense a autorizar a operação de assassinato da sexta-feira 03/01/2020.
Segundo o presidente dos EUA, Donald Trump, a ordem para que a missão de assassinato fosse realizada foi motivada pela participação de 
Soleimani no planejamento de supostos atos de terror contra cidadãos, diplomatas e militares estadunidenses em solo iraquiano . Essa 
afirmação, em parte é subsidiada pelo cerco da embaixada dos Estados Unidos no Iraque, que estava ocorrendo desde o dia 30/12/2019 . Nesse 
incidente, uma multidão de partidários da PMU cercou e depredaram os prédios do complexo diplomático, mas não obtiveram êxito em entrar nos 
prédios, que estavam guarnecidos por fuzileiros navais (US Marines) . Pela lógica do presidente que sofreu impeachment pela Câmara de 
Deputados dos EUA, todas as ações das PMU seriam ordem direta do major-general persa?! Mesmo que isso fosse verídico, é possível normalizar 
uma absurda violação do direito internacional desta ordem? A queixa ou a retaliação deveria ser contra o governo nacional iraquiano, que por 
sinal, conseguiu reunificar a população xiita, pois o ataque interrompeu a chamada Primavera Iraquiana, onde a base sócio-religiosa do 
próprio xiismo se revoltara contra o sistema sectário.
Contudo, detalhes a respeito de quais outras operações estavam sendo planejadas e operacionalizadas por Soleimani não foram dadas . Essa 
falta de informações por parte do Pentágono (Departamento de Defesa dos EUA) acaba por enfraquecer esta tese. Assim, outra hipótese logo 
levantada e que possui embasamento na história política estadunidense ganhou força nas análises pós-ataque.
Da mesma maneira que Bill Clinton ordenou ataques na Sérvia para desviar o foco da mídia no seu processo de impeachment , e Nixon 
recrudesceu as ações no Vietnã para garantir sua reeleição , Trump apostou alto em aumentar as tensões no Oriente Médio a fim de aumentar as 
chances de ser reeleito . Ainda que inicialmente esse ataque possa render frutos políticos, dois pontos devem ser destacados. O primeiro é 
que a campanha eleitoral está no início, e os ganhos políticos podem se dissipar ao longo do tempo entre hoje (janeiro de 2019) e as 
eleições em novembro. O segundo ponto é que o ataque efetuado pode desencadear um conflito maior com as forças proxy do Irã, o que poderá 
resultar em baixas civis e militares estadunidenses, o que afugenta votos , ao invés de atrair eles.
Enquanto os Estados Unidos enviam mais tropas para o Iraque, totalizando quase 10.000 soldados no país , o Parlamento Iraquiano votou pela 
expulsão de todas as forças estrangeiras que estão no país . Isso tende a colocar o governo Trump em uma encruzilhada quanto o que fazer. Ou 
cria uma crise política com o governo iraquiano, que em tese apoia. Ou se retira do país, praticamente o deixando para o Irã aprofundar sua 
influência . Ao que parece, a tese do respeito a soberania formal iraquiana prevaleceu, implicando em um longo processo de retirada de 
tropas, movendo-as para monarquias absolutistas, como o Kuwait e Emirados Árabes Unidos (EAU), ou então ampliando o contingente já 
estacionado na aliada Arábia Saudita.
Do lado iraniano, as possíveis retaliações diretas ao assassinato de Soleimani são limitadas de maneira imediata, e ilimitada na frente 
diplomática e política da região. Uma ação realizada por forças regulares está fora de cogitação. Em um confronto convencional, com as 
forças armadas de ambos os países envolvidos, o Irã a princípio perde, pois possui equipamento obsoleto em sua maioria e os soldados são 
menos treinados que as forças que os EUA possuem na região . Um dos trunfos do Irã reside nas capacidades assimétricas de combate assim como 
sua presença direta no Golfo Pérsico, em especial no Estreito de Ormuz. Outro trunfo iraniano é sua capacidade balística, de alcance 
regional, além da artilharia antiaérea, de bom nível e precisão.
Como conceito é importante apontar que as capacidades assimétricas são todas as ferramentas não convencionais disponíveis para fazer frente 
à um adversário mais poderoso. No caso iraniano temos uma rede de milícias e forças que agem por procuração, como as milícias expostas neste 
texto, forças de inteligência, mísseis balísticos operados por estes grupos, propaganda e em caso de uma ação direta dos EUA, invadindo o 
