(pt) Declaração internacional pela liberdade dos/das presos/as políticos/as da revolta social da região chilena - caban arquista (ca, de, en, gr, fr, it, pt, tr)

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Sábado, 12 de Dezembro de 2020 - 07:59:16 CET


"A prisão não impede os atos antissociais; pelo contrário, aumenta seu número. 
Não reabilita os que vão parar nela. Podem reformá-la o quanto quiserem, será 
sempre uma privação de liberdade, um sistema falso, como um convento, que torna o 
prisioneiro cada vez menos apto à vida social. Não atinge o que propõe. Mancha a 
sociedade. Deve desaparecer." (Piotr Kropotkin - "As Prisões") ---- "Que os/as 
companheiros/as não se sintam sozinhos/as. As pessos com quem compartilharam 
alegrias e tristezas, fracassos e vitórias, estão mais do que nunca junto a eles 
e elas. Lutando com obstinado fervor. Sentindo cada dia mais amor e mais ódio. 
Esse amor e esse ódio com o qual, juntos/as, mudaremos as bases do mundo" (Juan 
C. Mechoso - Ação Direta Anarquista: Uma História da FAU")

1. Passou-se mais de um ano desde que a luta transbordou as ruas de diferentes 
cidades do território dominado pelo Estado do Chile, e desde aquele outubro os 
povos mantiveram a luta sem descanso. Apesar da repressão, a pandemia e a fome, a 
vontade organizativa e de luta florescem. Estamos em tempos de luta e resistência 
em territórios de todo o mundo; desde os/as indígenas no Equador aos/às 
proletários/as da França, os povos se levantam contra o sistema de dominação.

É por isso que o internacionalismo, aquela velha prática das classes oprimidas, 
se faz urgente, a palavra e a ação solidária é um princípio constitutivo destas 
lutas e é o que as levam a projetar-se em um horizonte de emancipação.

2. Com as dificuldades de viver, as comunidades de luta, por meio de barricadas, 
panelaços e autodefesa, exercitaram a resistência no território dominado pelo 
Estado do Chile. Ele respondeu com dura repressão, são milhares de feridos/as, 
centenas os/as mutilados/as, dezenas de mortos/as e milhares de presos/as. Tudo 
isso levado a cabo por seus capangas, que defendem seus interesses de classe, 
precarizando e atacando nossas vidas, corpos e territórios.

Não só usaram balas e gás lacrimogêneo contra nossa classe, mas também severas 
leis repressivas, com o apoio da socialdemocracia, concretizadas na "Lei 
antibarricadas", na "modernização" de aparatos repressivos como a Agência 
Nacional de Inteligência (ANI) e entregando nova infraestrutura às Forças 
Especiais para assim desenvolver seu terrorismo estatal.

Essa repressão, como é sabido, recai somente sobre nossa classe, já que quando os 
grupos armados da classe dominante são descobertos com armamento de guerra e 
equipamentos de combate, para o Estado são apenas "utensílios", enquanto que 
quebrar uma vidraça de banco é terrorismo, e te mantém sequestrado por anos por 
essa ação. Hoje, para nossa classe, é risco de prisão sair com uma colher e um 
cartaz a gritar por direitos sociais. A prisão é uma questão de classe.

3. São quase 2.500 os/as companheiros/as que hoje estão submetidos/as a processos 
judiciais grosseiros, processos que se alongaram por mais de um ano, mantendo 
milhares de pessoas atrás das grades, sem nenhum tipo de condenação, utilizando a 
"prisão preventiva" como escárnio jurídico aos que lutaram junto a sua classe 
neste ano de revolta social (inclusive "menores de idade"). Por outro lado, os/as 
poucos/as condenados/as que existem enfrentam sentenças brutais, de 11 a 20 anos 
por elucubrações de uma promotoria com sede de vingança que pretende castigar os 
que desafiaram o sistema de dominação, que ousaram questionar a mercantilização e 
precarização de nossas vidas.

Como se não bastasse, os/as presos/as da revolta social são mantidos/as em 
isolamento, torturados/as em seu cotidiano, sem direito a visitas ou qualquer 
outro benefício penitenciário.

4. Fazemos um chamado à solidariedade ativa, a colocar a palavra e o corpo pela 
liberdade de nossos/as presos/as, a organizar jornadas de protesto por todos os 
territórios em luta para alcançar uma ANISTIA GERAL E SEM CONDIÇÕES. Quem se 
esquece dos/das presos/as se esquece da luta, portanto conseguir sua liberdade é 
um imperativo para as comunidades em luta. Chamamos a fortalecer as organizações 
populares a erguer a bandeira pela liberdade de nossos/as companheiros/as, a 
fazer parte de forma concreta nas diversas atividades e jornadas de manifestações 
que estão sendo levantadas.

5. Por último, a realidade da prisão política não nasce em 18 de outubro, mas é 
uma situação que se deu por décadas. Historicamente o Estado buscou castigar os 
que lutaram pelo fim da sociedade de classes, por isso também nos solidarizamos 
com os/as presos/as prolíticos/as mapuche e revolucionários/as, que resistem dia 
a dia para manter-se firmes nas prisões-empresas do Estado do Chile.

LIBERDADE AOS/ÀS PRESOS/AS POLÍTICOS/AS DA REVOLTA
NENHUM PRESO A MAIS POR LUTAR
ANISTIA GERAL E SEM CONDIÇÕES
REVOGAÇÃO DAS LEIS REPRESSIVAS
FIM À LEI ANTITERRORISTA

? Coordenação Anarquista Brasileira - CAB
? Federación Anarquista Uruguaya - FAU
? Federación Anarquista de Rosario - FAR (Argentina)
? Organización Anarquista de Córdoba - OAC (Argentina)
? Federación Anarquista Santiago - FAS (Chile)
? Grupo Libertario Vía Libre (Colômbia)
? Union Communiste Libertaire (França)
? Embat - Organització Libertària de Catalunya
? Alternativa Libertaria - AL/fdca (Itália)
? Die Plattform - Anarchakommunistische Organisation (Alemanha)
? Devrimci Anarsist Faaliyet - DAF (Turquia)
? Organisation Socialiste Libertaire - OSL (Suíça)
? Libertaere Aktion (Suíça)
? Melbourne Anarchist Communist Group - MACG (Austrália)
? Aotearoa Workers Solidarity Movement - AWSM (Aotearoa / Nova Zelândia)
? Zabalaza Anarchist Communist Front - ZACF (África do Sul)
? Federation of Anarchism Era  (Afeganistão e Irã)
? Workers Solidarity Movement - WSM (Irlanda)
? Anarchist Communist Group - ACG (Grã-Bretanha)
? Anarchist Federation (Grécia)
? Tekosina Anarsist - TA, (Rojava - nordeste da Síria)
? Organizacion Anarquista de Tucuman (Argentina)

http://cabanarquista.org/2020/12/10/internacional-liberdade-presos-chile/


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