território soberano do Irã ou de aliados, insurgência e guerrilha.
Uma chave no sucesso ou não da avançada diplomática do Irã está na relação com Estados aliados dos Estados Unidos, mas cujos governos 
explicitamente abandonam a decisão de Trump e não a respaldam. Tal fato ocorrera com o premiê israelense Benjamin Netanyahu e com o monarca 
saudita Mohammad Bin Salman. Ambos aliados "incondicionais" não respaldaram o ato terrorista do presidente dos Estados Unidos. Para entender 
o que está em jogo no caso saudita, o Iêmen é o lugar mais propício para esse tipo de resposta, pois na guerra que ocorre neste país, os EUA 
apoiam a coalizão liderada pela Arábia Saudita, que está em uma situação complicada , com seus soldados sendo emboscados e derrotados pelo 
movimento houthi, mesmo com pesado investimento saudita e estadunidense nas forças da coalizão apoiada pelas monarquias do Golfo e com a 
participação de salafistas da Al Qaeda na Península Árabe (AQAP) no esforço de guerra anti-houthis . No campo da guerra de propaganda, 
disputa de controle da narrativa e, aí sim, da legitimidade internacional, o Irã está à frente dos Estados Unidos após o atentado autorizado 
e assumido pela Casa Branca.
Este é o trunfo da legitimidade diante da agressão imperial. O Irã conseguiu o espaço necessário para aprofundar o chamado Eixo da 
Resistência e ultrapassar as boas relações diante do inimigo comum, como no caso do apoio ao Hamas e a libertação da Palestina, diante do 
fracasso dos Acordos de Oslo, a Ocupação da Cisjordânia e o cerco à Faixa de Gaza. Ou seja, para além do apoio à Causa Palestina e as 
alianças do xiismo ampliado e a aliança com o Qatar, a diplomacia do Estado persa pode estar diante de um espaço com margens de manobra que 
jamais teve desde 1979.
Entende-se que o assassinato do tenente-general Soleimani é o fato político mais importante a acontecer no Oriente Médio desde o estopim da 
Primavera Árabe, em 2010, com a configuração de forças políticas na região se modificando, com tanto os Estados Unidos quanto o Irã 
necessitando refazer seus cálculos políticos, se preparar para possível ação militar e ver uma mudança completa no tabuleiro diplomático. 
Ainda que a possibilidade de Guerra Mundial seja remota, mais do que os memes das redes sociais indiquem, a tensão militar chega a um novo 
patamar, que nos próximos meses deverá ditar o comportamento de atores globais, regionais, sendo estatais ou não estatais.
Estudar, analisar e apontar posições no Grande Oriente Médio e nos Mundos Árabe e Islâmico é tarefa muito mais complexa do que aparenta ser, 
e nem as vinculações superficiais da internet política e menos ainda o cinismo do estudo da geoestratégia podem dar conta. É importante 
ressaltar que a denúncia anti-imperialista diante do ato terrorista dos Estados Unidos não implica uma adesão incondicional nem ao regime de 
Teerã e tampouco às posições iranianas em toda a região. No caso do Curdistão e da maioria da população síria, isto é evidente, cabendo 
crítica. Quanto a Primavera Iraquiana interrompida, idem. No que diz respeito ao apoio da soberania libanesa e de uma Palestina soberana e 
viável como Estado independente (algo que os Acordos de Oslo jamais proporcionaram), aí cabe o elogio às posições iranianas. A admiração à 
cultura persa e o respeito aos xiismos como vertentes válidas do Islã são valores inegociáveis e incondicionais. A defesa da 
autodeterminação dos povos e o combate aos invasores ocidentais formam a motivação de fundo deste estudo.

Pedro Guedes é internacionalista e acadêmico de direito (pedro_0141  hotmail.com).
Bruno Lima Rocha (blimarocha  gmail.com / Bruno Baaklini na ascendência árabe-libanesa) é pós-doutorando em economia política, doutor em 
ciência política e professor de relações internacionais, ciência política e jornalismo.

Obs: O texto acima foi concluído antes do lançamento de uma dúzia de mísseis balísiticos vindos de território iraniano, tendo como alvo a 
base aérea militar de Al Asad, utilizada pelas forças imperiais dos EUA em solo iraquiano.

https://www.anarkismo.net/article/31719


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